Econômico

12 Economia Circular e Reciclagem Avançada em Portugal em 2026

Portugal atravessa em 2026 um momento histórico na sua gestão ambiental. A transição de um modelo económico linear — extrair, fabricar, usar e deitar fora — para uma economia circular deixou de ser apenas um desejo e tornou-se uma obrigação legal e económica. Com a entrada em vigor de novos regulamentos europeus e o arranque de sistemas inovadores de recolha, o país está a transformar resíduos em recursos valiosos.

Neste artigo, vamos explorar como a reciclagem avançada e as novas políticas públicas estão a moldar o futuro sustentável de Portugal.

O Que é a Economia Circular em 2026?

A economia circular baseia-se na ideia de manter os materiais no ciclo económico pelo maior tempo possível. Em 2026, Portugal foca-se em quatro pilares principais: redução, reutilização, reparação e reciclagem. O objetivo é que o valor dos produtos não se perca quando chegam ao fim da sua “vida útil”.

Resumo das Estratégias Circulares

Estratégia Objetivo Principal Impacto em 2026
Ecodesign Criar produtos fáceis de reparar e reciclar. Redução de 20% no desperdício têxtil.
SDR (Depósito) Devolver garrafas e latas por dinheiro. Meta de 90% de recolha de bebidas.
Reciclagem Química Decompor plásticos complexos. Valorização de plásticos não mecânicos.

O Grande Marco de 2026: O Sistema de Depósito e Retorno (SDR)

A partir de fevereiro de 2026, os consumidores portugueses vivem uma mudança radical no seu dia a dia. O Sistema de Depósito e Retorno (SDR) para embalagens de bebidas torna-se obrigatório. Agora, ao comprar uma garrafa de plástico ou uma lata de metal, o consumidor paga um pequeno depósito (cerca de 10 cêntimos) que lhe é devolvido quando entrega a embalagem vazia numa máquina de recolha automática.

Como Funciona o SDR?

  1. Compra: O cliente paga o valor da bebida + depósito.
  2. Consumo: A embalagem deve ser mantida intacta, com o código de barras visível.
  3. Devolução: A embalagem é colocada numa máquina (RVM) em supermercados.
  4. Reembolso: O valor é devolvido em talão de compras ou dinheiro digital.

Reciclagem Avançada: Além do Ecoponto Amarelo

A reciclagem mecânica tradicional (triturar e derreter) tem limites. Muitos plásticos contaminados ou multicamada acabavam em aterros. Em 2026, Portugal investe pesadamente na reciclagem avançada, que inclui processos químicos e biológicos.

Tecnologias de Ponta em Solo Nacional

  • Pirólise e Despolimerização: Transformam plásticos usados em óleos que podem voltar a ser matéria-prima para novos plásticos virgens.
  • Inteligência Artificial na Triagem: As centrais de tratamento da EGF e outras entidades usam agora sensores óticos de alta precisão para separar materiais por tipo de polímero e cor com 99% de eficácia.

Comparativo: Reciclagem Mecânica vs. Avançada

Característica Reciclagem Mecânica Reciclagem Avançada (Química)
Material Plásticos limpos (PET, PEAD). Plásticos mistos e contaminados.
Qualidade Final Degrada-se após vários ciclos. Mantém a qualidade de plástico virgem.
Custo Mais baixo. Mais elevado (em fase de escala).

Metas de Reciclagem para 2026 e Além

Portugal tem compromissos rigorosos com a União Europeia. O Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU 2030) define o caminho.

  1. Redução em Aterro: Até 2035, apenas 10% dos resíduos podem ir para aterro. Em 2026, o foco está em reduzir drasticamente esta percentagem.
  2. Reciclagem de Embalagens: A meta para 2025/2026 é atingir 65% de reciclagem global de todas as embalagens no mercado.
  3. Biorresíduos: A recolha seletiva de resíduos orgânicos (restos de comida) é agora obrigatória em todos os municípios.

O Papel das Empresas e o Pacto Português para os Plásticos

Mais de 100 empresas em Portugal assinaram o Pacto Português para os Plásticos. Em 2026, estas empresas estão a:

  • Eliminar plásticos de uso único desnecessários.
  • Garantir que 100% das suas embalagens são reutilizáveis ou recicláveis.
  • Incorporar, em média, 30% de plástico reciclado em novas embalagens.

Desafios e Oportunidades no Setor

Apesar do progresso, Portugal enfrenta o desafio da “consciência cívica”. A reciclagem de vidro, por exemplo, estagnou em anos anteriores e exige um esforço renovado em 2026. Por outro lado, a economia circular está a criar milhares de empregos verdes em áreas como a reparação de eletrodomésticos, design de produto e gestão de resíduos industriais.

Setores Chave para a Circularidade

  • Têxtil: Novo sistema de recolha obrigatória de roupa usada.
  • Construção: Reutilização de resíduos de demolição (RCD) em novas obras públicas.
  • Eletrónicos: Incentivos ao “Direito à Reparação” para evitar o lixo eletrónico.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que muda nas garrafas de plástico em 2026?

As garrafas passam a ter um valor de depósito. Ao devolvê-las no sistema SDR, recebe dinheiro de volta. Além disso, as tampas devem estar obrigatoriamente presas à garrafa para evitar a sua perda no ambiente.

2. Onde posso entregar os meus resíduos orgânicos?

A maioria dos municípios portugueses já disponibiliza contentores castanhos ou sistemas de compostagem doméstica. Verifique com a sua câmara municipal o calendário de recolha.

3. A reciclagem química é segura para o ambiente?

Sim, é um processo controlado que complementa a reciclagem mecânica. Embora gaste mais energia, evita que plásticos complexos sejam queimados ou acabem nos oceanos.

4. Portugal vai conseguir cumprir as metas da UE?

O caminho é desafiante, especialmente no vidro e nos resíduos urbanos totais, mas os investimentos do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) em 2025 e 2026 estão a acelerar os resultados.

Considerações Finais

A Economia Circular e Reciclagem Avançada em Portugal em 2026 representa mais do que uma mudança de hábitos; é uma reconstrução do nosso sistema produtivo. Ao adotar o sistema de depósito, investir em tecnologia de ponta e promover a reparação, Portugal está a posicionar-se como um líder europeu na sustentabilidade. O sucesso desta jornada depende da colaboração entre o Governo, as empresas e, crucialmente, cada cidadão.