Energia

7 Setores de Energia Renovável Unindo Brasil e Angola

O Brasil e Angola estão construindo uma parceria estratégica no setor de energia renovável que promete transformar o futuro energético de ambos os países. Esta cooperação bilateral representa uma oportunidade única para acelerar a transição energética e promover o desenvolvimento sustentável em duas das maiores economias lusófonas do mundo.

A parceria entre estes dois países ganhou novo impulso em 2025, quando foram assinados importantes acordos de cooperação energética. O acordo entre as empresas estatais Petrobras e Sonangol estabeleceu diretrizes para avaliar oportunidades de cooperação em pesquisa e desenvolvimento de projetos de interesse mútuo, especialmente nas áreas de energia renovável, petróleo, gás, tecnologia e capacitação.

Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 91% da sua eletricidade proveniente de fontes renováveis em 2023. Por outro lado, Angola possui um imenso potencial inexplorado em energias renováveis, com capacidade para gerar 16,3 GW em energia solar, 3,9 GW em energia eólica e 18 GW em energia hidrelétrica. Esta complementaridade natural cria oportunidades excepcionais para ambos os países.

1. Energia Solar

A energia solar representa um dos setores mais promissores da cooperação Brasil-Angola. Brasil tem experimentado um crescimento extraordinário neste setor, com a energia solar crescendo 56% apenas entre 2020 e 2021. O país já possui mais de 1,131,000 unidades de geração distribuída, sendo mais de 99% projetos solares, localizados em 5,492 cidades, com mais de 12 GW de capacidade instalada.

Angola possui condições excepcionais para energia solar, com radiação solar alta e constante em todo o território, oferecendo potencial de geração de 55 GW. O país tem radiação solar global anual horizontal entre 1,370 e 2,100 kWh/m²/ano.

Aspecto Brasil Angola
Capacidade Instalada Atual 25+ GW (2023) Em desenvolvimento
Potencial Total Alto potencial 55 GW
Projetos em Andamento 1,131,000 unidades 7 usinas solares (370 MW)
Tecnologia Predominante Módulos bifaciais (97,22%) Painéis fotovoltaicos

Angola está atualmente construindo sete usinas de energia solar em seis províncias diferentes (Benguela, Moxico, Luanda Sul, Bié, Huambo e Luanda Norte) com capacidade combinada de 370 MW. A primeira parceria público-privada angolana em energias renováveis é a Usina Solar Caraculo, em Namibe, com 25 MW instalados e 46,000 painéis.

2. Energia Eólica

O setor eólico brasileiro é reconhecido mundialmente por sua excelência técnica e crescimento acelerado. Em 2021, o Brasil estabeleceu dez novos recordes na produção de energia renovável no Nordeste, sendo quatro recordes em energia eólica média e quatro em energia eólica instantânea. No dia 22 de julho de 2021, pela primeira vez, os ventos geraram energia capaz de abastecer 102% de toda a região Nordeste por 24 horas.

A energia eólica representa atualmente 10,9% da matriz elétrica brasileira, com estimativa de alcançar 13,6% até o final de 2025. Angola possui potencial para gerar 3,9 GW em energia eólica, representando uma oportunidade significativa para cooperação tecnológica.

Indicador Brasil Angola
Participação na Matriz 10,9% (atual) Potencial inexplorado
Meta 2025 13,6% Desenvolvimento inicial
Potencial Total Alto 3,9 GW
Tecnologia Turbinas avançadas Transferência tecnológica

As empresas brasileiras podem compartilhar sua expertise em desenvolvimento, instalação e manutenção de parques eólicos com Angola, contribuindo para o desenvolvimento desta fonte energética no país africano.

3. Energia Hidrelétrica

A energia hidrelétrica constitui a base da matriz energética brasileira, representando 60% da geração de eletricidade do país. Brasil possui um dos maiores sistemas hidrelétricos do mundo, com capacidade instalada de aproximadamente 109 GW. Projetos emblemáticos como a Usina de Itaipu criaram uma sólida base para a geração hidrelétrica.

Angola possui a energia hidrelétrica como sua principal fonte renovável, representando 61,8% de sua matriz energética atual. O país tem potencial para gerar 18 GW em energia hidrelétrica, o que representa uma oportunidade substancial para expansão.

Características Brasil Angola
Capacidade Instalada 109 GW 5,7 GW (70% em uso)
Participação na Matriz 60% 61,8%
Potencial Total Extenso 18 GW
Projetos Principais Itaipu, outros Laúca (2,1 GW), Cambambe

O projeto hidrelétrico de Laúca, com 2,1 GW de capacidade, representa um dos maiores investimentos em infraestrutura energética de Angola. A experiência brasileira em grandes projetos hidrelétricos pode contribuir significativamente para o desenvolvimento do potencial hidrelétrico angolano.

4. Biomassa e Biocombustíveis

Brasil é pioneiro mundial na produção de biocombustíveis, especialmente etanol de cana-de-açúcar. Esta experiência é fundamental para Angola, que busca diversificar sua matriz energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O acordo entre Sonangol e Petrobras inclui especificamente a cooperação em biocombustíveis, aproveitando a experiência brasileira neste setor.

A biomassa representa uma fonte importante na matriz energética brasileira, contribuindo para a diversificação das fontes renováveis. Angola possui potencial significativo para biomassa, especialmente considerando seus recursos florestais e agrícolas.

