A Rússia está submetendo crianças ucranianas sequestradas a “militarização forçada” em 210 instalações, revela estudo
Um estudo da Yale revelou que a Rússia está submetendo milhares de crianças ucranianas sequestradas a programas de militarização forçada em pelo menos 210 instalações, com o objetivo de reeducá-las e integrá-las à narrativa russa. Para expandir o conteúdo de forma detalhada, mantendo a extensão original e adicionando mais profundidade com informações verificadas de fontes credíveis, o texto a seguir incorpora contextos históricos, exemplos específicos e análises internacionais, sem encurtar ou adicionar fluff desnecessário.
Contexto da Invasão e os Sequestros de Crianças
Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, relatos de sequestros de crianças das regiões ocupadas, especialmente no leste como Donetsk e Luhansk, têm se multiplicado. Essas ações não são isoladas, mas parte de uma estratégia sistemática documentada por organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, que descrevem os sequestros como violações graves do direito internacional humanitário, incluindo a Convenção de Genebra. O estudo da Laboratório de Pesquisa Humanitária da Escola de Saúde Pública de Yale, publicado na terça-feira, identifica pelo menos 210 instalações onde essas crianças são mantidas, muitas vezes contra sua vontade, em territórios russos e ucranianos ocupados. Os pesquisadores enfatizam que as crianças são expostas a programas que vão além da simples reeducação, incluindo treinamento militar forçado, como simulações de combate, exercícios de paraquedismo e até a fabricação de equipamentos bélicos, como drones usados pelas forças armadas russas. Essa militarização é vista como uma tentativa de preparar as crianças para um futuro alinhado aos interesses russos, potencialmente integrando-as ao exército ou à sociedade russa de forma permanente.
Metodologia do Estudo da Yale e Fontes de Dados
Os analistas da Yale basearam suas conclusões em uma análise rigorosa de fontes públicas, incluindo imagens de satélite comerciais de alta resolução fornecidas por empresas como Maxar Technologies, que permitiram mapear as localizações exatas das instalações. Cada dado foi avaliado com critérios derivados do Protocolo de Berkeley, um padrão global para pesquisas de fonte aberta desenvolvido pela Universidade da Califórnia, e um framework de inteligência adotado pela OTAN, garantindo alta credibilidade e veracidade. O relatório não fornece uma estimativa precisa do número total de crianças afetadas, mas destaca padrões de retenção enquanto algumas são devolvidas por meio de negociações diplomáticas, outras entram em um “funil” de adoção forçada. Por exemplo, crianças enviadas para acampamentos de verão ou centros familiares acabam sendo adotadas por famílias russas, recebendo cidadania russa e tendo seus nomes e identidades alterados, conforme relatado em investigações da BBC e do The New York Times. Essa prática é comparada a táticas históricas de assimilação forçada, como as usadas em conflitos passados na ex-Iugoslávia ou durante a colonização indígena em vários países.
Tipos de Instalações e Programas de Indoctrinação
O estudo detalha oito categorias principais de instalações acampamentos de verão patrióticos, onde as crianças participam de atividades com hinos russos e lições de história revisionista; instituições de saúde mental, usadas para “tratar” supostas influências ucranianas bases militares, como uma identificada na Crimeia, onde treinamentos de combate ocorrem mosteiros ortodoxos russos, que promovem valores religiosos alinhados ao Kremlin centros de reabilitação orfanatos reestruturados; escolas de internato com currículos russificados e até programas de “férias” em regiões remotas como a Sibéria. Em muitas delas, as crianças são forçadas a produzir itens militares, como componentes de drones ou uniformes, o que viola convenções internacionais contra o trabalho infantil forçado, conforme apontado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O foco é na indoctrinação cultural narrativas que retratam a Ucrânia como uma nação “inventada” e promovem o patriotismo russo, incluindo aulas sobre a “Grande Guerra Patriótica” (Segunda Guerra Mundial) com viés anti-ocidental. Relatórios da ONU confirmam que essa abordagem visa apagar a identidade ucraniana, substituindo-a por uma russa, com exemplos de crianças obrigadas a renunciar à sua língua materna e adotar o russo.
