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7 Joint Ventures Ligando Macau e a África Portuguesa

Macau é uma pequena região da China com um papel muito importante. Esta antiga colônia portuguesa serve hoje como ponte entre a China e os países africanos de língua portuguesa. As joint ventures são parcerias entre empresas que juntam recursos e conhecimento para criar novos negócios.

Nos últimos anos, muitas empresas de Macau criaram parcerias com empresas da África portuguesa. Estas parcerias incluem países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. O Fórum de Macau foi criado em 2003 para promover estas relações comerciais.

A China tornou-se o maior parceiro comercial da África subsaariana. O comércio total chegou a 282 mil milhões de dólares em 2023. Macau usa a sua posição especial para facilitar estas relações. A região tem leis próprias, fala português e chinês, e conhece bem ambas as culturas.

Este artigo apresenta sete joint ventures importantes que ligam Macau aos países africanos de língua portuguesa. Cada parceria mostra como as empresas podem trabalhar juntas para criar valor e desenvolvimento económico.

1. CESL Asia – Plataforma Agrícola para a China e África

A CESL Asia é uma empresa de Macau que fez investimentos importantes em Portugal. Esta empresa comprou a Monte do Pasto, uma das maiores explorações agro-pecuárias de Portugal. O investimento foi de cerca de 200 milhões de patacas (29 milhões de dólares).

Objetivos da Parceria

Aspecto Descrição
Investimento Total 200 milhões de patacas (US$ 29 milhões)
Localização Sul de Portugal
Objetivo Principal Exportar produtos portugueses para Macau e China
Foco Africano Plataforma para cooperação com países lusófonos

A CESL Asia quer usar Portugal como base para expandir negócios para os países africanos de língua portuguesa. A empresa acredita que pode juntar o conhecimento português com as ligações de Macau à China.

Impacto Económico

Esta joint venture cria uma plataforma interessante. Portugal tem empresas que competem com as melhores do mundo em setores como azeite, cortiça e produtos agrícolas. A CESL Asia pode levar estes produtos para o mercado chinês e africano através de Macau.

A empresa também vê Macau como base operacional para negócios de energia renovável. Isto mostra como uma joint venture pode crescer para diferentes setores da economia.

2. Zambecorp – Desenvolvimento do Vale do Zambeze

A Zambecorp nasceu de uma parceria entre a Geocapital de Macau e empresas moçambicanas. Esta joint venture foi criada em 2005 com foco no desenvolvimento do Vale do Zambeze em Moçambique.

Estrutura da Parceria

Empresa Origem Papel
Geocapital Macau (liderada por Stanley Ho) Investidor principal
SOGIR Moçambique Parceiro local
Mozacapital Moçambique Banco de investimento

A Zambecorp tem como objetivo explorar os recursos naturais da região do rio Zambeze. Esta área inclui a barragem de Cahora Bassa, uma das maiores fontes de energia de África.

Áreas de Investimento

A joint venture foca em várias áreas importantes:

  • Energia hidroeléctrica e térmica.
  • Exploração de carvão e gás.
  • Agro-indústria.
  • Transporte ferroviário e portos.
  • Minerais ferrosos e não ferrosos.
  • Imobiliário e turismo.

Esta parceria mostra como Macau pode juntar capital chinês com oportunidades africanas. O Vale do Zambeze tem mais de três milhões de hectares de terra irrigável.

3. Macau Legend – Complexo Turístico em Cabo Verde

A Macau Legend, liderada pelo empresário David Chow, está a construir um grande complexo turístico em Cabo Verde. Este projeto representa um investimento de 275 milhões de dólares na capital Praia.

Detalhes do Projeto

Característica Especificação
Investimento Total US$ 275 milhões
Área Total 152.700 metros quadrados
Localização Praia, Cabo Verde
Componentes Resort, cassino, edifícios comerciais, museu
Público-Alvo Turistas europeus, africanos e chineses

Estratégia de Mercado

O complexo não é destinado aos residentes locais de Cabo Verde. O objetivo é atrair turistas de três continentes diferentes. Esta estratégia mostra como Macau usa a sua experiência em jogos e turismo para criar pontes entre mercados.

