18. Fornecimento de Mineração e Minerais Críticos em Angola em 2026
O ano de 2026 promete ser um divisor de águas para a economia de Angola. Durante décadas, o país foi conhecido quase exclusivamente como um gigante do petróleo. No entanto, o cenário global está a mudar rapidamente. O mundo tem “fome” de novas tecnologias, baterias elétricas e energias limpas. E para alimentar essa fome, são necessários minerais críticos — recursos que Angola possui em abundância e que, finalmente, estão a ganhar o destaque que merecem.
Se você acompanha o mercado ou simplesmente se interessa pelo futuro de África, precisa de olhar para Angola agora. O país não está apenas a abrir minas; está a construir corredores logísticos que ligam oceanos e a reformar leis para atrair os maiores investidores do planeta. Vamos mergulhar no que esperar do fornecimento de mineração e minerais críticos em Angola em 2026.
O Corredor do Lobito: A Espinha Dorsal de 2026
Talvez o projeto mais falado e transformador seja o Corredor do Lobito. Não se trata apenas de uma linha férrea; é uma nova rota comercial global. Apoiado por investimentos massivos dos Estados Unidos e da União Europeia, este corredor liga as ricas minas da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia ao porto do Lobito, na costa atlântica de Angola.
Por que isso é importante para 2026? Porque é neste ano que se espera ver uma aceleração real no transporte de cobre, cobalto e outros metais essenciais para o Ocidente. Em vez de demorar semanas para transportar minério por estrada até portos distantes na África do Sul ou Tanzânia, o comboio do Lobito faz o trajeto em dias.
Impacto Esperado do Corredor do Lobito
| Característica | Detalhes do Projeto |
| Rota | Liga a cintura de cobre (RDC/Zâmbia) ao Porto do Lobito (Angola) |
| Investimento | Apoio multibilionário dos EUA e UE (Parceria G7) |
| Vantagem Logística | Reduz o tempo de exportação de ~25 dias para ~8 dias |
| Objetivo 2026 | Aumento do volume de carga e expansão da infraestrutura |
Terras Raras: O Projeto Longonjo e o Interesse Americano
Quando falamos de “tecnologia do futuro”, falamos de ímãs permanentes usados em carros elétricos e turbinas eólicas. E para fazer esses ímãs, precisamos de elementos de terras raras. É aqui que entra o projeto Longonjo, operado pela empresa britânica Pensana.
Para 2026, as expectativas para Longonjo são altíssimas. O projeto visa não apenas extrair, mas processar esses minerais dentro de Angola, algo raro em África. Com o apoio financeiro de fundos soberanos angolanos e investidores internacionais, a mina de Longonjo posiciona-se como uma alternativa estratégica ao domínio da China neste setor. A previsão é que, até 2026, a infraestrutura esteja numa fase avançada para garantir o fornecimento direto a cadeias de suprimentos ocidentais.
Diamantes: Brilho em Meio a Desafios
Os diamantes sempre foram a “joia da coroa” da mineração angolana (depois do petróleo, claro). Para 2026, a estratégia de Angola é ousada. Enquanto outros grandes produtores, como o Botswana, consideram cortar a produção para segurar os preços num mercado saturado, Angola está a apostar no volume.
Novas minas gigantes, como a mina de Luele, estão a aumentar a capacidade do país. O objetivo é claro: tornar-se um dos maiores produtores mundiais em quantidade. Contudo, o desafio para 2026 será equilibrar esse aumento de produção com a queda nos preços globais dos diamantes naturais, causada em parte pela concorrência dos diamantes sintéticos (de laboratório).
Projeções para o Setor de Diamantes
| Indicador | Situação Prevista para 2026 |
| Produção | Tendência de alta (impulsionada por Luele e Catoca) |
| Estratégia | Foco em volume e ganho de quota de mercado |
| Desafio | Preços internacionais baixos e diamantes sintéticos |
| Meta | Ultrapassar os 14-15 milhões de quilates anuais |
Cobre, Lítio e a Diversificação Mineral
Além dos diamantes e terras raras, 2026 verá um “boom” na prospeção de outros metais. O cobre, essencial para a eletrificação mundial, tem atraído gigantes da mineração para as províncias do Moxico e Cuando Cubango. A ideia é replicar o sucesso da vizinha Zâmbia, explorando a mesma formação geológica rica em minerais.
O lítio, o “ouro branco” das baterias, também está no radar. Regiões desérticas do sul de Angola, como o Namibe, estão a ser mapeadas por empresas australianas e chinesas. Embora 2026 possa ser cedo para uma produção massiva de lítio, será um ano crucial para confirmar reservas e iniciar projetos piloto.
O Clima Económico e Regulatório em 2026
Para que tudo isto funcione, o ambiente de negócios precisa de ajudar. As previsões económicas para Angola em 2026 são cautelosamente otimistas. Espera-se que a inflação continue a sua trajetória de descida e que o PIB cresça, impulsionado não só pelo petróleo, mas por este novo setor mineiro vibrante.
O governo angolano tem trabalhado para cortar a burocracia. A promessa é de um sistema mais digital e transparente para a concessão de licenças mineiras. Isso é vital para dar segurança aos investidores estrangeiros que, historicamente, tinham receio de colocar o seu capital no país devido a incertezas legais.
Resumo Económico e Político
| Fator | Previsão para 2026 |
| Crescimento do PIB | Estimado entre 2,5% e 3% (recuperação gradual) |
| Inflação | Tendência de queda, melhorando o poder de compra |
| Burocracia | Foco na digitalização de licenças e transparência |
| Investimento Estrangeiro | Aumento esperado, focado em minerais verdes |
Final Words
Angola está numa encruzilhada histórica. Em 2026, o país deixará de ser visto apenas como um “estado petrolífero” para se tornar um ator central na transição energética global. A combinação única de uma geografia estratégica (Corredor do Lobito) e uma geologia abençoada (terras raras, diamantes, cobre) coloca Angola no mapa dos investidores de Nova Iorque a Pequim.
Claro, os desafios permanecem. A infraestrutura precisa de ser concluída, a burocracia precisa de continuar a diminuir e a economia precisa de se diversificar de facto, e não apenas no papel. Mas se os projetos previstos para 2026 avançarem como planeado, Angola não estará apenas a fornecer minerais ao mundo; estará a construir um futuro mais próspero e sustentável para o seu povo. O mundo está a observar, e Angola está pronta para responder.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Quais são os minerais críticos mais importantes em Angola para 2026?
Os principais são as terras raras (essenciais para ímãs), cobre, lítio, cobalto e níquel. Além destes, os diamantes continuam a ser fundamentais para a economia.
2. O que é o Corredor do Lobito?
É uma linha férrea logística que liga as zonas mineiras da RDC e Zâmbia ao porto do Lobito em Angola, permitindo exportar minérios para o Atlântico de forma muito mais rápida.
3. O projeto de terras raras de Longonjo já está a produzir?
Em 2026, espera-se que o projeto esteja em fase avançada de construção ou início de operações, visando fornecer materiais para a indústria de veículos elétricos.
4. É seguro investir em mineração em Angola?
O ambiente de negócios tem melhorado significativamente, com reformas legais para proteger investidores e aumentar a transparência, além de forte apoio diplomático dos EUA e da UE.
5. O setor de petróleo vai acabar em Angola?
Não. O petróleo continuará a ser a maior fonte de receita por muitos anos, mas a mineração está a crescer para reduzir a dependência excessiva do “ouro negro”.
