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Canadá, Austrália e Portugal juntam-se ao Reino Unido no reconhecimento da soberania palestina

Canadá, Austrália e Portugal anunciaram o reconhecimento formal do Estado Palestino, seguindo o exemplo do Reino Unido, em meio aos planos de Israel para expandir assentamentos na Cisjordânia ocupada e à intensificação da guerra em Gaza. Esses anúncios destacam um esforço internacional para promover uma solução de dois Estados e aumentar a pressão sobre Israel.

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No domingo, o primeiro-ministro canadense Mark Carney anunciou o reconhecimento do Estado Palestino, oferecendo parceria para construir um futuro pacífico tanto para a Palestina quanto para Israel. Ele criticou o governo israelense por trabalhar de forma sistemática para impedir a criação de um Estado palestino. “Reconhecer o Estado da Palestina, liderado pela Autoridade Palestina, fortalece aqueles que buscam a coexistência pacífica e o fim do Hamas. Isso não legitima o terrorismo nem o recompensa”, afirmou Carney em um comunicado oficial, conforme relatado pela CBC News e pela ONU.

Carney mencionou que a Autoridade Palestina deu compromissos diretos ao Canadá sobre reformas em sua governança, a realização de eleições gerais no próximo ano – nas quais o Hamas não terá participação – e a desmilitarização do Estado palestino. Esses pontos visam garantir estabilidade e segurança na região, alinhados com resoluções da ONU como a 242 e a 338, que defendem fronteiras seguras e reconhecidas.

Ao mesmo tempo, a Austrália anunciou seu reconhecimento. O primeiro-ministro Anthony Albanese, em declaração conjunta com a ministra das Relações Exteriores Penny Wong, explicou que a decisão faz parte de um esforço internacional para reviver a solução de dois Estados. “Isso começa com um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns”, disse o comunicado, reiterando que o Hamas não deve ter papel na Palestina. De acordo com fontes como o Departamento de Relações Exteriores da Austrália e relatórios da BBC, essa medida coordenada com Canadá e Reino Unido busca impulsionar negociações de paz estagnadas desde os Acordos de Oslo em 1993.

Mais tarde, o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, confirmou o reconhecimento durante uma declaração na sede da ONU em Nova York. “O reconhecimento do Estado da Palestina é a realização de uma linha fundamental e constante da política externa portuguesa”, afirmou Rangel. Portugal, que historicamente apoia resoluções da ONU favoráveis à Palestina, junta-se a mais de 140 países que já reconheceram o Estado, conforme dados da Autoridade Palestina e da Assembleia Geral da ONU.

Coordenação com o Reino Unido e Isolamento de Israel

Os reconhecimentos parecem coordenados com o Reino Unido, onde o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou a decisão logo após os de Ottawa e Canberra. “Isso revive a esperança de paz para palestinos e israelenses, e uma solução de dois Estados”, disse Starmer, segundo o site oficial do governo britânico. Esses movimentos de potências ocidentais e aliados de longa data de Israel indicam um isolamento crescente de Israel internacionalmente, especialmente devido à guerra em Gaza, onde mais de 65.200 palestinos foram mortos, de acordo com relatórios do Ministério da Saúde de Gaza e da ONU.

Israel e os Estados Unidos argumentam que reconhecer a Palestina agora seria uma “recompensa” para o Hamas. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reagiu dizendo que isso é um “prêmio” para o grupo e que um Estado palestino “não acontecerá”. Netanyahu reconheceu recentemente que Israel está “em uma espécie de isolamento” e precisa adaptar sua economia, conforme declarações reportadas pela Reuters e pelo Haaretz.

Contexto Internacional e Pressão Crescente

Na Assembleia Geral da ONU em Nova York na próxima semana, mais países, incluindo a França, prometeram reconhecer a Palestina. Embora simbólico, o reconhecimento não concede um assento oficial na ONU, que depende da aprovação do Conselho de Segurança – onde os EUA, com poder de veto, rejeitaram chamadas semelhantes, como visto em votações recentes na ONU.

Atualmente, 147 dos 193 membros da ONU reconhecem o Estado Palestino, baseado em dados da Autoridade Palestina e relatórios da ONU. No entanto, a pressão doméstica nos EUA e em outros países ocidentais está crescendo, com protestos e chamadas por sanções. Países como Holanda, Espanha e Irlanda ameaçaram boicotar o Festival Eurovisão da Canção se Israel participar no próximo ano, conforme noticiado pela Euronews.

Além do reconhecimento, vários Estados ocidentais impuseram ou ameaçam sanções contra Israel. Isso reflete uma mudança na opinião global, impulsionada por relatórios de organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, que documentam violações de direitos humanos na Cisjordânia e em Gaza. A expansão de assentamentos israelenses, considerada ilegal pelo direito internacional pela Corte Internacional de Justiça, continua a ser um ponto central de tensão, com mais de 700.000 colonos vivendo em territórios ocupados, segundo dados da ONU.

Esses desenvolvimentos destacam o apoio internacional crescente à causa palestina, mas ações concretas dependem de negociações e do fim das hostilidades. A coordenação entre esses países reforça a mensagem de que uma solução pacífica requer compromissos de todas as partes, incluindo reformas na Autoridade Palestina e o desmantelamento de grupos armados como o Hamas.