A construção inclui terra recuperada do mar. Esta técnica é comum em Macau, onde muito desenvolvimento acontece em áreas ganhas ao oceano. A experiência de Macau em construção marítima é muito valiosa para projetos africanos.

Impacto Regional

Este projeto pode transformar Cabo Verde num hub turístico do Atlântico. A localização estratégica do país permite acesso fácil desde a Europa, África e América. Macau está a usar o seu conhecimento em hospitalidade para criar novas oportunidades.

4. Super Bock – Expansão na China com Ligações Africanas

A Super Bock, famosa cervejeira portuguesa, criou uma joint venture na China através de Macau. A empresa tem 20% da Sociedade Bebidas de Macau, que detém 100% da Xiamen Bock Brand Operation.

Estrutura Empresarial

Nível Empresa Participação
1º Nível Super Bock 20% na Sociedade Bebidas de Macau
2º Nível Sociedade Bebidas de Macau 100% da Xiamen Bock Brand Operation
Mercado China Foco principal
Estratégia Africana Angola Operações suspensas, foco redirecionado

Mudança de Estratégia

A Super Bock tinha planos para uma fábrica em Angola, mas suspendeu o projeto. As vendas em Angola tornaram-se “residuais” devido a mudanças no mercado. A empresa redirecionou os investimentos para a China através de Macau.

Esta joint venture mostra como as empresas podem usar Macau para entrar no mercado chinês. A experiência também pode ser aplicada a futuros projetos em outros países africanos de língua portuguesa.

Lições Aprendidas

A experiência da Super Bock ensina várias lições importantes:

  • Mercados africanos podem ser voláteis.
  • Macau oferece uma plataforma mais estável para expansão.
  • Joint ventures permitem partilhar riscos.
  • Diversificação geográfica é importante.

5. Luckyman Angola – Agricultura Sustentável

A Luckyman Angola Desenvolvimento Lda é uma joint venture sino-angolana focada na agricultura. Esta parceria trabalha com uma empresa estatal angolana para cultivar arroz em cerca de 10.000 hectares.

Detalhes da Operação

Aspecto Especificação
Área de Cultivo 10.000 hectares
Produção Anual 60.000 toneladas de arroz
Objetivo Reduzir dependência de importações
Benefício Estabilizar preços do arroz
Parceiro Local Empresa estatal angolana

Impacto Social

O projeto tem objetivos importantes para Angola. O país importa muito arroz, o que torna os preços instáveis. A produção local pode resolver este problema e criar empregos na agricultura.

O executivo da Luckyman, Paulo Xiong, disse que a empresa quer desenvolver a agricultura em Angola. O objetivo é tornar o país auto-suficiente em cereais.

Modelo de Negócio

Esta joint venture mostra um modelo interessante:

  • Tecnologia e conhecimento chinês.
  • Terra e mão-de-obra angolana.
  • Produto para o mercado local.
  • Benefícios para ambos os parceiros.

6. China Petroleum Engineering e ENH Logistics

Uma importante joint venture foi criada entre a China Petroleum Engineering and Construction Corp (CPECC) e a ENH Logistics de Moçambique. Esta é a primeira joint venture entre empresas estatais chinesas e moçambicanas.

Áreas de Atuação

Serviço Descrição
Refinação Projetos de refinamento de petróleo
Produtos Químicos Desenvolvimento de produtos petroquímicos
Pesquisa Estudos de viabilidade
Engenharia Design e construção
Armazenamento Sistemas de armazenamento
Pipelines Redes de transporte de longa distância

Objetivos Estratégicos

Hou Haojie, director-geral da CPECC, disse que a empresa vai trazer “pessoal, técnicas e experiência de gestão mais avançados” para Moçambique. Eduardo Naiene, presidente da ENH Logistics, chamou a joint venture de “novo marco para o desenvolvimento energético em Moçambique”.

Projetos Futuros

A nova empresa vai explorar a construção de vários projetos de petróleo e gás nas bacias moçambicanas. Isto inclui tanto projetos upstream (exploração) como downstream (refinamento e distribuição).

7. Parceria Jurídica Rato, Ling, Lei & Cortés – Miranda & Associados

Uma joint venture importante no setor dos serviços jurídicos foi criada entre o escritório de advogados Rato, Ling, Lei & Cortés de Macau e Miranda & Associados de Portugal.

