6 Empreendimentos Liderados por Mulheres Dominando os Mercados Emergentes do Brasil
O Brasil vive uma verdadeira revolução no empreendedorismo feminino. Nos últimos anos, o número de empresas lideradas por mulheres cresceu de forma impressionante, transformando o cenário empresarial brasileiro e criando novas oportunidades nos mercados emergentes.
De acordo com dados do Sebrae, entre 2014 e 2022, o número de empreendedoras femininas no Brasil saltou de 7,9 milhões para mais de 10,3 milhões. Hoje, as mulheres representam mais de 34% dos proprietários de empresas no país. Este crescimento não é apenas uma estatística – é uma mudança cultural que reconhece o potencial das mulheres para impulsionar o crescimento econômico e o bem-estar social.
As mulheres brasileiras estão liderando startups inovadoras, criando soluções tecnológicas e construindo negócios sustentáveis que atendem às necessidades específicas de suas comunidades. Desde fintechs revolucionárias até plataformas de impacto social, estas empreendedoras estão redefinindo o que significa fazer negócios no Brasil moderno.
1. Ana Fontes – Rede Mulher Empreendedora: Conectando Milhões de Mulheres
Ana Fontes é uma das vozes mais influentes do empreendedorismo feminino brasileiro. Fundadora e CEO da Rede Mulher Empreendedora (RME), ela construiu a maior rede de apoio a mulheres empreendedoras do Brasil.
História e Impacto da RME
A trajetória de Ana começou após 18 anos no setor automotivo, trabalhando na Volkswagen. Frustrada com o ambiente corporativo masculinizado e a falta de reconhecimento, ela decidiu empreender. A RME nasceu de um blog pessoal onde Ana compartilhava suas experiências como empreendedora.
Hoje, a Rede Mulher Empreendedora impactou mais de 10 milhões de pessoas desde 2010. A plataforma ajuda mulheres a formalizar seus negócios e aumentar seu faturamento através de educação, mentorias e networking.
Dados da Rede Mulher Empreendedora
| Métrica | Valor |
| Membros na comunidade | 270.000+ |
| Pessoas impactadas desde 2010 | 10 milhões |
| Fundação | 2010 |
| Foco | Formalização e crescimento de negócios femininos |
Ana também criou o Instituto RME em 2017, focado em políticas públicas e causas sociais para o empreendedorismo feminino. Entre suas iniciativas está a distribuição de microdoações de até R$ 10 mil para mulheres empreendedoras.
2. Cristina Junqueira – Nubank: Revolucionando o Sistema Financeiro Brasileiro
Cristina Junqueira é cofundadora do Nubank, hoje o maior neobank do mundo. Sua história representa uma das maiores revoluções no setor financeiro brasileiro dos últimos tempos.
O Nascimento do Nubank
Cristina trabalhou por cinco anos no Itaú Unibanco antes de cofundar o Nubank em 2013. Frustrada com as altas taxas bancárias e o péssimo atendimento ao cliente dos bancos tradicionais, ela se uniu a David Vélez para criar uma alternativa digital.
O Nubank começou com um cartão de crédito sem anuidade gerenciado por um aplicativo móvel. A empresa cresceu explosivamente e hoje atende mais de 114 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia.
Impacto do Nubank no Mercado
| Métrica | Valor |
| Clientes ativos | 114 milhões |
| Países de atuação | 3 (Brasil, México, Colômbia) |
| Valuation atual | US$ 23 bilhões |
| Fundação | 2013 |
| IPO na NYSE | Dezembro 2021 |
O sucesso de Cristina no Nubank a levou ao topo da lista das Top 100 Mulheres em FinTech da FinTech Magazine em 2023. Seu trabalho demonstra como a liderança feminina pode transformar indústrias inteiras.
3. Monique Evelle – Inventivos: Tecnologia para Transformação Social
Monique Evelle, aos 27 anos, é uma das principais vozes em inovação e empreendedorismo social no Brasil. Fundadora da Inventivos e do Desabafo Social, ela usa tecnologia para promover inclusão social e quebrar barreiras impostas pelo racismo estrutural.
Trajetória e Reconhecimento
Monique foi reconhecida pela Forbes como “30 under 30” e está entre os 50 profissionais mais criativos do Brasil pela revista Wired. Seu trabalho começou com o Desabafo Social, criado quando ela tinha apenas 16 anos.
O Desabafo Social evoluiu para um laboratório de tecnologias sociais que, só em 2020, apoiou mais de 3 mil pessoas de 460 cidades brasileiras. A plataforma remunera a criatividade e inteligência coletiva, apoiando iniciativas de comunicação periférica e microempreendedores negros.
