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Real Madrid 2 x 1 Barcelona: A grande conversa de Yamal sai pela culatra e Bellingham garante a vitória no Clássico

Desde o início, o El Clásico foi tudo o que se esperava. Houve drama, criatividade, caos e… controvérsia. Sempre há controvérsia.

Tudo começou com um pênalti para o Real Madrid aos dois minutos, anulado pelo VAR após uma entrada de Lamine Yamal em Vinicius Junior dentro da área. O árbitro César Soto Grado marcou o pênalti, mas foi ao monitor e viu que Vinicius Jr havia feito contato com Yamal, e não o contrário. Mesmo assim, pênaltis como aquele já foram marcados antes.

Cerca de dez minutos depois, Kylian Mbappé parecia ter marcado um golaço — um voleio de fora da área após um passe de Arda Güler que recuperou a bola. Infelizmente para o Madrid, o francês estava levemente (e queremos dizer levemente) em posição de impedimento.

Mas o time da casa não desistiu. Após um passe preciso de Jude Bellingham rompendo a defesa, Mbappé balançou as redes novamente com um chute rasteiro e elegante — desta vez, o gol valeu.

O Madrid dominou completamente, enquanto o Barça se segurava até que um erro de Güler permitiu que os visitantes empatassem — Fermín López marcou após passe de Marcus Rashford.

Este foi o primeiro Clásico em 123 anos de história com um jogador inglês em cada lado — e Bellingham ainda não tinha terminado. Ele colocou o Madrid novamente em vantagem antes do intervalo, finalizando de perto após uma cabeçada de Éder Militão cruzada na frente do gol do Barça.

Após o intervalo, o VAR voltou à cena. Interveio novamente para recomendar um pênalti depois que a bola bateu na mão de Eric García dentro da área. Mbappé foi para a cobrança, mas Wojciech Szczęsny fez uma defesa brilhante.

Poderia parecer que isso daria novo ânimo ao Barça, mas o desempenho da equipe de Hansi Flick foi decepcionante — o técnico alemão estava suspenso e assistiu do camarote.

Pedri foi expulso já nos acréscimos, após o segundo cartão amarelo, provocando uma confusão entre os bancos que exigiu intervenção policial. Para o Madrid, a única nota negativa foi a reação irritada de Vinicius Jr ao ser substituído no segundo tempo.

A vitória da equipe de Xabi Alonso amplia a vantagem na La Liga sobre o Barça para cinco pontos após 10 partidas da temporada 2025–26. Aqui, os jornalistas do The Athletic, Dermot Corrigan, Tomas Hill Lopez-Menchero e Anantaajith Raghuraman, analisam os principais destaques do jogo.

A montanha-russa do VAR para o Madrid

A polêmica da arbitragem tornou-se uma constante nos últimos Clásicos, mas a surpresa desta vez foi o quão cedo tudo começou.

Com apenas dois minutos, Vinicius Jr achou que tinha sofrido pênalti após ser derrubado por Yamal na área. Mas o árbitro Soto Grado revisou a jogada e decidiu que Yamal tocou na bola primeiro — o que significava que o próprio Vinicius Jr havia cometido a falta. Gritos de “Negreira, Negreira” e “Corrupção na federação!” ecoaram pelo Bernabéu.

Dez minutos depois, mais polêmica quando Mbappé acertou um voleio potente de fora da área que parecia ser o gol da partida — apenas para ser anulado por impedimento. A decisão se baseou em saber se Arda Güler ou Fermín López havia tocado na bola antes de Mbappé. O sistema semiautomático da La Liga mostrou que a diferença era mínima.

O gol de Mbappé aos 22 minutos foi uma recompensa justa, após um passe preciso de Bellingham que deixou o Barça desequilibrado e permitiu que o francês vencesse Szczęsny. Sem impedimento desta vez, o alívio tomou conta do Bernabéu.

Os torcedores do Madrid comemoraram ainda mais quando outro pênalti controverso foi marcado aos 51 minutos. Um cruzamento de Bellingham tocou no joelho e depois no braço de Eric García dentro da área. Após revisão do VAR, Soto Grado marcou o pênalti — mas Szczęsny defendeu o chute de Mbappé.

A controvérsia e os comentários de Yamal

Antes da partida, Yamal brincou chamando o Madrid de “chorões e ladrões” em uma transmissão da Kings League de Gerard Piqué, e na véspera do jogo postou fotos no Instagram mostrando torcedores irritados depois de marcar no confronto da temporada passada.

Sua contribuição ofensiva foi mínima. No primeiro tempo, mandou um chute para fora, perdeu a posse oito vezes e completou apenas um drible bem-sucedido, enquanto o lateral-esquerdo Álvaro Carreras o anulava muito bem. Fez apenas quatro passes efetivos no terço ofensivo.

