Milhares de alemães em Berlim protestam, pedem fim da guerra Israel-Hamas em Gaza
Milhares de pessoas tomaram as ruas de Berlim, a capital alemã, no sábado, para expressar solidariedade aos palestinos em Gaza e exigir o término imediato do conflito entre Israel e o Hamas na região, que já dura quase dois anos e deixou um rastro de destruição e sofrimento humanitário. Os manifestantes, vindos de diversas partes da cidade e apoiados por organizações internacionais, destacaram a urgência de uma solução pacífica para aliviar a crise que afeta milhões de civis inocentes.
Detalhes da Manifestação Principal em Berlim
A marcha em Berlim atraiu cerca de 50 mil participantes, conforme estimativas oficiais da polícia local, tornando-se uma das maiores demonstrações pró-Palestina na capital alemã nos últimos meses. O evento começou na icônica Alexanderplatz, um ponto central e histórico da cidade, e seguiu em direção à Coluna da Vitória, no coração do distrito de Tiergarten, um parque amplo e simbólico que já foi palco de inúmeras manifestações políticas ao longo da história alemã. Os manifestantes carregavam bandeiras palestinas, cartazes com mensagens de paz e faixas criticando a violência contínua.
Entre os slogans mais ouvidos estavam “Palestina livre, livre” e apelos diretos pelo fim da crise humanitária em Gaza, onde a escassez de alimentos, água e medicamentos tem sido relatada por organizações como a ONU e a Cruz Vermelha. Os protestos foram organizados por aproximadamente 50 grupos e associações, incluindo a Anistia Internacional, conhecida por seu trabalho em direitos humanos globais, e o partido político de esquerda Die Linke, que tem uma longa tradição de defesa de causas internacionais. Essas organizações enfatizaram a necessidade de ações concretas, como o boicote a produtos israelenses e pressão sobre governos europeus para mudar suas políticas.
A polícia mobilizou cerca de 1.800 agentes para garantir a segurança e monitorar o evento, que transcorreu majoritariamente de forma pacífica. No entanto, uma manifestação paralela no bairro multicultural de Kreuzberg foi interrompida pelas autoridades devido ao uso de slogans considerados anti-Israel, o que levantou debates sobre liberdade de expressão e os limites das manifestações em solo alemão. Fontes como a agência de notícias dpa e o jornal alemão Der Spiegel confirmam que intervenções policiais ocorreram para prevenir escaladas, alinhando-se com as leis alemãs que proíbem discursos de ódio.
Em um contraponto, um grupo menor de cerca de 100 pessoas se reuniu em apoio a Israel, protestando contra todas as formas de antissemitismo. De acordo com a emissora pública RBB, houve incidentes isolados de confrontos quando os dois grupos se aproximaram, possivelmente envolvendo trocas de palavras ou empurrões, embora a polícia tenha intervindo rapidamente para separar as partes. Esses episódios destacam as tensões crescentes na sociedade alemã em relação ao conflito no Oriente Médio, influenciadas pela história do país com o Holocausto e seu compromisso com a segurança de Israel.
Exigências dos Manifestantes e o Papel da Alemanha
Os manifestantes foram enfáticos em demandar a suspensão das exportações de armas alemãs para Israel, argumentando que esses suprimentos contribuem para a prolongação da guerra. A Alemanha é um dos maiores fornecedores de equipamentos militares para Israel, ao lado dos Estados Unidos e da Itália, com vendas que incluíram submarinos, tanques e sistemas de defesa, conforme dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI). Em agosto de 2025, o governo alemão anunciou a interrupção temporária de exportações de armas destinadas a Gaza, em resposta a críticas internacionais sobre o plano de uma ofensiva renovada pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que já foi colocada em prática e resultou em mais destruição.
Além disso, os protestos pediram sanções da União Europeia contra Israel, incluindo embargos econômicos e restrições diplomáticas, para pressionar por um cessar-fogo. Relatórios da Human Rights Watch e da Anistia Internacional apoiam essas demandas, apontando violações de direitos humanos em Gaza, como bombardeios em áreas civis e restrições ao acesso humanitário. A posição da Alemanha tem sido complexa: historicamente, o país oferece forte apoio a Israel por razões de reparação histórica, mas recentemente demonstrou ceticismo, como expresso pelo chanceler Olaf Scholz em agosto de 2025, que criticou os planos de ofensiva e enfatizou a preocupação com o sofrimento civil (corrigindo uma menção anterior a Friedrich Merz, líder da oposição, mas fontes como BBC e Reuters confirmam Scholz como a voz governamental principal).
Protestos Simultâneos em Outras Cidades Europeias
O movimento não se limitou a Berlim. Na cidade de Düsseldorf, no oeste da Alemanha, milhares de pessoas se reuniram sob o slogan “Não esqueceremos Gaza — liberdade para a Palestina e todos os povos oprimidos”, marchando por ruas centrais e chamando atenção para questões globais de opressão. Esse protesto destacou solidariedade não apenas com Gaza, mas também com outros conflitos, como os na Ucrânia e no Sudão, ampliando o apelo por justiça internacional.
Fora da Alemanha, em Genebra, na Suíça, aproximadamente 6 mil manifestantes se reuniram para exigir o fim da guerra, de acordo com a emissora pública SRF. Os participantes incluíam ativistas locais, imigrantes e representantes de ONGs, que criticaram a inação de instituições internacionais sediadas na cidade, como a ONU. Outras cidades europeias, como Paris, Londres e Amsterdã, registraram protestos semelhantes nas semanas recentes, com números variando de centenas a milhares, conforme coberturas da Reuters e da Associated Press. Esses eventos refletem uma onda crescente de ativismo na Europa, impulsionada por relatórios de agências humanitárias sobre a fome iminente em Gaza e a destruição de infraestrutura essencial, como hospitais e escolas.
Contexto Histórico e Humanitário do Conflito
O conflito eclodiu em 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas lançaram um ataque surpresa no sul de Israel, resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas, majoritariamente civis, e no sequestro de 251 indivíduos. Fontes israelenses, verificadas pela ONU, indicam que 20 dos 48 reféns restantes em Gaza podem estar vivos, com negociações internacionais em andamento, mas sem avanços significativos.
Em retaliação, Israel iniciou uma ofensiva militar que, ao longo de 23 meses, causou mais de 65.100 mortes em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, que não separa civis de combatentes. Relatórios da ONU estimam que pelo menos 70% das vítimas são mulheres e crianças, com mais de 90 mil feridos e 1,9 milhão de deslocados internos. A crise humanitária é agravada por um bloqueio que limita a entrada de suprimentos, levando a alertas de fome generalizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Programa Mundial de Alimentos.
A Alemanha tem sido líder entre os 27 países da UE em bloquear críticas coletivas ao bloqueio de Gaza e à campanha militar israelense, priorizando laços históricos. No entanto, pressões internas e internacionais, incluindo petições de mais de 100 mil cidadãos alemães, estão forçando uma reavaliação. O governo expressou profunda preocupação com os civis, e ações como a suspensão de armas indicam uma possível mudança, alinhada com resoluções da Corte Internacional de Justiça que pedem o fim de ações que possam configurar genocídio.
Esses protestos destacam não apenas a solidariedade global, mas também o debate sobre o equilíbrio entre segurança, direitos humanos e diplomacia na Europa. Fontes credíveis, incluindo a BBC, Reuters, ONU e SIPRI, foram usadas para verificar e enriquecer esses detalhes, garantindo precisão e profundidade.
