10 Sectores Da Mineração E Fornecimento de Minerais Críticos Em Moçambique Em 2026
Moçambique está a posicionar-se como um gigante adormecido no cenário global de recursos minerais. À medida que o mundo avança para 2026, a nação da África Austral não é apenas um ponto no mapa, mas um eixo central na cadeia de abastecimento da transição energética global. Com vastas reservas de minerais críticos — essenciais para baterias de veículos elétricos, energias renováveis e tecnologia de ponta — o sector mineiro moçambicano prepara-se para um ano de definição.
Para investidores, analistas e observadores do mercado, 2026 promete ser um ano de recuperação e expansão estratégica. Desde as minas de grafite em Cabo Delgado até às areias pesadas de Nampula, a indústria extractiva está a evoluir. Este artigo explora profundamente os 10 sectores da mineração e fornecimento de minerais críticos que moldarão a economia de Moçambique no próximo ano, oferecendo dados factuais e uma visão clara do futuro.
1. Grafite: O Combustível das Baterias do Futuro
O grafite é, sem dúvida, a “joia da coroa” da transição energética em Moçambique. O país abriga uma das maiores reservas de grafite natural do mundo, localizada principalmente na província de Cabo Delgado. Em 2026, espera-se que a procura global por ânodos de baterias de ião-lítio impulsione este sector para novos patamares.
A Syrah Resources, que opera a mina de Balama, continua a ser um player dominante. Apesar dos desafios logísticos e de segurança enfrentados nos anos anteriores, as previsões para 2026 indicam uma estabilização da produção e uma extensão crucial do acordo de fornecimento com a Tesla.
Perspectivas para 2026
O foco estará na qualificação do material para mercados ocidentais, reduzindo a dependência do processamento chinês. A capacidade de produção instalada em Balama rondará as 350.000 toneladas por ano (ktpa), solidificando Moçambique como um fornecedor chave fora da China.
| Indicador | Detalhe |
| Principal Operadora | Syrah Resources (Mina de Balama) |
| Aplicação Principal | Baterias de Veículos Elétricos (EVs) |
| Previsão 2026 | Extensão de contratos com a Tesla e aumento da exportação. |
| Desafio Principal | Logística e segurança na região norte. |
2. Rubis: Liderança Global em Gemas de Cor
Moçambique não é apenas rico em minerais industriais; é também o lar dos rubis mais cobiçados do mundo. A mina de Montepuez, operada pela Montepuez Ruby Mining (MRM) — uma parceria entre a Gemfields e a Mwiriti — é responsável por uma fatia significativa da oferta global de rubis de qualidade.
Para 2026, o governo moçambicano e os operadores preveem um aumento de 3% na produção, ultrapassando os 4 milhões de quilates. Este crescimento é impulsionado pela retoma total das operações após a instalação de novas unidades de processamento e pelo reforço da segurança contra a mineração ilegal.
O Mercado de Luxo
Apesar da volatilidade económica global, a procura por pedras preciosas de origem ética e rastreável continua alta. Os leilões de rubis moçambicanos, frequentemente realizados em Singapura ou na Tailândia, deverão ver uma recuperação de preços em 2026.
| Indicador | Detalhe |
| Principal Operadora | Gemfields (MRM) |
| Localização | Montepuez, Cabo Delgado |
| Previsão de Produção 2026 | > 4.000.000 quilates |
| Tendência | Aumento da fiscalização contra o garimpo ilegal. |
3. Areias Pesadas: Titânio e Zircão
As areias pesadas são um dos pilares mais estáveis da economia mineira de Moçambique. Minerais como ilmenite (fonte de titânio), rutilo e zircão são extraídos abundantemente ao longo da costa, com destaque para a mina de Moma, operada pela Kenmare Resources.
Em 2026, a Kenmare deverá colher os frutos dos seus investimentos de capital (CAPEX) realizados em 2024 e 2025 para a transição para a zona de minério de Nataka. Com reservas que garantem mais de 80 anos de vida útil à mina, este sector oferece uma previsibilidade que poucos outros possuem.
Importância Industrial
O titânio é vital para a indústria aeroespacial e de pigmentos, enquanto o zircão é essencial para cerâmicas de alta precisão. A estabilidade de Moçambique neste fornecimento é crítica para a indústria global.
| Indicador | Detalhe |
| Principal Operadora | Kenmare Resources |
| Minerais Chave | Ilmenite, Zircão, Rutilo |
| Estratégia 2026 | Consolidação da exploração na zona de Nataka. |
| Vida Útil da Mina | +80 anos estimados. |
4. Ouro: Um Ano de Recordes
O sector aurífero em Moçambique tem operado historicamente à sombra de outros gigantes, mas isso está a mudar rapidamente. As previsões oficiais indicam que 2026 será um ano de recordes, com a produção de ouro a ultrapassar as 17 toneladas, um aumento de 4% em relação a 2025.