No segundo tempo, um chute de longa distância que foi sobre o travessão arrancou aplausos irônicos dos torcedores do Madrid.

Enquanto isso, Mbappé e Bellingham foram excelentes. Yamal é um talento extraordinário, com potencial para se tornar o melhor do mundo, mas este Clásico foi uma experiência de aprendizado — antes e durante os 90 minutos.

Bellingham está de volta?

Bellingham não poderia ter escolhido melhor momento para voltar à melhor forma no Real Madrid.

Sua decepcionante temporada 2024–25 pode ser explicada pela fase ruim da equipe sob o comando de Ancelotti, seu técnico na época, e por uma posição mais recuada, além de problemas no ombro, pelos quais passou por cirurgia neste verão.

Mas, na recente vitória da Liga dos Campeões sobre a Juventus, ele reencontrou seu brilho. Seu passe para o gol de Mbappé foi perfeito, lembrando sua assistência para Vinicius Jr na final da Supercopa da Espanha de 2024.

Seu gol mostrou o oportunismo que caracterizou sua campanha de 23 gols em 2023–24. Sua movimentação pelo lado direito também gerou o polêmico pênalti de 52 minutos, defendido por Szczęsny.

Ele mostrou total confiança ao driblar Pau Cubarsí e finalizar com facilidade — embora o rebote de Mbappé tenha sido anulado por impedimento.

No geral, foi um contraste enorme em relação à sua má atuação na derrota por 5–2 contra o Atlético de Madrid, seu jogo de retorno após a cirurgia. Bellingham é um jogador de grandes partidas — sempre aparece quando o Madrid precisa dele.

O esquema inteligente de Alonso no meio-campo

No primeiro tempo, o Madrid posicionou um jogador entre as linhas de defesa e meio-campo do Barça. Mbappé ocupava espaço entre os zagueiros, Vinicius Jr atuava aberto pela esquerda e Bellingham inicialmente pela direita. Güler também avançava para criar mais opções ofensivas.

No primeiro gol, Camavinga se deslocou para a direita, Bellingham encontrou espaço entre as linhas, atraiu a marcação e deu o passe perfeito para Mbappé.

Os problemas defensivos do Barcelona continuam evidentes — e domingo foi mais um exemplo. O Madrid explorou os espaços deixados por Alejandro Balde, que avançava demais, e trocava passes rápidos para escapar da pressão alta do Barça.

A movimentação avançada de Vinicius Jr, Mbappé e um meio-campista comprimiam a defesa catalã antes que pudesse reagir.

No segundo tempo, o Madrid recuou para frustrar o Barcelona e aproveitar contra-ataques — e funcionou. O Barça tentou de tudo nos nove minutos de acréscimos, inclusive colocando Ronald Araújo no ataque, mas o Madrid foi o merecido vencedor.

Quão mal estão as coisas para o Barça?

Com pouco mais de 15 minutos para o fim, o técnico interino Marcus Sorg fez duas substituições tentando reacender o time, tirando Ferran Torres e García para colocar Marc Casadó e Ronald Araújo.

Sorg tinha poucas opções devido às lesões de Robert Lewandowski, Dani Olmo e Raphinha. Mesmo assim, foi uma decisão estranha.

A mudança surpreendeu até seus próprios jogadores, com Frenkie de Jong questionando o banco sobre a formação. Rashford foi para o comando do ataque e Fermín López foi deslocado para a ponta, mas nada mudou no jogo.

Foi uma atuação fraca do Barcelona — confusão dentro e fora de campo. O Madrid foi o vencedor justo.

Quem acompanha o Barça sabe que o time perdeu a velocidade, a energia e a autoridade mostradas na última temporada. Está longe de seu melhor nível, especialmente fora de casa.

A ausência de Flick não ajudou — suspenso, ele assistiu das arquibancadas após ter sido expulso contra o Girona, partida em que o Barça venceu por 2–1 com sorte.

As lesões são um fator, mas há algo mais profundo que não está funcionando no Barcelona. Uma grande mudança será necessária se quiserem defender o título da La Liga.

Também houve algumas surpresas nas decisões de Alonso e um toque de polêmica quando Vinicius Jr foi substituído, mas todas as escolhas do novo técnico funcionaram no Bernabéu. O Madrid foi superior, e esta vitória é um grande impulso para o novo projeto de Alonso.

Alonso e sua equipe revitalizada agora estão cinco pontos à frente do lado inconsistente de Flick e são os grandes favoritos ao título da La Liga.

Próximas partidas

Sábado, 1º de novembro: Valencia (Casa), La Liga, 20h00 (Reino Unido), 16h00 (ET)
Domingo, 2 de novembro: Elche (Casa), La Liga, 17h30 (Reino Unido), 12h30 (ET)