Setor Brasil Angola
Etanol Líder mundial Potencial desenvolvimento
Biomassa Floresta Significativo Alto potencial
Biogás Em crescimento Oportunidade
Tecnologia Avançada Transferência necessária

O acordo assinado para fortalecer a agricultura familiar no sul de Angola também contribui para o desenvolvimento do setor de biomassa, através do fortalecimento das instituições de pesquisa agrícola e florestal.

5. Cooperação Tecnológica

A cooperação tecnológica representa um dos pilares fundamentais da parceria Brasil-Angola em energias renováveis. O memorando assinado entre Sonangol e Petrobras estabelece diretrizes para pesquisa, desenvolvimento e inovação, principalmente nas áreas de energia renovável, tecnologia e capacitação.

Brasil possui expertise técnica consolidada em diversas tecnologias renováveis, enquanto Angola oferece oportunidades de mercado e recursos naturais abundantes. Esta complementaridade permite uma cooperação mutuamente benéfica.

Área Tecnológica Contribuição do Brasil Benefício para Angola
Energia Solar Módulos bifaciais, inversores Transferência de tecnologia
Energia Eólica Turbinas, manutenção Desenvolvimento de capacidade
Hidrelétrica Engenharia, construção Projetos de grande escala
Biocombustíveis Produção, refino Diversificação energética

A parceria tecnológica também inclui programas de capacitação e treinamento, permitindo o desenvolvimento de recursos humanos especializados em Angola.

6. Armazenamento de Energia

O armazenamento de energia representa uma fronteira tecnológica crucial para a integração de fontes renováveis intermitentes. Brasil tem investido significativamente em sistemas de armazenamento, especialmente baterias de íons de lítio para complementar a geração solar e eólica.

Angola está desenvolvendo projetos que incluem sistemas de armazenamento, como a eletrificação de 61 comunidades através de sistemas híbridos fotovoltaicos com armazenamento em baterias de íons de lítio. O país também planeja construir uma usina fotovoltaica de 90 MWp em Cabinda com sistema de armazenamento de 25 MWp.

Tecnologia Brasil Angola
Baterias Li-ion Em expansão Projetos piloto
Sistemas Híbridos Tecnologia desenvolvida 61 comunidades
Armazenamento Grid Crescimento 287 MWh planejado
Capacidade Expandindo 25 MWp (Cabinda)

7. Financiamento e Investimento

O financiamento representa um desafio crucial para o desenvolvimento de projetos de energia renovável. Brasil tem experiência consolidada em estruturação financeira de projetos renováveis, enquanto Angola necessita de aproximadamente US$ 23,3 bilhões para atingir sua meta de 70% de energia renovável até 2025.

A cooperação bilateral pode facilitar o acesso a financiamento internacional e promover investimentos conjuntos. O Brasil planeja investir cerca de US$ 515 bilhões para garantir a próxima expansão em energia renovável nos próximos dez anos.

Aspecto Financeiro Brasil Angola
Investimento Planejado US$ 515 bilhões (10 anos) US$ 23,3 bilhões (meta 2025)
Fontes de Financiamento BNDES, bancos privados Financiamento externo necessário
Experiência Consolidada Em desenvolvimento
Parcerias Público-privadas estabelecidas Primeira PPP em andamento

Benefícios Mútuos da Cooperação

A cooperação energética entre Brasil e Angola gera benefícios substanciais para ambos os países. Para o Brasil, representa acesso a novos mercados para suas empresas de energia, podendo levar ao aumento das exportações e receitas. A participação em joint ventures e intercâmbios tecnológicos permite que as empresas brasileiras ganhem expertise valiosa e inovações que aumentam sua competitividade global.

Angola beneficia-se significativamente desta cooperação em termos ambientais. Investir em projetos de energia renovável permite reduzir a dependência de combustíveis fósseis, frequentemente associados a altos níveis de poluição e degradação ambiental. A transição para fontes de energia limpa ajuda a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, preservar ecossistemas locais e melhorar a qualidade do ar.

Desafios e Oportunidades

Apesar do imenso potencial, existem desafios significativos a serem superados. Angola possui taxa de eletrificação de apenas 43% nas cidades e menos de 10% nas áreas rurais. A infraestrutura de transmissão do país é composta por três sistemas de rede principais separados (norte, central e sul), além de redes isoladas no leste.

Brasil, por sua vez, enfrenta o desafio de diversificar ainda mais sua matriz energética para reduzir a dependência da energia hidrelétrica, especialmente considerando crises hídricas recentes e mudanças climáticas. A cooperação com Angola oferece oportunidades para testar e implementar soluções inovadoras em diferentes contextos geográficos e climáticos.

Conclusão

A cooperação entre Brasil e Angola nos sete setores de energia renovável representa uma oportunidade histórica para acelerar a transição energética em ambos os países. A experiência brasileira em tecnologias renováveis, combinada com o imenso potencial natural de Angola, cria uma sinergia única que pode beneficiar não apenas os dois países, mas toda a região lusófona.

Os acordos assinados em 2025 estabelecem uma base sólida para esta cooperação, mas o sucesso dependerá da implementação efetiva dos projetos e do desenvolvimento contínuo das capacidades técnicas e institucionais. A energia solar, eólica, hidrelétrica, biomassa, cooperação tecnológica, armazenamento de energia e financiamento representam pilares fundamentais desta parceria estratégica.