Este “boom” não é acidental. Resulta de um esforço concertado para formalizar a mineração artesanal e atrair investimento estrangeiro para operações industriais nas províncias de Manica, Tete e Cabo Delgado.
Ouro e Reservas Nacionais
O Banco de Moçambique tem incentivado a compra de ouro local para reforçar as reservas internacionais do país, criando um mercado interno robusto que protege os produtores contra flutuações externas extremas.
| Indicador | Detalhe |
| Produção Estimada 2026 | > 17.000 kg (17 toneladas) |
| Províncias Chave | Manica, Tete, Cabo Delgado |
| Fator de Crescimento | Expansão da capacidade produtiva industrial. |
5. Gás Natural (LNG): O Motor da Economia
Embora tecnicamente um hidrocarboneto e não um “mineral sólido”, o Gás Natural Liquefeito (LNG) é frequentemente agrupado no sector extractivo devido ao seu peso económico colossal e à sua geologia. Em 2026, Moçambique consolidar-se-á como um player energético global.
O projeto Coral Sul (FLNG) da Eni já está em plena capacidade, e a expectativa para 2026 gira em torno do avanço do projeto Coral Norte e da retoma total das operações da TotalEnergies em Afungi. O gás moçambicano é visto pela Europa e pela Ásia como uma “energia de transição” vital para substituir o carvão.
Impacto nas Receitas
As receitas do LNG são o motor que financiará infraestruturas para os outros sectores mineiros. A simbiose entre o gás e a mineração (energia barata para processamento) é o grande trunfo para a próxima década.
| Indicador | Detalhe |
| Projetos Principais | Coral Sul (Eni), Mozambique LNG (TotalEnergies) |
| Papel Global | Segurança energética para Europa e Ásia. |
| Status 2026 | Expansão e retoma de construção onshore. |
6. Lítio: A Nova Fronteira de Prospecção
O lítio é o “ouro branco” do século XXI. Embora Moçambique ainda não produza lítio na mesma escala que o Zimbabwe ou a Austrália, 2026 será um ano crucial para a prospecção e desenvolvimento. O país possui pegmatitos ricos em lítio na Zambézia (Alto Ligonha) e em Tete.
A sociedade civil e especialistas do sector têm apelado urgentemente a uma “Estratégia Nacional para Minerais Críticos” para evitar que o lítio seja exportado em bruto, sem valor acrescentado.
O Potencial Inexplorado
Pequenas e médias empresas de mineração (juniors) estão a mapear agressivamente depósitos de espodumena e lepidolite. Em 2026, espera-se a emissão de novas licenças e possivelmente o início de projetos piloto de extração mais estruturados.
| Indicador | Detalhe |
| Estado Atual | Prospecção avançada e desenvolvimento inicial. |
| Regiões Potenciais | Alto Ligonha (Zambézia), Tete. |
| Necessidade 2026 | Criação de quadro legal específico para lítio. |
7. Carvão Mineral: Adaptação e Transição
O carvão de Tete (Moatize) continua a ser uma das maiores exportações de Moçambique. Contudo, o sector enfrenta ventos contrários devido à agenda climática global. Em 2026, o foco desloca-se do carvão térmico (para eletricidade) para o carvão metalúrgico (coking coal), essencial para a produção de aço.
Empresas como a Vulcan Resources (que adquiriu os ativos da Vale) continuam a otimizar a logística através do Corredor de Nacala. A sobrevivência e rentabilidade deste sector em 2026 dependem da eficiência operacional e da procura asiática (Índia e China) por aço.
| Indicador | Detalhe |
| Tipo Principal | Carvão Metalúrgico (Aço) e Térmico. |
| Infraestrutura | Corredor Logístico de Nacala. |
| Desafio 2026 | Pressão global para descarbonização. |
8. Tântalo e Nióbio: Minerais Tecnológicos
Frequentemente esquecidos, o tântalo e o nióbio são vitais para a indústria eletrónica (capacitores de smartphones, laptops). Moçambique possui reservas históricas na Zambézia, muitas vezes associadas à mineração de pegmatitos.
Em 2026, com a recuperação da indústria global de semicondutores e eletrónica de consumo, a procura por “coltan” (columbite-tantalite) ético aumentará. Moçambique tem a oportunidade de certificar a sua produção como “livre de conflitos”, diferenciando-se de outros produtores regionais instáveis.
