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10 Startups Tecnológicas Lusófonas a Ter Debaixo de Olho.

O mundo da tecnologia fala português. Com uma comunidade global de mais de 280 milhões de falantes, a lusofonia deixou de ser apenas um laço cultural para se tornar um poderoso bloco económico de inovação. Desde a vibrante cena de fintechs em São Paulo até aos hubs de inteligência artificial em Lisboa, passando pelas soluções móveis emergentes em Luanda, as startups tecnológicas lusófonas estão a redesenhar fronteiras.

Este artigo mergulha profundamente no ecossistema empreendedor da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Selecionamos 10 empresas que não estão apenas a crescer, mas a redefinir os seus setores. Se procura inspiração, oportunidades de investimento ou apenas quer entender o futuro da tecnologia em português, este guia é para si.

O Cenário Atual da Inovação Lusófona

Antes de conhecermos as empresas, é vital entender o contexto. O Brasil consolidou-se como uma “fábrica de unicórnios” (startups avaliadas em mais de mil milhões de dólares), especialmente no setor financeiro. Portugal, por sua vez, posicionou-se como a porta de entrada da inovação para a Europa, atraindo talento global com eventos como a Web Summit. Enquanto isso, países como Angola e Moçambique mostram como a tecnologia pode resolver problemas estruturais complexos.

Abaixo, apresentamos a nossa seleção criteriosa das 10 startups tecnológicas lusófonas que merecem a sua atenção imediata.

1. Sword Health (Portugal / Global)

Revolucionando a Fisioterapia com IA

A Sword Health é, talvez, o exemplo mais brilhante da engenharia portuguesa aplicada à saúde global. Fundada por Virgílio Bento, a empresa nasceu de uma necessidade pessoal e transformou-se num gigante da HealthTech.

A proposta da Sword Health é simples mas poderosa: libertar os pacientes das limitações da fisioterapia tradicional. Através de “terapeutas digitais” baseados em Inteligência Artificial e sensores de movimento, a startup permite que pacientes recuperem de lesões musculoesqueléticas no conforto das suas casas, com supervisão clínica remota.

Por que observar?

A empresa atingiu o estatuto de unicórnio e continua a crescer nos Estados Unidos. A sua tecnologia reduz custos para seguradoras e empregadores, tornando o tratamento de dor crônica mais acessível.

Dado Informação
Setor HealthTech (Saúde Digital)
Origem Porto, Portugal
Fundador Virgílio Bento
Inovação Fisioterapia digital com IA e sensores
Status Unicórnio

2. Cora (Brasil)

A Banca Digital Simplificada para PMEs

Enquanto muitos bancos digitais focam no consumidor final, a Cora olhou para quem move a economia: as pequenas e médias empresas (PMEs). No Brasil, a burocracia bancária sempre foi um entrave para o empreendedorismo. A Cora chegou para eliminar essa barreira.

A startup oferece uma conta digital gratuita, emissão de boletos simplificada e ferramentas de gestão financeira integradas. O design da plataforma é intuitivo, focado em poupar tempo ao empresário.

Por que observar?

A Cora recebeu aportes massivos de fundos globais e continua a expandir a sua oferta de crédito. Num país com milhões de pequenos empreendedores, o potencial de crescimento da Cora é gigantesco.

Dado Informação
Setor Fintech (Serviços Financeiros)
Origem São Paulo, Brasil
Fundadores Igor Senra e Leo Mendes
Inovação Serviços bancários livres de taxas para PMEs
Destaque Crescimento acelerado na base de clientes

3. Anchorage Digital (Portugal / EUA)

Segurança Institucional para Criptoativos

A Anchorage Digital prova que a inovação portuguesa está na vanguarda da Web3. Co-fundada pelo português Diogo Mónica, a empresa tornou-se o primeiro “banco de criptoativos” com licença federal nos Estados Unidos.

Diferente das exchanges comuns focadas no retalho, a Anchorage serve grandes instituições. Eles oferecem custódia segura, trading e financiamento, tudo protegido por uma arquitetura de segurança biométrica proprietária.

Por que observar?

Com a aprovação de ETFs de Bitcoin e a entrada de grandes bancos no mundo cripto, a infraestrutura da Anchorage é mais crítica do que nunca. Eles são a ponte entre a banca tradicional e o futuro digital.

