16 Imobiliário, PropTech e Infraestruturas em Moçambique em 2026
O ano de 2026 promete ser um ponto de viragem decisivo para a economia de Moçambique. Após um período de desafios e reajustes pós-eleitorais, o país prepara-se para entrar numa nova fase de “recuperação gradual”, impulsionada por investimentos estratégicos. Se é investidor, empresário ou apenas alguém atento ao desenvolvimento da África Austral, precisa de olhar com atenção para três pilares fundamentais: o mercado imobiliário, a revolução das PropTech e as grandes obras de infraestruturas.
Neste artigo, vamos explorar como a retoma dos megaprojetos de gás natural e a digitalização estão a transformar a paisagem urbana e logística do país. Com uma previsão de investimento direto estrangeiro recorde e a utilização estratégica do Fundo Soberano, Moçambique posiciona-se como um canteiro de obras e oportunidades. Vamos mergulhar nos detalhes.
O Panorama do Mercado Imobiliário em 2026
O setor imobiliário moçambicano em 2026 não é o mesmo de cinco anos atrás. O mercado está a amadurecer e a diversificar-se. Já não se trata apenas de arrendamentos de luxo para expatriados em Maputo; o foco expandiu-se para a logística e habitação para a classe média emergente.
Habitação e Escritórios: A Nova Dinâmica de Maputo e Matola
A capital, Maputo, e a cidade vizinha da Matola continuam a ser o coração pulsante do imobiliário. No entanto, a tendência para 2026 aponta para uma correção de preços no segmento de luxo, tornando-o mais competitivo, enquanto a procura por habitação acessível dispara.
Com a estabilização da inflação prevista para um dígito (cerca de 3,7% a 4%), o crédito à habitação poderá tornar-se ligeiramente mais acessível, estimulando a compra de casa própria. Além disso, o regresso dos funcionários das multinacionais de energia (TotalEnergies e ExxonMobil) está a reaquecer o mercado de arrendamento “premium” nas zonas nobres como a Polana e Sommerschield.
O “Boom” Industrial e Logístico
Talvez a maior oportunidade em 2026 não esteja nos apartamentos, mas sim nos armazéns. Com o Corredor de Nacala e o Porto de Maputo a baterem recordes de carga, a procura por parques industriais modernos e centros de logística é altíssima. Empresas precisam de locais seguros e bem localizados para armazenar mercadorias que entram e saem do país.
Tabela: Tendências do Mercado Imobiliário para 2026
| Segmento | Tendência 2026 | Foco Principal | Nível de Procura |
| Residencial (Luxo) | Estabilização | Arrendamento para Expatriados (Oil & Gas) | Alta |
| Residencial (Médio) | Crescimento | Compra para Habitação Própria | Muito Alta |
| Escritórios | Recuperação Lenta | Espaços Flexíveis e Co-working | Média |
| Logística/Industrial | Forte Expansão | Armazéns perto de Portos e Corredores | Muito Alta |
Nota Importante: A localização continua a ser o fator chave. Terrenos próximos das novas estradas circulares e acessos aos portos valorizaram-se acima da média nacional.
A Revolução PropTech: Tecnologia no Imobiliário
A palavra “PropTech” (tecnologia imobiliária) está a deixar de ser um termo estrangeiro para se tornar uma realidade prática em Moçambique. O setor, historicamente marcado pela burocracia e papelada, está a abraçar a digitalização para resolver o seu maior problema: a confiança.
Transparência e Registos Digitais
Um dos maiores entraves ao investimento em África é a incerteza sobre a titularidade da terra. Em 2026, espera-se uma maior adoção de plataformas digitais que ajudam a verificar registos de propriedade. Embora o uso de Blockchain para registo de terras ainda esteja numa fase inicial, startups locais e parceiros internacionais estão a criar bases de dados mais fiáveis para dar segurança aos compradores.
Visitas Virtuais e Gestão Remota
Com o aumento do investimento estrangeiro, a tecnologia de visitas virtuais (Realidade Virtual – VR) tornou-se essencial. Um investidor em Lisboa, Pequim ou Joanesburgo pode agora “visitar” um apartamento em Maputo ou um terreno em Pemba sem apanhar um avião.
Além disso, plataformas de gestão de condomínios e pagamentos de rendas via telemóvel (integração com M-Pesa e e-Mola) estão a simplificar a vida de senhorios e inquilinos, reduzindo a informalidade.
