Trump pressiona por acordo em Gaza entre Israel e Hamas em dias
O presidente Donald Trump declarou a jornalistas no domingo que as negociações para colocar em prática seu plano de paz, que visa a liberação completa dos reféns ainda detidos pelo Hamas e o encerramento da guerra em Gaza, devem ser finalizadas com êxito nos próximos dias. Essa declaração ocorre em um momento crítico, dois anos após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou o conflito, e reflete o esforço intenso da administração Trump para evitar mais derramamento de sangue na região. De acordo com autoridades americanas, Trump e sua equipe diplomática estão exercendo pressão significativa sobre Israel e o Hamas para que avancem na implementação do acordo sem qualquer tipo de procrastinação, destacando que o tempo é essencial para prevenir uma escalada violenta que poderia comprometer a estabilidade do Oriente Médio inteiro.
Por Que Isso Importa
A urgência imposta por Trump e seu time surge em meio a um conflito que já resultou em milhares de mortes e uma crise humanitária profunda em Gaza, com relatos de ataques israelenses contínuos mesmo durante as preparações para as negociações. Autoridades dos EUA enfatizam que atrasos poderiam colocar em risco não apenas as vidas dos reféns, mas também o frágil equilíbrio regional, especialmente considerando o isolamento internacional crescente de Israel devido à prolongada duração da guerra. Veículos como a BBC, CNN e Al Jazeera relatam que essa pressão visa resolver a crise imediata, com mais de 48 reféns ainda em cativeiro — cerca de 20 deles presumidamente vivos —, conforme estimativas verificadas por organizações internacionais como a ONU, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e o ministério da saúde controlado pelo Hamas em Gaza. Além disso, o plano de Trump representa uma oportunidade para normalizar relações entre Israel e nações árabes, ecoando sucessos anteriores como os Acordos de Abraão, e poderia pavimentar o caminho para discussões mais amplas sobre uma solução de dois Estados, embora com condições estritas de segurança.
O Que Trump Está Dizendo
Em postagens nas redes sociais e declarações à imprensa, Trump descreveu o acordo como “muito bem-sucedido” e “procedente rapidamente”, afirmando: “Houve discussões muito positivas com o Hamas e países de todo o mundo (árabes, muçulmanos e todos os outros) neste fim de semana, para liberar os reféns, encerrar a guerra em Gaza e, mais importante, finalmente alcançar a paz de longa data no Oriente Médio”. Ele acrescentou: “As equipes técnicas se reunirão novamente na segunda-feira, no Egito, para trabalhar e esclarecer os detalhes finais. Fui informado de que a primeira fase deve ser concluída esta semana, e estou pedindo a todos para AVANÇAR RÁPIDO. O TEMPO É ESSENCIAL OU HAVERÁ DERRAMAMENTO DE SANGUE MASSIVO – ALGO QUE NINGUÉM QUER VER!”. Em entrevista à CNN com Jake Tapper, Trump alertou que o Hamas enfrentará “obliteração completa” caso recuse-se a renunciar ao poder em Gaza, reforçando que o plano beneficia Israel, o mundo árabe, a comunidade muçulmana e o planeta como um todo. Essas afirmações se baseiam em seu plano de 20 pontos, anunciado em setembro de 2025 durante reunião com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que inclui a liberação de todos os reféns em 72 horas, desarmamento do Hamas e transferência de governança para tecnocratas palestinos, conforme detalhado pela Axios e pelo Departamento de Estado dos EUA.
O Que Está Impulsionando as Notícias
As negociações técnicas entre representantes israelenses e do Hamas estão programadas para começar na segunda-feira, 6 de outubro de 2025, na cidade resort de Sharm el-Sheikh, no Egito, com mediação de autoridades egípcias e qataris, focando nas fases iniciais do plano Trump. Apesar do otimismo, persistem divergências chave, como o alcance da retirada inicial das tropas israelenses — limitada a linhas específicas, como uma linha amarela mencionada em gráficos compartilhados por Trump, que posicionaria o exército israelense nos arredores de cidades principais em Gaza — e a composição da lista de prisioneiros palestinos a serem libertados em troca dos reféns. O secretário de Estado Marco Rubio, em entrevista à Fox News no domingo, explicou: “Há conversas em andamento, que esperamos finalizar rapidamente, sobre a logística disso – quem vai entrar, em que horário serão libertados, como tudo vai funcionar? Precisamos coordenar o acesso da Cruz Vermelha, o momento exato e o local”. Rubio também destacou: “Acho que estamos mais próximos do que nunca em muito tempo de não ter mais reféns mantidos pelo Hamas, vivos ou falecidos”, referindo-se aos 48 reféns restantes. Essas discussões indiretas — já que Israel e Hamas não se comunicam diretamente — constroem sobre frameworks anteriores, como o de 2023, mas adaptados ao plano Trump, com Hamas aceitando parcialmente os 20 pontos, incluindo a liberação de reféns mortos e vivos, embora exija debates adicionais sobre desarmamento e seu papel futuro, de acordo com a Al Jazeera e Reuters. Paralelamente, ataques israelenses continuaram durante o fim de semana, com relatos de pelo menos 65 mortes em Gaza nas últimas horas antes das negociações, incluindo destruição de edifícios residenciais em Gaza City, conforme testemunhas e o ministério da saúde local.
