notíciasMundo

Starmer participará da cúpula do Egito sobre o plano de paz para Gaza, Não. Digamos 10

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, viajará ao Egito nesta segunda-feira (13 de outubro de 2025) para participar de uma cúpula internacional pela paz, onde líderes mundiais assinarão o plano de paz para a Faixa de Gaza, conforme anunciou o governo do Reino Unido em comunicado oficial. O evento, sediado em Sharm El-Sheikh, no Mar Vermelho, é descrito como um “ponto de virada histórico” após dois anos de conflito intenso que devastou a região e causou milhares de mortes. Starmer prestará “homenagem especial” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua mediação decisiva no acordo, destacando o papel central dos EUA no processo.​

Acordo de Cessar-Fogo Entra em Vigor e Detalhes da Primeira Fase

O cessar-fogo entre Israel e o Hamas começou a valer na manhã de sexta-feira (10 de outubro de 2025), iniciando a primeira fase de um plano de 20 pontos proposto por Trump na semana anterior, com mediação de Egito, Qatar e Turquia. Esse acordo, aprovado pelo gabinete israelense na quinta-feira (9), após três dias de negociações indiretas no Egito, representa o primeiro avanço significativo desde o colapso de um cessar-fogo anterior em março de 2025. Sob os termos iniciais, o Hamas deve libertar todos os 20 reféns israelenses vivos que ainda detém, além dos restos mortais de até 28 reféns falecidos, até o meio-dia de segunda-feira (horário local, 09:00 GMT), um prazo estrito para evitar violações.​

Em troca, Israel compromete-se a soltar cerca de 250 prisioneiros palestinos e 1.700 detidos de Gaza, muitos dos quais foram capturados durante operações militares nos últimos dois anos, totalizando quase 2.000 libertações no pacote inicial. Além disso, o pacto prevê a retirada parcial das tropas israelenses para uma linha acordada, deixando o exército controlando cerca de 53% da Faixa de Gaza temporariamente, e a entrada imediata de quantidades ampliadas de ajuda humanitária, incluindo alimentos, água, medicamentos e suprimentos elétricos para aliviar a crise de fome e destruição na região. O exército israelense já confirmou a repostagem de forças em partes do território, permitindo que palestinos retornem a casas destruídas ao norte de Gaza, transportando pertences por pé, veículos ou carroças, em um sinal de alívio cauteloso após meses de deslocamento forçado.​

Desafios e Controvérsias nas Fases Posteriores do Plano

Embora a primeira fase traga esperança imediata, as etapas subsequentes do plano de Trump enfrentam obstáculos significativos, com negociações previstas apenas após a conclusão bem-sucedida da inicial, o que pode prolongar o processo. Questões pendentes incluem a governança futura de Gaza, onde o plano propõe um comitê transitório de tecnocratas palestinos supervisionado por um “Conselho de Paz” liderado por Trump e envolvendo o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, com eventual transferência para a Autoridade Palestina reformada, excluindo qualquer papel para o Hamas. Outro ponto crítico é o desarmamento do Hamas, que o grupo resiste a discutir até a criação de um Estado palestino, enquanto Israel insiste na desmilitarização total e destruição de infraestruturas “terroristas” para garantir segurança duradoura.​

A extensão da retirada israelense também gera tensão: o plano prevê reduções graduais para 40% e, por fim, 15% do território sob controle militar, mas sem cronograma claro para uma saída completa, o que Hamas vê como ambíguo e insuficiente. Ademais, uma anistia para membros do Hamas que optem pela convivência pacífica ou exílio voluntário é proposta, sem forçar deslocamentos em massa, mas com opção de retorno para quem partir. Esses elementos, se não resolvidos, poderiam repetir o fracasso do cessar-fogo de janeiro de 2025, que durou apenas dois meses antes de Israel retomar ofensivas, sem avançar para a segunda fase de um plano triplo. Analistas alertam que impasses nessas áreas testarão a mediação internacional, especialmente com Israel ausente da cúpula.​

Cúpula em Sharm El-Sheikh: Líderes e Objetivos Internacionais

A cúpula, co-liderada por Trump e o presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi, reunirá mais de 20 líderes mundiais em Sharm El-Sheikh, um resort no Mar Vermelho conhecido por abrigar conferências diplomáticas de alto nível. Confirmados incluem o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o primeiro-ministro italiano Giorgia Meloni, o espanhol Pedro Sánchez, e o presidente francês Emmanuel Macron, que viaja para expressar “apoio total à implementação do acordo” e discutir pacotes de ajuda humanitária substanciais. Convites se estenderam a nações como Alemanha, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Turquia, Arábia Saudita, Paquistão, Indonésia, Japão, Azerbaijão, Armênia, Hungria, Índia, El Salvador, Chipre, Grécia, Bahrein, Kuwait e Canadá, com o Irã também convidado, embora a participação de Israel seja confirmada como ausente.​

