O Egito e a Cruz Vermelha se juntam à busca pelos corpos dos reféns em Gaza
Equipes especializadas do Egito e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) receberam autorização oficial das autoridades israelenses para iniciar buscas intensivas pelos corpos de reféns israelenses mortos durante os ataques devastadores de 7 de outubro de 2023. Essa permissão representa um marco significativo no processo de recuperação dos restos mortais, especialmente em regiões de Gaza controladas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI). A iniciativa está diretamente ligada ao acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que impõe ao Hamas a obrigação de devolver todos os corpos de reféns como condição essencial para o avanço das negociações de paz. De acordo com declarações do governo israelense, as equipes agora podem operar em áreas previamente restritas, o que pode acelerar o processo de identificação e repatriamento, aliviando o sofrimento prolongado das famílias que aguardam há mais de dois anos por um fechamento digno.
A decisão de permitir essas operações surge em um contexto de tensões persistentes, mas com sinais de cooperação emergente. Até o momento, o conflito resultou em um número alarmante de vítimas de ambos os lados, e essa colaboração humanitária é vista como um passo crucial para humanizar o processo de resolução. Relatórios de fontes como a BBC e a Reuters confirmam que a permissão foi concedida após negociações intensas, destacando o papel vital de mediadores internacionais em mitigar o impasse.
Buscas além da “linha amarela” em áreas controladas pelas FDI
O governo israelense detalhou que as equipes do Egito e do CICV têm liberdade para atuar além da chamada “linha amarela”, uma demarcação fronteiriça que separa as zonas sob controle direto das FDI das áreas remanescentes em Gaza. Essa linha, estabelecida como parte da primeira fase do plano de cessar-fogo, estende-se ao longo do norte, sul e leste do território palestino, marcando os limites para os quais Israel recuou suas tropas após intensas operações militares. A “linha amarela” não é apenas uma barreira geográfica, mas um símbolo das concessões iniciais no acordo, projetado para criar espaço para atividades humanitárias sem comprometer a segurança israelense.
Historicamente, Israel havia bloqueado qualquer entrada de equipes estrangeiras nessas zonas sensíveis, citando preocupações com a segurança e o risco de interferência em operações militares. No entanto, a aprovação recente reflete uma mudança pragmática, impulsionada pela pressão internacional e pela necessidade de cumprir os termos do cessar-fogo. As equipes egípcias, em particular, estão equipadas com máquinas escavadeiras pesadas, caminhões de transporte e ferramentas de detecção avançadas, permitindo buscas mais profundas em meio aos escombros acumulados. Um porta-voz israelense enfatizou que essa colaboração é estritamente supervisionada pelas FDI, garantindo que as operações permaneçam focadas na recuperação humanitária, sem qualquer risco à estabilidade regional.
Participação do Hamas e desafios logísticos no terreno
Em um desenvolvimento paralelo reportado por veículos de mídia israelenses no domingo, membros do Hamas também receberam permissão para acessar a área controlada pelas FDI, trabalhando em conjunto com as equipes do CICV para auxiliar nas buscas. Essa coordenação é inédita e reflete a complexidade do acordo, que exige cooperação entre partes historicamente antagônicas. Até agora, o Hamas já cumpriu parcialmente suas obrigações, transferindo 15 dos 28 corpos de reféns israelenses identificados na primeira fase do cessar-fogo. O grupo palestino, por meio de comunicados oficiais, informou que está ativamente coordenando com as autoridades egípcias para localizar os restantes, mas enfrenta obstáculos significativos devido à devastação causada por mais de dois anos de bombardeios israelenses.
A ONU estima que cerca de 84% do território de Gaza foi reduzido a rubros irreconhecíveis, com prédios residenciais, hospitais e infraestruturas civis completamente destruídos. Essa paisagem de ruínas complica enormemente as operações de resgate, pois os corpos podem estar soterrados sob camadas de concreto e detritos, exigindo equipamentos especializados e tempo considerável para escavações seguras. O Hamas argumenta que está fazendo o possível para cumprir o acordo, mas acusa os bombardeios israelenses de terem obliterado locais conhecidos onde os reféns foram mantidos. Em contrapartida, um porta-voz do governo israelense criticou o grupo, afirmando que o Hamas possui informações precisas sobre as localizações e poderia acelerar o processo com maior dedicação. “Se o Hamas se esforçasse mais, eles conseguiriam resgatar os restos de nossos reféns sem tanta demora”, declarou o porta-voz, ecoando frustrações acumuladas desde o início do conflito.
Avisos firmes de Trump e o papel central na mediação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interveio diretamente no impasse, emitindo um alerta veemente ao Hamas para que acelere a devolução dos corpos, sob ameaça de ações coordenadas por outros países envolvidos no processo de paz. Em uma postagem no Truth Social no sábado, Trump destacou a urgência da situação “Alguns dos corpos são difíceis de alcançar devido aos escombros, mas outros eles podem retornar imediatamente e, por algum motivo, não o fazem. Talvez isso tenha a ver com o desarmamento deles, que é parte essencial do acordo”. Ele concluiu com uma nota de vigilância “Vamos ver o que eles fazem nas próximas 48 horas. Estou monitorando isso de perto”. Essa declaração reforça o compromisso de Trump como arquiteto do plano de paz, que ele promoveu ativamente desde sua reeleição, enfatizando soluções rápidas e decisivas para o Oriente Médio.