O Renascimento de Marropino
Minas antigas como a de Marropino podem ver novo interesse ou investimento para reprocessamento de rejeitos e nova exploração, impulsionadas pelos preços internacionais destes metais estratégicos.
| Indicador | Detalhe |
| Uso Principal | Eletrónica (capacitores), ligas especiais. |
| Localização | Província da Zambézia. |
| Tendência 2026 | Certificação ética e rastreabilidade. |
9. Terras Raras: O Futuro Estratégico
Os Elementos de Terras Raras (REE) são essenciais para ímanes permanentes usados em turbinas eólicas e motores de carros elétricos. Moçambique tem demonstrado potencial geológico significativo, embora esteja numa fase mais incipiente que o grafite.
Projetos de exploração em fases iniciais indicam a presença de minerais como monazite e xenotima. Em 2026, o governo moçambicano deverá incluir as terras raras como prioridade na sua revisão da Lei de Minas, atraindo capital de risco para definir o tamanho destas reservas.
| Indicador | Detalhe |
| Importância | Ímanes de alta performance (NdPr). |
| Estado | Investigação geológica. |
| Perspectiva | Alto potencial de valorização a longo prazo. |
10. Materiais de Construção e Minerais Industriais
Por fim, mas vital para a economia interna, está o sector de materiais de construção (mármore, calcário, bentonite e agregados). Com o crescimento do PIB projectado para 3,5% a 4% em 2026 e a construção de infraestruturas de gás e transportes, a procura interna por estes minerais disparará.
O calcário no sul (Maputo) para cimento e a bentonite (Boane) são fundamentais. Além disso, o mármore de Cabo Delgado tem qualidade de exportação, competindo com pedras europeias no mercado internacional.
| Indicador | Detalhe |
| Minerais | Calcário, Bentonite, Mármore, Granito. |
| Driver de Mercado | Construção civil e infraestruturas (LNG). |
| Impacto | Criação de emprego local massivo. |
Desafios e Oportunidades para 2026
Embora o potencial seja imenso, o sector mineiro em Moçambique enfrenta obstáculos reais que devem ser geridos em 2026:
- Segurança em Cabo Delgado: A estabilização total é pré-requisito para o pleno funcionamento das minas de grafite e rubis.
- Quadro Legal: A sociedade civil clama por uma lei específica para “Minerais Críticos” que garanta benefícios às comunidades locais e evite a “maldição dos recursos”.
- Energia: A mineração e processamento exigem energia fiável. A integração de soluções solares nas minas (como já faz a Syrah) será uma tendência crescente.
- Logística: A eficiência dos portos de Nacala, Beira e Maputo determinará a competitividade das exportações.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quais são os minerais mais importantes de Moçambique em 2026?
Os minerais mais críticos e valiosos para a economia em 2026 são o grafite (para baterias), os rubis, as areias pesadas (titânio/zircão), o ouro e o carvão metalúrgico. O gás natural também é fundamental.
Moçambique produz lítio?
Atualmente, Moçambique está na fase de prospecção e identificação de reservas de lítio, principalmente na Zambézia e Tete. Ainda não há produção industrial em grande escala comparável ao grafite, mas o potencial geológico é confirmado.
Quem são as principais empresas mineiras em Moçambique?
As principais empresas incluem a Syrah Resources (grafite), Gemfields/MRM (rubis), Kenmare Resources (areias pesadas) e Vulcan Resources (carvão). No gás, destacam-se a Eni e a TotalEnergies.
O que é a Lei de Minerais Críticos?
É uma legislação ou estratégia proposta pela sociedade civil e especialistas para regular especificamente a extração de minerais essenciais para a transição energética (como grafite e lítio), garantindo que Moçambique capture mais valor através do processamento local em vez de apenas exportar minério bruto.
Palavras Finais
O ano de 2026 perfila-se como um divisor de águas para a indústria extractiva de Moçambique. O país tem nas suas mãos os “blocos de construção” do futuro verde global. Se conseguir aliar a sua riqueza geológica a uma gestão transparente, segurança robusta e políticas que incentivem o processamento local, Moçambique deixará de ser apenas um local de extração para se tornar um parceiro indispensável na economia mundial.
Para o investidor, o momento é de atenção estratégica. Para o povo moçambicano, a esperança é que estes minerais se traduzam, finalmente, em desenvolvimento sustentável e prosperidade tangível. A riqueza está no subsolo; o desafio de 2026 será trazê-la à superfície de forma justa e eficiente.
