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Afeganistão bloqueia acesso às redes sociais nos telemóveis

Nos últimos dias, o Afeganistão tem vivido uma nova fase de restrições severas no acesso à internet, especialmente nas redes sociais através dos telemóveis. Plataformas populares como Facebook, Instagram e Snapchat foram intencionalmente bloqueadas para a maioria dos utilizadores móveis, numa medida imposta pelas autoridades talibãs que governam o país desde 2021. Este bloqueio, que segue um apagão nacional de quase 48 horas nas telecomunicações, tem causado preocupações profundas entre a população afegã, que depende das redes sociais não só para comunicação mas também para trabalho e expressão pessoal. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente os motivos, impactos e contexto deste bloqueio, assim como as consequências sociais e psicológicas para os afegãos.

O que aconteceu no Afeganistão?

Desde o início de outubro de 2025, diversas operadoras de telecomunicações no Afeganistão confirmaram que o acesso às redes sociais está restrito, afetando principalmente os utilizadores dos telemóveis. A organização internacional NetBlocks, que monitoriza a segurança cibernética e o acesso à internet, confirmou que a interrupção é intencional e deliberada por parte do governo talibã. Este bloqueio faz parte de uma série de medidas de controlo digital tomadas após o retorno do grupo extremista ao poder em agosto de 2021.

Plataforma Número aproximado de utilizadores no Afeganistão
Facebook 4 milhões
Instagram 1,3 milhões
Snapchat Dados não disponíveis

Esta limitação tem afetado não só o acesso às redes sociais, mas também prejudicado a velocidade da internet móvel, tornando a navegação lenta e por vezes impossível em várias províncias do país. O governo talibã não fez comentários oficiais sobre o motivo específico do bloqueio, mas medidas anteriores indicam a intenção de controlar a informação e evitar o que chamam de “atividades imorais”.

Contexto político e social do bloqueio

Desde que os talibãs retomaram o controle do Afeganistão em 2021, o país tem visto uma crescente restrição das liberdades, especialmente no que diz respeito à comunicação e acesso à informação. O bloqueio das redes sociais nas telecomunicações móveis é apenas o último de uma longa lista de medidas aplicadas para manter o controlo rígido sob a população e limitar a exposição a influências consideradas contrárias aos seus valores ultraconservadores.

No início de setembro, uma medida semelhante foi tomada para cortar a internet de alta velocidade em diversas províncias com o objetivo declarado de combater o “vício” e a “corrupção moral”, segundo o líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada.

Data Evento Impacto
Agosto 2021 Retorno dos talibãs ao poder Rigorosa aplicação da sharia
Setembro 2025 Cortes na internet de alta velocidade em províncias Redução do acesso à internet
Outubro 2025 Bloqueio intencional de redes sociais nos telemóveis Restrição da comunicação digital

Impacto social e psicológico da censura digital

O bloqueio do acesso às redes sociais tem um impacto profundo numa sociedade que utiliza estas plataformas para manter contactos familiares, sociais e profissionais, especialmente num país como o Afeganistão, onde muitas pessoas têm familiares na diáspora.

A artista Ghezal, de 24 anos, por exemplo, declarou estar “muito triste” com a impossibilidade de aceder ao Instagram, sua principal forma de contacto e divulgação do seu trabalho. Já Sara, de 21 anos, expressou preocupação com o impacto ainda maior que estas restrições têm nas mulheres, um grupo já severamente restringido em diversas áreas da vida pública, como educação, trabalho e liberdade pessoal. Para muitas mulheres afegãs, as redes sociais eram um dos poucos espaços onde podiam socializar, aprender e ter alguma forma de liberdade de expressão.

Grupo afetado Efeito do bloqueio
Mulheres Aumento do isolamento, impacto psicológico severo
Jovens Dificuldade em manter conexões sociais e educacionais
Trabalhadores Perda de meios de trabalho, comunicação prejudicada

Consequências para os meios de comunicação e o acesso à informação

Além do impacto direto nos cidadãos, o bloqueio prejudica também os meios de comunicação. Agências locais e internacionais de notícias relataram dificuldades extremas para operar devido à falta de acesso à internet estável e redes sociais, ferramentas fundamentais para a disseminação de informação tanto local quanto global.

Veículos como a TOLOnews, uma das principais fontes de notícias locais, tiveram suas operações prejudicadas, afetando o fluxo de informação crítica para a população e para o mundo exterior.

Conclusão: O impacto duradouro do bloqueio digital

O bloqueio intencional do acesso às redes sociais nos telemóveis no Afeganistão é mais do que um simples ato de censura digital: é um símbolo do isolamento crescente e da dura realidade que muitos afegãos enfrentam sob o regime talibã. A restrição destes meios afeta profundamente a comunicação, a liberdade de expressão e o acesso à informação, direitos básicos que se perdem num contexto de repressão.

As redes sociais, para muitos jovens, mulheres e trabalhadores, eram uma rede vital de apoio, informação e expressão. O bloqueio não só limita o acesso a essas plataformas, como acentua a marginalização social e psicológica dos setores mais vulneráveis da população. A comunidade internacional observa com apreensão estas ações que, apesar da alegação oficial de combater a “imoralidade”, configuram um grave retrocesso em termos de direitos humanos e liberdade digital.

Enquanto a situação no terreno permanece tensa e as autoridades talibãs continuam silenciosas sobre o futuro das relações digitais no país, o Afeganistão enfrenta um desafio imenso para manter seu povo informado, conectado e livre.