5 Projetos Petroquímicos Lucrativos no Brasil (Lista de 2024)
O setor petroquímico brasileiro está vivenciando um momento de grande expansão e investimentos significativos. Com projetos que totalizam bilhões de reais, as principais empresas do país estão apostando no crescimento da demanda por produtos petroquímicos e na modernização da infraestrutura nacional. Este artigo apresenta os cinco projetos mais lucrativos e promissores do setor petroquímico brasileiro em 2024.
1. Complexo Petroquímico de Itaboraí – Petrobras
O projeto mais ambicioso da Petrobras para 2024 é a expansão do complexo petroquímico em Itaboraí, no Rio de Janeiro. A estatal brasileira anunciou um investimento de 20 bilhões de reais (US$ 3,6 bilhões) para expandir sua refinaria e complexo petroquímico.
Detalhes do Investimento:
| Aspecto | Valor/Descrição |
| Investimento Total | R$ 20 bilhões (US$ 3,6 bilhões) |
| Nova Planta Petroquímica | R$ 13 bilhões |
| Expansão da Refinaria | R$ 7 bilhões |
| Início das Obras | 2025 |
| Localização | Itaboraí, Rio de Janeiro |
A nova planta será focada na produção de derivados petroquímicos, aproveitando a proximidade com as refinarias e a infraestrutura de transporte da região. Este projeto representa o maior investimento individual da Petrobras no setor petroquímico e demonstra o compromisso da empresa com o fortalecimento da cadeia produtiva nacional.
Impacto Econômico:
O complexo de Itaboraí criará milhares de empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a posição da Petrobras como segunda maior acionista da Braskem, única produtora petroquímica do Brasil. A localização estratégica permitirá maior integração com outras unidades industriais da região.
2. Expansão da Refinaria RNEST – Pernambuco
A Refinaria Abreu e Lima (RNEST), localizada em Pernambuco, está passando por uma importante expansão que aumentará significativamente sua capacidade de processamento.
Características do Projeto:
| Especificação | Dados Atuais | Dados Futuros |
| Capacidade de Processamento | 100.000 b/d | 260.000 b/d |
| Aumento de Capacidade | – | 160% |
| Conclusão Prevista | – | 2028 |
| Investimento | Não divulgado | Parte do programa RefTOP |
O projeto inclui a construção da segunda unidade de processamento da RNEST, que mais que duplicará sua capacidade atual. Esta expansão faz parte do programa World-Class Refining (RefTOP) da Petrobras, que visa melhorar a eficiência operacional e energética das refinarias.
Benefícios Regionais:
A expansão da RNEST fortalecerá o polo petroquímico do Nordeste, criando novas oportunidades de emprego e desenvolvendo a cadeia de fornecedores locais. A região se beneficiará da maior disponibilidade de matérias-primas petroquímicas.
3. Projeto SEAP – Águas Profundas de Sergipe
O Projeto Sergipe Deep Waters (SEAP) representa um marco na expansão da infraestrutura de gás natural do país, com investimentos significativos em gasodutos e processamento.
Especificações Técnicas:
| Componente | Especificação |
| Capacidade do Gasoduto | 18 MMm³/d |
| Data de Operação Inicial | 2029 (adiado de 2028) |
| Localização | Sergipe |
| Tipo de Projeto | Águas Profundas |
| Integração | Rede de transporte nacional |
O projeto SEAP é fundamental para o aproveitamento dos recursos de gás natural das águas profundas de Sergipe, conectando-se à rede integrada de transporte. A Petrobras optou por reduzir o percentual de conteúdo local dos FPSOs no projeto para facilitar a contratação.
Importância Estratégica:
Este projeto é essencial para aumentar a oferta de gás natural no país, direcionando a produção para usos de maior valor agregado, como petroquímicos e fertilizantes.
4. Expansão da Produção – Braskem
A Braskem, maior empresa petroquímica do Brasil, anunciou um investimento de R$ 614 milhões (US$ 102,3 milhões) para expandir sua capacidade de produção em três estados brasileiros.
Distribuição do Investimento:
| Estado | Investimento | Impacto |
| Bahia | Parte dos R$ 614 milhões | Aumento de produção |
| Rio Grande do Sul | Parte dos R$ 614 milhões | Aumento de produção |
| Alagoas | Parte dos R$ 614 milhões | Aumento de produção |
| Total | R$ 614 milhões | 139.000 toneladas adicionais |
Capacidade Atual da Braskem:
| Produto | Capacidade Anual |
| Polipropileno (PP) | Quase 2 milhões de toneladas |
| Polietileno (PE) | Cerca de 3 milhões de toneladas |
| Tipos de PE | HDPE, LLDPE, LDPE |
A expansão criará mais de 2.200 empregos durante a fase de implementação, proporcionando um impulso necessário às economias locais. O investimento está alinhado com o Regime Especial para a Indústria Química (Reiq) do Brasil, que oferece incentivos fiscais para expandir a capacidade de produção doméstica.