Estrutura da Parceria

Aspecto Detalhes
Escritório de Macau Rato, Ling, Lei & Cortés (Lektou)
Escritório Português Miranda & Associados
Rede Miranda Alliance (16 jurisdições)
Responsabilidade Lektou assume região da Grande China
Foco Ligação China – África Portuguesa

Objetivos da Colaboração

Diogo Xavier da Cunha, presidente da Miranda & Associados, explicou que a parceria vai “reforçar o apoio jurídico a novas oportunidades de investimento entre Portugal, Países Africanos de Língua Portuguesa e a China”.

Pedro Cortés, sócio gestor da Lektou, disse que o acordo vai “contribuir para a concretização do papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Serviços Oferecidos

Esta joint venture oferece vários serviços importantes:

  • Consultoria jurídica para investimentos transnacionais.
  • Estruturação de negócios entre China e África.
  • Compliance regulatório em múltiplas jurisdições.
  • Resolução de disputas comerciais internacionais.

O Papel do Fórum de Macau

O Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa tem um papel central nestas joint ventures. Criado em 2003, o fórum inclui Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial.

Instrumentos Financeiros

Instrumento Valor Objetivo
Fundo de Cooperação China-PALOP 527 milhões de euros 11 projetos já financiados
Linhas de Crédito 267 milhões de euros Infraestruturas e industrialização
Perdão de Dívidas 70 milhões de euros Dívidas vencidas até 2019

O Fundo de Cooperação já investiu 527 milhões de euros em projetos em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Macau. Os setores incluem infraestruturas, energias renováveis, agricultura e finanças.

Apoio Institucional

O governo de Macau promove activamente estas parcerias. Sam Hou Fai, líder do governo de Macau, defendeu “mais cooperação entre empresas locais e de países de língua portuguesa”. O objetivo é “melhorar os mecanismos de intercâmbio e cooperação” entre Macau e os mercados lusófonos.

Tendências e Oportunidades Futuras

As joint ventures entre Macau e a África portuguesa estão a evoluir rapidamente. Várias tendências importantes estão a emergir:

Diversificação Económica

Macau quer reduzir a dependência do turismo e jogos. As parcerias com África oferecem oportunidades de diversificação em setores como:

  • Agricultura e agro-indústria.
  • Energia renovável.
  • Tecnologia e telecomunicações.
  • Serviços financeiros.
  • Comércio internacional.

Área de Livre Comércio Continental Africana

A AfCFTA (African Continental Free Trade Area) cria um mercado unificado africano. Isto oferece às empresas chinesas e de Macau acesso a um mercado maior. As joint ventures podem aproveitar esta oportunidade para expandir operações.

Setor Privado

O setor privado chinês está a liderar o comércio e investimento com África. Macau pode servir como centro de coordenação para estes investimentos privados, especialmente em países de língua portuguesa.

Desafios e Considerações

Apesar das oportunidades, existem desafios importantes:

Sustentabilidade

Os projetos devem ser estruturados para criar valor a longo prazo. A sustentabilidade ambiental e social é crucial para o sucesso das joint ventures.

Capacidade Local

Alguns países africanos dependem muito de ajuda externa e remessas. As joint ventures devem considerar a capacidade de compra local e criar benefícios para as comunidades africanas.

Gestão de Risco

Os mercados africanos podem ser voláteis. As empresas precisam de estratégias para gerir riscos políticos, económicos e cambiais.

Transferência de Conhecimento

As parcerias devem incluir transferência real de tecnologia e conhecimento. Isto garante benefícios mútuos e desenvolvimento sustentável.

Conclusão

As sete joint ventures apresentadas mostram o potencial das parcerias entre Macau e a África portuguesa. Desde agricultura em Angola até turismo em Cabo Verde, estas colaborações criam valor para todos os envolvidos.

Macau tem vantagens únicas como ponte entre culturas. A região combina conhecimento chinês com herança portuguesa. Isto facilita negócios com os países africanos de língua portuguesa.

O sucesso futuro depende de vários fatores. As empresas devem respeitar as culturas locais e promover desenvolvimento sustentável. As joint ventures devem criar benefícios reais para as comunidades africanas.