Dados dos Projetos de Monique Evelle
| Projeto | Impacto | Ano de Criação |
| Desabafo Social | 3.000+ pessoas apoiadas em 460 cidades | 2014 |
| Inventivos | Conecta comunidades vulneráveis com oportunidades | 2020 |
| Iniciativas apoiadas financeiramente | 40+ comunicações periféricas | 2020 |
Monique também trabalha com o Nubank na criação do NuLab Salvador, hub de tecnologia e experiência do cliente, além de liderar um fundo de investimentos para startups lideradas por empreendedores negros.
4. Adriana Barbosa – Feira Preta e PretaHub: Empoderando o Empreendedorismo Negro
Adriana Barbosa é uma força transformadora no empreendedorismo afro-brasileiro. Fundadora da Feira Preta e diretora executiva do PretaHub, ela criou a maior feira de cultura negra da América Latina.
A Feira Preta e Seu Crescimento
A Feira Preta nasceu em 2002, quando Adriana estava desempregada e decidiu criar um evento que refletisse sua identidade e a riqueza da cultura negra. O que começou como uma feira de rua cresceu e se tornou um festival que atrai quase 200.000 visitantes.
A 22ª edição do evento, realizada em 2024, consolidou a Feira Preta como o único festival do seu porte idealizado e realizado por uma mulher negra no Brasil.
PretaHub: Acelerando Negócios Negros
O PretaHub foi criado em 2019 como uma plataforma dedicada ao mapeamento, capacitação e aceleração do empreendedorismo negro no Brasil. Mais de 600 empresas já participaram do programa.
Dados dos Empreendimentos de Adriana Barbosa
| Iniciativa | Impacto | Criação |
| Feira Preta | 200.000 visitantes (2024) | 2002 |
| PretaHub | 600+ empresas aceleradas | 2019 |
| Casa PretaHub | Espaço físico de apoio gratuito | 2020 |
| Reconhecimento internacional | 51 negros mais influentes do mundo (MIPAD) | 2017 |
5. Dani Junco – B2Mamy: Conectando Mães no Ecossistema de Inovação
Dani Junco é fundadora e CEO da B2Mamy, a maior comunidade de mães do Brasil. Seu trabalho foca em conectar mães ao ecossistema de tecnologia e inovação através de capacitação e networking.
O Nascimento da B2Mamy
A B2Mamy nasceu em 2015 de uma dor pessoal de Dani. Grávida de 5 meses, ela se questionou se a maternidade poderia inviabilizar seu progresso profissional. Um convite no Facebook para outras mães com a mesma angústia resultou em um encontro que esperava 10 mulheres, mas atraiu 80.
Impacto e Crescimento
A B2Mamy já qualificou mais de 30 mil mulheres para empreender ou se recolocar no mercado de trabalho. A empresa gerou R$ 30 milhões em poder econômico e impactou mais de 200 mil pessoas em sua comunidade.
Dados da B2Mamy
| Métrica | Valor |
| Mulheres qualificadas | 30.000+ |
| Pessoas impactadas | 200.000+ |
| Poder econômico gerado | R$ 30 milhões |
| Fundação | 2015 |
| Casa B2Mamy | Espaços em SP e RJ |
Dani foi reconhecida como uma das 10 mulheres mais inovadoras do Brasil pela revista Exame e recebeu diversos prêmios por seu trabalho em empoderamento feminino.
6. Érica Fridman Stul – Sororité: Democratizando o Acesso a Capital
Érica Fridman Stul é cofundadora da Sororité, uma nova geração de investidoras focada em startups lideradas por mulheres. Seu trabalho é fundamental para reduzir a lacuna de financiamento enfrentada por empreendedoras brasileiras.
O Desafio do Financiamento Feminino
No Brasil, apenas 2% de todos os deals que receberam financiamento em 2020 eram de fundadoras mulheres. Quando se considera times mistos (homens e mulheres), esse número sobe para apenas 5,4%.
Sororité Ventures e Rede Sororité
A Sororité opera através de duas frentes:
- Sororité Ventures: Fundo de investimento que investe em startups brasileiras em estágio pre-seed com diversidade de gênero no time de fundadores.
- Rede Sororité: A maior rede de investidoras anjo do Brasil, formada por mulheres visionárias que investem coletivamente em startups lideradas por mulheres.