5. Projetos de Gás Natural do Pré-sal
Os projetos relacionados ao gás natural do pré-sal representam uma das maiores oportunidades de crescimento do setor petroquímico brasileiro, com múltiplas iniciativas em desenvolvimento.
Principais Projetos:
| Projeto | Capacidade | Status | Localização |
| Gasoduto Rota 3 | 18 MMm³/d | Conclusão em 2024 | Santos Basin para Itaboraí |
| UPGN Gaslub | 21 MMm³/d | Operação junto com Rota 3 | Itaboraí, RJ |
| Projeto Raia | 16 MMm³/d (gasoduto) | Declaração comercial 2024 | Campos Basin |
| UPGN Boaventura | 10,5 MMm³/d | Operação comercial nov/2024 | Complexo Energético |
Projeções de Produção:
Até 2034, a produção bruta de gás natural está prevista para atingir 315 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), com pico de 316 milhões m³/d em 2031 – um aumento de 110% em relação aos níveis de 2023. A maioria (96%) da produção bruta de gás natural virá de recursos descobertos, com a região do Pré-sal contribuindo com cerca de 80% da produção total até 2034.
Retorno ao Setor de Fertilizantes:
A Petrobras também indica que retornará ao setor de fertilizantes criando uma holding que incluirá a retomada das operações da Araucária Nitrogenados S.A (Ansa) no Paraná até o final do ano, e a unidade em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul), com operações programadas para 2028.
Investimentos Totais em Exploração
O Brasil está recebendo investimentos recordes no setor de petróleo e gás em 2024, com previsão de cerca de R$ 10 bilhões em investimentos em blocos que estão na fase de exploração.
Distribuição dos Investimentos 2024:
| Área | Investimento (R$ bilhões) | Percentual |
| Ambiente Marítimo | 9,5 | 95% |
| Perfuração de Poços | 8,5 | 85% |
| Ambiente Terrestre | 0,47 | 5% |
| Total 2024 | 10,0 | 100% |
Perspectivas 2024-2027:
Entre 2024 e 2027, os investimentos em exploração devem totalizar R$ 18,31 bilhões. Deste valor, 88% será concentrado na perfuração de poços (R$ 16,04 bilhões), enquanto os 12% restantes (R$ 2,27 bilhões) serão distribuídos entre testes de poços (8%), levantamento geofísico exclusivo (3%) e levantamento geofísico não exclusivo (1%).
Tecnologias de Captura de Carbono
Um aspecto inovador dos projetos petroquímicos brasileiros é a incorporação de tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS). A Petrobras estima que é possível armazenar aproximadamente 250 milhões de toneladas de carbono anualmente em aquíferos salinos no Brasil ao longo de 50 anos.
Projeto Piloto de CCS:
| Aspecto | Especificação |
| Capacidade | 100.000 toneladas de CO2/ano |
| Localização | Norte do Estado do Rio de Janeiro |
| Infraestrutura | Terminal de Cabiúnas (Tecab) |
| Status | Aprovado para construção |
Este volume corresponde a cinco vezes as emissões anuais das operações da estatal, que são cerca de 50 milhões de toneladas, e há intenções de oferecer captura de CO2 como serviço para outras indústrias.
Desafios e Oportunidades
O setor petroquímico brasileiro enfrenta desafios significativos, mas também apresenta oportunidades únicas. A Braskem, por exemplo, reportou uma perda líquida de R$ 593 milhões (US$ 98,8 milhões) no terceiro trimestre de 2024, embora isso represente uma melhoria de 75% em relação ao ano anterior.
Indicadores Financeiros da Braskem:
| Métrica | Q3 2024 | Variação Anual |
| Perda Líquida | R$ 593 milhões | Melhoria de 75% |
| EBITDA Recorrente | R$ 2,39 bilhões | Aumento de 160% |
| Fluxo de Caixa | -R$ 1,9 bilhões | Queima acelerada |
Conclusão
Os cinco projetos petroquímicos apresentados representam investimentos superiores a R$ 30 bilhões e demonstram a confiança do setor na economia brasileira. Desde o mega projeto de Itaboraí da Petrobras até a expansão da Braskem, estes investimentos posicionam o Brasil como um player importante no cenário petroquímico global.
A integração entre a produção de petróleo e gás do pré-sal, o processamento em refinarias modernizadas e a produção petroquímica cria uma cadeia de valor robusta e competitiva. Os projetos também incorporam tecnologias sustentáveis, como captura de carbono, alinhando-se com as tendências globais de descarbonização.
