14. Fornecimento de Mineração e Minerais Críticos em Angola em 2026
O ano de 2026 marca um ponto de viragem decisivo para a economia de Angola. Conhecida historicamente como uma gigante do petróleo, a nação está a acelerar a sua transformação num centro global de fornecimento de minerais críticos. Com a transição energética mundial a exigir cada vez mais recursos como lítio, cobalto, cobre e elementos de terras raras, Angola posiciona-se estrategicamente para responder a esta procura.
Este artigo explora em profundidade o panorama da mineração em Angola previsto para 2026. Vamos analisar os principais projetos que entram em fases cruciais, as mudanças regulatórias que facilitam o investimento estrangeiro e como infraestruturas vitais, como o Corredor do Lobito, estão a redefinir a logística de exportação em África.
O Novo Paradigma Económico: Diversificação Além do Petróleo
Durante décadas, o “ouro negro” ditou o ritmo do crescimento angolano. No entanto, a volatilidade dos preços do petróleo e a necessidade global de descarbonização criaram uma urgência para a diversificação. O Orçamento Geral do Estado para 2026 já reflete esta realidade, com uma projeção de receitas petrolíferas mais conservadora e uma aposta clara no setor mineiro como novo motor de crescimento.
O governo angolano identificou 36 dos 51 minerais considerados mais críticos a nível mundial no seu território. Esta riqueza geológica não é apenas uma oportunidade; é uma responsabilidade estratégica. Em 2026, a visão deixa de ser apenas sobre prospeção e passa a ser sobre produção e processamento local. A meta é reter mais valor dentro do país, criando empregos e indústrias secundárias, em vez de apenas exportar minério bruto.
Principais Objetivos do Setor para 2026
- Aumento da Produção: Escalar projetos de diamantes e iniciar a produção comercial de minerais de transição energética.
- Melhoria Regulatória: Implementação total do registo mineiro digital para reduzir a burocracia e acelerar licenças.
- Infraestrutura: Consolidação do Corredor do Lobito como a principal artéria de escoamento mineiro da África Central.
- Atração de Investimento: Entrada de novos “players” internacionais, reduzindo a dependência de financiamento estatal.
| Meta Estratégica | Previsão para 2026 | Impacto Esperado |
| Exportação Mineral | Crescimento de 2 dígitos (excl. petróleo) | Maior estabilidade cambial |
| Licenciamento | Digitalização completa | Redução do tempo de espera em 40% |
| Emprego | Aumento na contratação local | Capacitação técnica da força de trabalho |
Diamantes: A Joia da Coroa Renasce
Embora o foco global esteja nos minerais de bateria, os diamantes continuam a ser a espinha dorsal da mineração angolana. O ano de 2026 será fundamental para a consolidação de Angola como um dos maiores produtores mundiais, não apenas em volume, mas em valor.
O Gigante Luele
A mina de Luele, localizada na província da Lunda Sul, é o grande destaque. Inaugurada oficialmente em anos anteriores, é em 2026 que se espera que atinja a sua velocidade de cruzeiro, com projeções de produção a superar os 5 a 8 milhões de quilates anuais. Este projeto não é apenas uma mina; é um complexo industrial que promete duplicar a produção diamantífera do país a médio prazo.
Reforma na ENDIAMA e De Beers
A empresa estatal ENDIAMA continua o seu processo de reestruturação, procurando abrir o seu capital e atrair parceiros privados. Em 2026, a relação com gigantes como a De Beers deverá estar mais aprofundada. Com o regresso da De Beers à exploração em Angola, esperam-se novos dados sobre kimberlitos primários no nordeste do país. A transparência e a adesão às melhores práticas internacionais de ESG (Ambiental, Social e Governança) são agora requisitos obrigatórios para manter estes parceiros.
Nota Importante: A aposta em 2026 também passa pelo corte e polimento doméstico. Novas fábricas de lapidação em Saurimo visam garantir que uma percentagem maior de pedras seja processada em solo angolano, aumentando o valor de exportação.
Terras Raras: O Projeto Longonjo e a Pensana
Se os diamantes são o presente, as terras raras são o futuro. O projeto Longonjo, liderado pela empresa britânica Pensana, coloca Angola no mapa da alta tecnologia. Este empreendimento é vital para a cadeia de fornecimento de ímanes permanentes, essenciais para veículos elétricos e turbinas eólicas.
O Cenário em 2026
Para 2026, o projeto Longonjo entra numa fase crítica. Após o início da construção e financiamento garantido, o foco deste ano será:
- Expansão de Recursos: Início de um grande programa de perfuração para expandir a base de recursos minerais para além das reservas atuais, visando potencialmente uma vida útil da mina muito superior a 20 anos.
- Preparação para Produção: Finalização das infraestruturas de processamento. A meta é que a produção de MREC (Carbonato Misto de Terras Raras) comece em força no início de 2027, fazendo de 2026 o ano chave de instalação industrial e testes.
- Listagem no Nasdaq: A Pensana explora uma listagem na bolsa americana (Nasdaq) no primeiro trimestre de 2026, o que traria uma visibilidade financeira massiva para o potencial mineiro de Angola nos EUA.
O projeto distingue-se por ser uma das poucas fontes significativas de neodímio e praseodímio fora da China, atraindo a atenção de potências ocidentais que procuram diversificar as suas cadeias de abastecimento.