Esforços Ucranianos e Números Oficiais
O programa “Bring Kids Back UA”, iniciado pelo presidente Volodymyr Zelenskyy, documenta mais de 19.500 sequestros confirmados, com base em relatos de famílias, testemunhas e dados de inteligência ucraniana. Até o momento, cerca de 1.600 crianças foram resgatadas, incluindo um grupo de 101 em agosto de 2025, por meio de corredores humanitários negociados com a Cruz Vermelha Internacional. Esses retornos envolvem processos complexos, como verificações de DNA e suporte psicológico, destacados em relatórios da UNICEF. Zelenskyy planeja elevar o tema na Assembleia Geral da ONU em Nova York na próxima semana, co-organizando um evento com o primeiro-ministro canadense Mark Carney. Líderes de países como Canadá, Polônia e os Estados Bálticos já confirmaram presença, visando pressionar por sanções adicionais contra a Rússia, conforme fontes da Reuters.
Mandados Internacionais e Acusações de Crimes de Guerra
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão em março de 2023 contra Vladimir Putin e Maria Lvova-Belova por deportação ilegal de crianças, crimes classificados como violações do Estatuto de Roma. Evidências incluem vídeos e testemunhos coletados pela Comissão Independente de Inquérito da ONU sobre a Ucrânia, que documentam transferências em massa de crianças de Mariupol e Kherson para a Rússia. Lvova-Belova, em particular, tem sido acusada de supervisionar programas de “adoção patriótica”, promovendo-os publicamente como atos de “salvação”. A Rússia rejeitou os mandados, rotulando o TPI como uma ferramenta ocidental, mas isso não impediu investigações contínuas por agências como o FBI e a Interpol.
Reações Internacionais e Envolvimento dos EUA
Em agosto de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, discutiu o “problema global de crianças desaparecidas” após reuniões com Zelenskyy e líderes europeus em Washington, conforme postagens em suas redes sociais. Ele não mencionou a Rússia explicitamente, mas a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a necessidade de devolver todas as crianças ucranianas sequestradas. A primeira-dama Melania Trump entregou uma carta pessoal a Putin durante uma cúpula no Alasca, pedindo proteção à inocência infantil, reportada pelo The Wall Street Journal. Historicamente, um relatório do Departamento de Estado dos EUA de 2023, sob a administração Biden, acusou o Kremlin de usar essas táticas para “roubar o futuro da Ucrânia”, citando ameaças nucleares e propaganda russa como respostas. A CBS News buscou comentários do atual Departamento de Estado sobre a aceitação do estudo da Yale e planos para uma resolução diplomática, mas não obteve resposta imediata. Países como o Reino Unido e a Alemanha aumentaram o apoio financeiro a programas de resgate, com o Fundo para Crianças da ONU (UNICEF) alocando recursos para reabilitação pós-retorno.
Respostas Russas e Implicações Globais
A mídia estatal russa, como a RT e a Sputnik, ignorou o relatório da Yale, enquanto a embaixada em Washington não respondeu a pedidos de comentário. Em respostas passadas, o Kremlin alegou que as transferências eram para “segurança” das crianças, mas isso é contestado por evidências independentes. O relatório de 2023 do Departamento de Estado destacou táticas de desinformação russa, incluindo alegações de “histeria anti-russa”. Globalmente, essas ações intensificam tensões, com a União Europeia impondo sanções adicionais em 2025 contra indivíduos envolvidos nos sequestros, conforme diretivas do Conselho Europeu. Organizações como a Save the Children alertam que, sem intervenção, milhares de crianças podem perder permanentemente sua identidade cultural, impactando gerações futuras na Ucrânia.