Tabela: Inovações PropTech em Moçambique
| Tecnologia | Aplicação Prática | Benefício Principal |
| Realidade Virtual (VR) | Tours 360º de imóveis | Venda remota para estrangeiros |
| Pagamentos Móveis | Cobrança de rendas via M-Pesa | Redução de atrasos e informalidade |
| Big Data | Avaliação de preços de mercado | Decisões de investimento mais seguras |
| Plataformas de Listagem | Portais imobiliários verificados | Maior visibilidade e menos fraudes |
Infraestruturas: O Motor do Crescimento em 2026
Nenhuma economia cresce sem estradas, energia e portos. Em 2026, o governo de Moçambique planeia utilizar, pela primeira vez, recursos do Fundo Soberano de Moçambique (FSM) para financiar projetos prioritários. Este é um marco histórico que visa transformar as receitas do gás em desenvolvimento real.
Corredores de Desenvolvimento
A logística é a espinha dorsal da economia moçambicana. O destaque vai para a extensão do Corredor Ferroviário de Nacala. O recente memorando assinado com o Malawi, Zâmbia e RDC visa transformar Nacala na porta de saída preferencial para o cobre e cobalto da região.
- Sul: O Porto de Maputo continua a sua expansão para receber navios de maior calado.
- Norte: A infraestrutura em redor de Cabo Delgado está a ser reconstruída para apoiar a logística do Gás Natural Liquefeito (GNL).
Energia e o Setor do Gás (LNG)
2026 é um ano crítico para o GNL.
- Coral Sul: Já em operação, mas passará por manutenção programada.
- Coral Norte: Decisões finais de investimento apontam para o início da construção, o que trará milhares de milhões de dólares em Investimento Direto Estrangeiro (IDE).
- Moçambique LNG (TotalEnergies): Com o levantamento da “Força Maior”, as obras em terra retomam o ritmo, exigindo estradas, alojamentos e serviços de apoio.
Tabela: Principais Projetos de Infraestrutura e Energia (Previsão 2026)
| Projeto | Localização | Status em 2026 | Impacto Económico |
| Ponte Rio Save | Massangena | Construção (Fundo Soberano) | Melhoria da ligação Norte-Sul |
| Hospital Distrital | Chibuto | Construção | Saúde pública e emprego local |
| Corredor de Nacala | Norte | Expansão Regional | Escoamento de minérios da Zâmbia/RDC |
| Coral Norte FLNG | Cabo Delgado | Início de Implementação | Aumento do IDE e contratação |
Desafios e Oportunidades de Investimento
Apesar do otimismo, o investidor deve ser cauteloso. A economia prevê um crescimento modesto (entre 2.5% a 3%), condicionado pela disciplina fiscal e pelos choques climáticos.
Oportunidades
- Construção Civil: Alta procura por empresas de engenharia e materiais de construção.
- Turismo de Negócios: Hotéis e serviços corporativos nas cidades-chave (Maputo, Pemba, Tete).
- Energias Renováveis: Projetos solares e eólicos off-grid para alimentar zonas rurais e industriais fora da rede principal.
Desafios
- Burocracia: Embora esteja a melhorar com a digitalização, os processos de licenciamento ainda podem ser lentos.
- Clima: Moçambique é ciclicamente afetado por tempestades tropicais, o que exige infraestruturas resilientes e seguros adequados.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Vale a pena investir em imobiliário em Moçambique em 2026?
Sim, especialmente nos setores de logística (armazéns) e habitação para a classe média. O mercado de arrendamento corporativo também deve recuperar com o regresso dos projetos de gás.
- O que é o Fundo Soberano de Moçambique e como afeta as infraestruturas?
O Fundo Soberano gere as receitas provenientes da exploração do gás natural. Em 2026, parte deste fundo será usada diretamente para financiar obras públicas como pontes, estradas e hospitais, injetando dinheiro na economia real.
- Quais são as cidades com maior potencial de crescimento?
Além de Maputo e Matola, as cidades de Pemba (devido ao gás), Nacala (devido ao porto e corredor logístico) e Tete (mineração e energia) apresentam as maiores oportunidades.
- Como as PropTechs estão a mudar o mercado local?
Elas estão a trazer segurança e rapidez. Desde portais de imobiliário que permitem comparar preços até pagamentos digitais que evitam o manuseamento de dinheiro físico, a tecnologia está a formalizar o mercado.