Lítio: A Nova Fronteira em Namibe e Huíla
O “ouro branco”, ou lítio, é essencial para as baterias de iões de lítio. Angola, embora tenha entrado na corrida mais tarde que outros países africanos, está a recuperar o tempo perdido rapidamente.
Tyranna Resources e Sinomine
A australiana Tyranna Resources, em parceria com o gigante chinês Sinomine, está na vanguarda. O ano de 2026 será decisivo para o Projeto de Lítio do Namibe.
- Definição de Recursos: Espera-se que, até 2026, a fase de prospeção tenha evoluído para uma definição clara de reservas comprovadas.
- Investimento: Com o aporte financeiro e a experiência técnica da Sinomine, o projeto deverá avançar para estudos de viabilidade definitivos e, possivelmente, preparação para construção.
- Impacto Regional: A região do Namibe, conhecida pela sua aridez e desafios logísticos, beneficiará de novos investimentos em estradas e energia para suportar a mina.
A presença da Sinomine garante um mercado comprador (offtake), o que reduz significativamente o risco do projeto. Para Angola, isto significa entrar na cadeia de valor das baterias elétricas globais antes do final da década.
Cobre e Manganês: A Base Industrial
Além dos minerais “da moda”, o cobre e o manganês continuam a ser fundamentais.
O Renascimento do Cobre
Com o sucesso estrondoso da mina Kamoa-Kakula na vizinha República Democrática do Congo (RDC), os geólogos acreditam que as formações geológicas ricas em cobre se estendem para o lado angolano, nas províncias do Moxico e Cuando Cubango.
Em 2026, empresas como a Ivanhoe Mines intensificarão as suas campanhas de exploração nestas áreas fronteiriças (“Western Forelands”). Além disso, o projeto Mavoio-Tetelo, promovido pela Shining Star, deverá estar numa fase avançada, contribuindo com milhares de toneladas de cobre para a balança comercial.
Manganês e Processamento
O manganês é crucial para a produção de aço e baterias. A parceria com a ST New Materials para uma fábrica de processamento de manganês prevê operações a partir de 2025. Assim, 2026 será o primeiro ano completo de operação desta unidade, marcando um passo importante na industrialização do país: transformar minério bruto em ligas de maior valor agregado internamente.
| Mineral | Localização Principal | Empresa/Projeto Chave | Status em 2026 |
| Cobre | Moxico / Uíge | Ivanhoe / Shining Star | Exploração Avançada / Produção Inicial |
| Manganês | Cuanza Norte / Malanje | ST New Materials | Processamento Industrial Ativo |
| Ferro | Huíla (Kassinga) | Tosyali | Retoma e Siderurgia |
O Corredor do Lobito: A Artéria Logística
Nenhum projeto mineiro em Angola pode ser discutido sem mencionar o Corredor do Lobito. Em 2026, esta linha ferroviária não será apenas uma promessa, mas uma realidade operacional em expansão.
Com o apoio financeiro e político dos Estados Unidos e da União Europeia, o corredor liga as ricas regiões mineiras do Katanga (RDC) e da Zâmbia ao porto do Lobito, no Atlântico angolano. Para as minas angolanas situadas ao longo deste trajeto (como o projeto de terras raras Longonjo), o corredor oferece uma vantagem competitiva inigualável: custos de transporte mais baixos e rapidez na exportação para os mercados ocidentais.
Em 2026, prevê-se que o volume de carga transportada aumente significativamente, consolidando Angola como um “hub” logístico regional. Isto atrai não só mineradoras, mas também indústrias de apoio, agricultura e serviços ao longo da linha férrea.
Desafios e Oportunidades Legais
Para que todo este potencial se concretize em 2026, o ambiente de negócios deve continuar a evoluir.
Digitalização e Transparência
O Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás tem trabalhado arduamente para reduzir a burocracia. A implementação de um Registo Mineiro Digital visa eliminar a opacidade na atribuição de licenças. Em 2026, espera-se que um investidor possa acompanhar o status do seu pedido de licença online, em tempo real, reduzindo a corrupção e aumentando a confiança.
Estabilidade Fiscal
Os investidores procuram previsibilidade. O Código Mineiro de Angola oferece incentivos fiscais, mas a estabilidade macroeconómica é crucial. Com a inflação a ser um desafio constante, as políticas do Banco Nacional de Angola em 2026 serão vitais para garantir que os custos operacionais das minas não disparem.
Palavras Finais
Ao olharmos para Angola em 2026, vemos um país em plena metamorfose. A imagem de uma nação dependente apenas de poços de petróleo está a desvanecer-se, dando lugar a uma economia mais robusta, alicerçada na diversidade geológica do seu solo.
Não se trata apenas de extrair pedras do chão. Trata-se de integrar Angola na cadeia de fornecimento global do século XXI. Do brilho dos diamantes de Luele ao magnetismo das terras raras de Longonjo e à energia do lítio no Namibe, o país está a construir as bases para um futuro sustentável.
Para o investidor, 2026 apresenta-se como um ano de oportunidades calculadas, onde os “early movers” (aqueles que chegaram primeiro) começarão a colher os frutos, e novos entrantes encontrarão um ambiente de negócios mais maduro e transparente. O caminho é longo, mas a direção está traçada: Angola está pronta para fornecer os minerais que o mundo desesperadamente necessita.