Situação Atual
Segundo Rubio em entrevista à ABC, cerca de 90% do trabalho preliminar já está concluído, com as conversas no Egito se concentrando exclusivamente na finalização da logística da troca de reféns e prisioneiros, adiando questões mais complexas como o desarmamento total do Hamas e a criação de uma estrutura de governança sem terroristas. “Estamos esperando que seja finalizado rapidamente, no início da semana. Ninguém sabe o cronograma exato, mas isso não pode levar semanas ou até vários dias. Queremos ver isso acontecer muito rápido”, enfatizou Rubio. “Se não acontecer, acho que todo o acordo fica em risco. Isso tem que ser rápido pelo bem dos reféns, das famílias e do acordo em si”. Essa fase inicial prioriza a liberação dos 48 reféns em até 72 horas, em troca de prisioneiros palestinos, com Israel reduzindo operações militares durante o processo, embora Netanyahu tenha esclarecido que não haverá retirada completa de Gaza, conforme seu escritório informou. O progresso reflete trocas parciais anteriores desde outubro de 2023, que libertaram cerca de 100 reféns, e o endosso recente de Netanyahu ao plano durante visita à Casa Branca, segundo relatórios do governo israelense, Departamento de Estado e CBS News. Hamas, por sua vez, expressou “grande interesse em chegar a um acordo para encerrar a guerra e iniciar imediatamente o processo de troca de prisioneiros de acordo com as condições no terreno”, via um oficial sênior à AFP, embora insista em negociações sobre pontos adicionais como seu futuro papel administrativo.
O Que Acompanhar
Um alto oficial americano confirmou que o enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, devem se juntar às negociações no Egito na terça ou quarta-feira, representando os EUA ao lado de mediadores locais. “O progresso parece positivo agora. Todos estão se esforçando para que isso dê certo e expressam confiança de que chegaremos a um acordo”, disse o oficial. “Witkoff e Kushner continuarão a pressionar ambos os lados até obtermos um acordo definitivo”. Witkoff, um investidor imobiliário e emissário de Trump, já facilitou a liberação de reféns americanos em rodadas anteriores, enquanto Kushner, ex-enviado no primeiro mandato de Trump, foi chave nos Acordos de Abraão de 2020, que normalizaram relações entre Israel e nações árabes como Emirados Árabes e Bahrein, trazendo expertise para lidar com atores regionais complexos, conforme perfis na Bloomberg, New York Times e NBC News. Do lado israelense, a delegação será liderada por Ron Dermer, conselheiro próximo de Netanyahu, e do Hamas por Khalil al-Hayya, com foco inicial na troca de reféns por prisioneiros, incluindo coordenação para acesso humanitário. Analistas da Reuters e BBC alertam que, apesar do otimismo, diferenças sobre a retirada israelense e desmobilização do Hamas podem prolongar as discussões, especialmente com ataques contínuos reportados.
O Panorama Geral
Em entrevista à CBS com Margaret Brennan no domingo, Rubio confirmou as observações de Trump à Axios no sábado sobre o isolamento internacional de Israel como motivo urgente para encerrar a guerra em Gaza. “A observação do presidente é que, devido à duração dessa guerra e como ela se desenrolou – todos vimos a narrativa internacional”, disse Rubio. “Vimos, até em nossa própria política doméstica, alguns dos ataques a Israel. Concordemos ou não, vimos o impacto que isso teve na posição global de Israel, com resoluções da ONU criticando ações israelenses e protestos globais intensos”. De fato, em 2025, a ONU aprovou várias resoluções condenatórias, e organizações como Human Rights Watch e Council on Foreign Relations documentaram o declínio na imagem de Israel, impulsionado por mais de 40 mil mortes em Gaza desde 2023. Rubio, em múltiplas aparições na Fox News, ABC e NBC, reiterou o apoio da administração Trump a uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino, mas condicionada a negociações diretas com Israel e pré-requisitos de segurança rigorosos. “Isso é um processo. Para que essa aspiração seja credível, tem que ser realista. Não podemos ter um Estado palestino governado pelo Hamas ou por alguma organização terrorista cujo propósito é a destruição do Estado judeu”, afirmou. “Isso nunca funcionaria. Temos que criar as condições para isso, como governança por um comitê técnico palestino sem Hamas, assistência internacional e desarmamento de facções terroristas que constroem túneis e lançam ataques. Vai levar tempo, e isso fará parte das negociações nos dias e semanas vindouros”. Essa visão alinha-se à política externa de Trump, que prioriza a segurança de Israel enquanto promove normalizações com árabes, como avanços recentes com a Arábia Saudita em 2025, reportados pela Associated Press e Sky News, e diferencia o Hamas de movimentos políticos legítimos, descrevendo-o como “assassinos, selvagens e terroristas” em declarações à Fox.
Informações da Axios e do The Times of India.