O objetivo principal é a cerimônia de assinatura do plano de paz, formalizando o compromisso global para encerrar a guerra, fortalecer a estabilidade no Oriente Médio e abrir “uma nova página de segurança regional”, conforme declaração da presidência egípcia. Trump, que discursará no Knesset israelense antes de prosseguir para o Egito, enfatizou que “muitos líderes de todo o mundo foram convidados” para esse marco, destacando sua iniciativa de 20 pontos como caminho para uma “paz duradoura, desenvolvimento e prosperidade”. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutiu arranjos logísticos com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatty, garantindo coordenação para o evento. Downing Street espera que a cúpula acelere a segunda fase, focando em monitoramento do cessar-fogo e reconstrução econômica liderada por um painel de especialistas.​

Papel do Reino Unido: Apoio Diplomático e Humanitário sem Tropas

Starmer, em seu discurso, agradecerá Egito, Qatar e Turquia por “nos trazerem até este ponto”, além de Trump, e chamará por “coordenação contínua” para progredir rapidamente na trégua, com o Reino Unido oferecendo “apoio inabalável e engajamento com parceiros internacionais” para manter o cessar-fogo, entregar ajuda urgente e estabelecer bases para paz duradoura. A Grã-Bretanha, junto com França e Alemanha (o trio E3), já endossou “pacotes substanciais de assistência humanitária” e se comprometeu a mediar discussões sobre fases futuras.​

O governo britânico descartou explicitamente o envio de tropas para uma força multinacional de monitoramento, mas enfatiza envolvimento em outras frentes. Os EUA deslocarão até 200 militares já na região para um centro de coordenação civil-militar em Israel, ao lado de forças de países árabes e muçulmanos como Egito, Qatar e Turquia. A secretária de Relações Exteriores, Yvette Cooper, afirmou na sexta-feira que o Reino Unido priorizará “diplomacia e economia”, incluindo negociações com estados árabes para atrair investimentos privados em Gaza, devastada por bombardeios que destruíram infraestruturas civis. Cooper defendeu o papel europeu contra críticas de Netanyahu, que chamou a Europa de “irrelevante”, destacando contribuições britânicas como propostas de estruturas de paz e reconhecimento do Estado palestino. O líder liberal-democrata Ed Davey urge o Reino Unido a assumir um “papel máximo” na manutenção da trégua, ecoando apelos por ação robusta.​

Contexto do Conflito: Origens, Vítimas e Crise Humanitária

O conflito eclodiu com os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, contra o sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas, principalmente civis, e resultando na captura de 251 reféns, muitos dos quais mortos em cativeiro ou combates subsequentes. A resposta israelense desencadeou uma ofensiva massiva, com mais de 67.000 palestinos mortos, incluindo mais de 18.000 crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza controlado pelo Hamas — números considerados confiáveis por ONU e organizações de direitos humanos, que classificam o impacto como “genocídio” devido à escala de civis afetados e fome induzida. A guerra deixou Gaza em ruínas, com 80% da população deslocada, escassez crônica de recursos e acusações mútuas de violações, como atrasos em listas de reféns por Hamas e mortes diárias por Israel durante tréguas anteriores.​

Um cessar-fogo anterior, iniciado em 17 de janeiro de 2025, após assinatura em 15 de janeiro, previu libertações em fases: 33 reféns por 30-50 prisioneiros palestinos na primeira, com retirada parcial israelense e retorno de deslocados, mas colapsou em fevereiro-março devido a violações, como suspensão de libertações pelo Hamas citando bloqueios de ajuda e recusa israelense em soltar 620 prisioneiros acordados. Incidente notável incluiu a devolução errônea de restos mortais, corrigida sob mediação egípcia-qatari. Essa história de falhas reforça a importância da cúpula atual, que busca evitar repetições através de supervisão internacional mais ampla.​

Perspectivas de Reconstrução e Estabilidade Regional

O plano de Trump inclui um programa de desenvolvimento econômico para reconstruir Gaza, formulado por especialistas, visando revitalizar a economia e prevenir ressurgimentos de violência através de prosperidade compartilhada. Líderes como Starmer e Macron enfatizam que o sucesso depende de “paz, resolução de conflitos e reconstrução de sociedades”, aplicando lições de processos de paz europeus. O Egito vê a cúpula como chance para “fortalecer esforços de paz no Oriente Médio”, potencialmente abrindo portas para normalizações regionais, como com Arábia Saudita e outros.​

Se implementado integralmente, o acordo poderia marcar o fim de um ciclo de dois anos de derramamento de sangue, estabelecendo segurança duradoura contra ameaças terroristas e pavimentando o caminho para um Estado palestino viável, embora desafios persistam em meio a divisões profundas. Observadores globais, incluindo a ONU, monitoram de perto, com Guterres presente para coordenar assistência humanitária em escala inédita. A ausência de Netanyahu no evento sinaliza tensões, mas a presença ampla de aliados árabes e ocidentais sugere um momentum diplomático raro para a região.

Informações coletadas da BBC e do The Independent.