Dados sobre Financiamento Feminino no Brasil
| Categoria | Percentual dos Deals | Percentual do Capital |
| Apenas fundadoras mulheres | 2% | 0,04% |
| Times mistos (homens e mulheres) | 5,4% | 2,2% |
| Performance: times com mulheres | +35% retorno sobre investimento | 25% saída mais rápida |
O Cenário Atual do Empreendedorismo Feminino no Brasil
Crescimento e Desafios
O empreendedorismo feminino no Brasil enfrenta desafios únicos, mas também apresenta oportunidades extraordinárias. Segundo pesquisa da Bain & Company, entre 2019 e 2024, o número de CEOs mulheres cresceu de 3% para 6%. O número de executivas mulheres subiu de 23% para 34%.
Principais Desafios Enfrentados
As empreendedoras brasileiras enfrentam diversos obstáculos estruturais:
- Acesso limitado a recursos financeiros: Empresas lideradas por mulheres ganham 60% menos que aquelas lideradas por homens.
- Equilíbrio trabalho-vida: Mulheres empreendedoras enfrentam maiores obrigações sociais.
- Falta de mentoria e redes de apoio: Maioria das mulheres empreendedoras não tem acesso a mentores.
- Barreiras culturais: Estereótipos de gênero afetam percepções pessoais e profissionais.
Dados Comparativos do Empreendedorismo por Gênero
| Métrica | Mulheres | Homens |
| Taxa de atividade empreendedora inicial (2024) | 19% | 22% |
| Participação na força de trabalho (2023) | 53% | 73% |
| Nível de escolaridade (16+ anos de educação) | 43% | 30% |
| Representação em empresas exportadoras | 14% | 86% |
Programas de Apoio ao Empreendedorismo Feminino
Iniciativas Governamentais
O governo brasileiro lançou a Agenda Transversal Mulheres em 2024, focando no aumento do emprego formal feminino e promoção da inovação. Vários programas apoiam empreendedoras:
- Academia para Mulheres Empreendedoras (AWE): Programa do Departamento de Estado dos EUA que beneficiou mais de 10.000 mulheres em 50 países.
- Programa Mulheres Inovadoras: Oferece aceleração, treinamento e networking para 30 startups lideradas por mulheres.
- Programa Empreendedoras Tech: Acelera projetos de inovações tecnológicas lideradas por mulheres.
Concursos e Competições
Em 2025, o Brasil lançou o BRICS Women’s Startups Contest, competição que visa fortalecer o empreendedorismo feminino como motor de desenvolvimento econômico. A competição espera atrair até 2.000 candidaturas de startups lideradas por mulheres.
Setores de Destaque para Empreendedoras Brasileiras
Tecnologia e Fintech
O setor de tecnologia financeira tem sido um dos mais promissores para empreendedoras brasileiras. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Fintechs, 42% das fintechs brasileiras com cinco anos ou mais têm pelo menos uma mulher na equipe fundadora.
Saúde e Bem-estar
Mulheres têm maior participação em saúde, educação e serviços sociais, representando 56% dos empregadores de microempresas e 51% dos empregadores de pequenas empresas neste setor.
Economia Criativa e Sustentabilidade
Nove em cada dez mulheres brasileiras relataram práticas voltadas para maximizar a sustentabilidade ambiental de seus negócios. Quatro em cada cinco relataram atividades focadas em objetivos de sustentabilidade social.
O Futuro do Empreendedorismo Feminino no Brasil
Tendências Emergentes
O empreendedorismo feminino brasileiro está evoluindo rapidamente. As principais tendências incluem:
- Digitalização acelerada: Crescimento de negócios online e e-commerce.
- Sustentabilidade: Foco em soluções ambientalmente responsáveis.
- Inclusão social: Negócios que abordam desigualdades sociais.
- Internacionalização: Expansão para mercados internacionais.
Oportunidades nos Mercados Emergentes
O Brasil, como membro dos BRICS, oferece oportunidades únicas para empreendedoras em mercados emergentes. A AssistenciaApexBrasil registrou aumento de 32% no apoio a empresas lideradas por mulheres, de 2.161 em 2022 para 2.883 em 2023.
Conclusão
As seis empreendedoras destacadas neste artigo representam apenas uma amostra do potencial transformador das mulheres brasileiras nos mercados emergentes. Ana Fontes, Cristina Junqueira, Monique Evelle, Adriana Barbosa, Dani Junco e Érica Fridman Stul não são apenas líderes empresariais – são agentes de mudança que estão redefinindo o futuro do Brasil.
Seus empreendimentos demonstram que as mulheres brasileiras não estão apenas participando da economia – estão liderando a inovação, criando soluções para problemas complexos e construindo um futuro mais inclusivo e sustentável. Desde fintechs revolucionárias até plataformas de impacto social, essas líderes estão provando que a diversidade de gênero não é apenas moralmente correta, mas também economicamente vantajosa.