Trump tem sido uma figura pivotal nas negociações, tendo facilitado a assinatura do acordo no luxuoso resort egípcio de Sharm el-Sheikh no início deste mês. O documento, endossado por nações chave como Egito, Catar e Turquia, delineia fases claras para o cessar-fogo, incluindo a libertação de reféns, a desmilitarização gradual de Gaza e a reconstrução internacional da região. A mediação de Trump, apoiada por sua administração, é creditada por quebrar impasses anteriores, com relatórios da CNN e do New York Times destacando como sua abordagem direta influenciou concessões de ambos os lados. A pressão de Trump não é isolada; ela se alinha com esforços diplomáticos mais amplos, incluindo resoluções da ONU que condenam a retenção de reféns e apelam por acesso humanitário irrestrito.
Papel histórico do CICV e avanços na transferência de reféns
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha tem desempenhado um papel central desde o início do conflito, atuando como intermediário neutro na transferência de reféns, tanto vivos quanto mortos. De acordo com o protocolo estabelecido, o Hamas não entrega os cativos diretamente às FDI, mas ao CICV, que os escolta através de Gaza até pontos de handover seguros sob supervisão israelense. Essa prática, adotada em negociações anteriores, garante neutralidade e minimiza riscos de confrontos diretos. A organização humanitária, com sede em Genebra, já facilitou a repatriação de dezenas de indivíduos, trabalhando em condições extremas e sob fogo cruzado, o que lhe rendeu elogios de agências como a Anistia Internacional por sua imparcialidade e eficiência.
A chegada das equipes egípcias marca uma novidade no cenário, pois introduz capacidades de escavação que o CICV sozinho não possui em escala suficiente. Equipadas com tecnologia de ponta, incluindo detectores de movimento e scanners de imagem, essas equipes podem mapear áreas soterradas com maior precisão. Para as famílias dos reféns, essa notícia é um alívio bem-vindo; muitas delas, organizadas em grupos de apoio em Israel, expressaram publicamente sua gratidão e ansiedade por um enterro apropriado, conforme coberto por jornais como o Haaretz. O processo não é apenas logístico, mas emocional, ajudando a encerrar um período de incerteza que se estende por mais de 730 dias.
Controle israelense sobre forças internacionais em Gaza
Durante o domingo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reafirmou a soberania de Israel sobre decisões de segurança, declarando que o país determinará quais forças estrangeiras poderão integrar uma missão internacional planejada para Gaza, com o objetivo de monitorar e assegurar o cumprimento do cessar-fogo sob o plano de Trump. Em seu discurso de abertura de uma reunião do gabinete, Netanyahu afirmou: “Estamos no controle absoluto de nossa segurança. Deixamos claro que Israel decidirá quais forças são inaceitáveis para nós, e é assim que operamos e continuaremos operando, sem compromissos que ameacem nossa integridade”. Essa posição reflete preocupações de longa data com a presença de atores hostis na região.
Na sexta-feira anterior, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comentou que “um grande número de países” manifestou interesse em participar dessa força multinacional, mas sublinhou que a aprovação de Israel é indispensável para o sucesso da iniciativa. Relatos de fontes como a Associated Press sugerem que Israel vetou explicitamente a inclusão da Turquia, citando divergências políticas e temores de viés pró-Hamas. Essa exclusão gerou debates diplomáticos, com a Turquia expressando decepção, mas reconhecendo a necessidade de consenso. No entanto, a implementação prática dessa força permanece nebulosa, especialmente sem um acordo explícito com o Hamas, que ainda exerce influência em partes de Gaza. Especialistas em relações internacionais, como os do Council on Foreign Relations, observam que qualquer deployment bem-sucedido exigirá coordenação tripartite entre Israel, os EUA e mediadores árabes para evitar escaladas.
Contexto aprofundado do conflito e suas consequências humanitárias
O conflito em Gaza remonta ao ataque surpresa lançado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, quando militantes armados invadiram o sul de Israel, matando cerca de 1.200 civis e militares e capturando 251 reféns, incluindo mulheres, crianças e idosos. Esse evento, o mais letal contra Israel em décadas, desencadeou uma resposta militar massiva, com Israel mobilizando dezenas de milhares de tropas para eliminar ameaças do Hamas e resgatar os cativos. A operação resultou em uma campanha de bombardeios aéreos, incursões terrestres e bloqueios que transformaram Gaza em uma zona de guerra prolongada.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, pelo menos 68.519 palestinos foram mortos desde então, com a maioria sendo civis, incluindo um número desproporcional de crianças e mulheres. Essas estatísticas são amplamente corroboradas por entidades independentes como a ONU, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e grupos de direitos humanos como Human Rights Watch, que documentam a escala da crise: mais de 2 milhões de deslocados, colapso do sistema de saúde e uma fome generalizada agravada pela escassez de suprimentos. A destruição de 84% das estruturas em Gaza, conforme relatórios da ONU de outubro de 2025, não só complica buscas como as atuais, mas também levanta questões sobre a viabilidade de reconstrução futura, estimada em bilhões de dólares.
O plano de paz de Trump, assinado em Sharm el-Sheikh, busca romper esse ciclo vicioso com etapas progressivas: devolução imediata de reféns e corpos, cessar-fogo de 12 meses, desarmamento supervisionado do Hamas e influxo de ajuda internacional para reerguer Gaza. O Egito, com sua fronteira compartilhada e histórico de mediação – como no tratado de paz de Camp David em 1979 –, emerge como ator indispensável, facilitando corredores humanitários e negociações logísticas. Essa rara colaboração entre Egito, CICV e até o Hamas sinaliza uma possível virada, oferecendo não apenas recuperação de restos mortais, mas esperança para uma estabilidade duradoura em uma região marcada por décadas de conflito.
A informação foi coletada da BBC e do The Times of Israel.