Dado Informação
Setor Cripto / Fintech
Origem Lisboa / São Francisco
Co-fundador Diogo Mónica
Inovação Custódia institucional de ativos digitais
Status Unicórnio

4. Appy Saúde (Angola)

Conectando Pacientes à Saúde em África

Saindo do eixo Brasil-Portugal, encontramos a Appy Saúde, uma das startups mais inspiradoras de Angola. O problema que resolvem é vital: a fragmentação da informação de saúde.

A plataforma permite aos utilizadores encontrar farmácias, verificar a disponibilidade de medicamentos, comparar preços e marcar consultas médicas. Num mercado onde a logística de medicamentos pode ser complexa, a Appy Saúde traz transparência e eficiência, salvando, literalmente, vidas.

Por que observar?

A Appy Saúde domina o mercado angolano e tem planos de expansão. É um exemplo perfeito de como a tecnologia móvel pode superar lacunas de infraestrutura em mercados emergentes.

Dado Informação
Setor e-Health / Marketplace
Origem Luanda, Angola
Fundador Pedro Beirão
Inovação Digitalização do stock de farmácias em tempo real
Impacto Acesso facilitado a medicamentos essenciais

5. Remote (Portugal / Global)

RH Sem Fronteiras para o Mundo Pós-Pandemia

A Remote é a resposta definitiva para a era do trabalho distribuído. Fundada pelo português Marcelo Lebre e pelo holandês Job van der Voort, a empresa permite que qualquer companhia contrate qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, de forma legal e simples.

Eles tratam da complexa burocracia internacional: folhas de pagamento, impostos, benefícios e conformidade legal em dezenas de países.

Por que observar?

O trabalho remoto não é uma moda passageira; é o novo padrão. A Remote cresceu vertiginosamente e tornou-se um dos unicórnios mais rápidos da história de Portugal, facilitando a vida a milhares de nômadas digitais e empresas globais.

Dado Informação
Setor HR Tech (Recursos Humanos)
Origem Totalmente Remota (Raízes em Portugal)
Co-fundador Marcelo Lebre
Inovação Gestão global de emprego e pagamentos (EOR)
Status Unicórnio

6. Gupy (Brasil)

A Inteligência Artificial na Contratação

Encontrar o candidato perfeito é difícil. No Brasil, a Gupy transformou este processo usando Inteligência Artificial. A plataforma gere todo o processo de recrutamento e seleção para grandes empresas, desde a divulgação da vaga até à admissão.

A sua IA, chamada “Gaia”, analisa currículos e testa a compatibilidade dos candidatos com a cultura da empresa, reduzindo drasticamente o tempo de contratação e aumentando a assertividade.

Por que observar?

A Gupy adquiriu concorrentes importantes e consolidou-se como líder na América Latina. Com o mercado de trabalho em constante fluxo, a sua tecnologia de triagem é indispensável para grandes corporações.

Dado Informação
Setor HR Tech
Origem São Paulo, Brasil
Fundadora Mariana Dias
Inovação Algoritmos de IA para triagem de candidatos
Destaque Liderança feminina no setor tecnológico

7. Sensei (Portugal)

O Futuro do Retalho sem Filas

Imagine entrar numa loja, pegar no que precisa e sair sem passar por uma caixa registadora. É isto que a Sensei faz. Baseada em Lisboa, esta startup desenvolve tecnologia de “loja autônoma” para grandes retalhistas.

Utilizando uma combinação avançada de câmaras, sensores e visão computacional, o sistema da Sensei sabe exatamente o que cada cliente retirou da prateleira, cobrando automaticamente através de uma app.

Por que observar?

A Sensei compete diretamente com a tecnologia da Amazon Go, mas oferece a solução para qualquer retalhista existente. Já têm parcerias com grandes cadeias de supermercados na Europa e América do Sul.

Dado Informação
Setor RetailTech (Retalho)
Origem Lisboa, Portugal
Fundadores Vasco Portugal, Joana Rafael, Nuno Moutinho
Inovação Tecnologia “Checkout-free” para lojas físicas
Potencial Alta escalabilidade global

8. Mottu (Brasil)

Mobilidade e Aluguer para a Economia Gig

A Mottu identificou um nicho crucial na economia brasileira: os estafetas e entregadores. Em vez de vender motos, a Mottu aluga-as. Mas faz mais do que isso; cria um ecossistema de suporte para quem trabalha com entregas.

A startup compra as motos, aluga-as a preços acessíveis a quem precisa de trabalhar e oferece manutenção e suporte. Durante a crise económica, tornou-se a porta de entrada no mercado de trabalho para milhares de pessoas.

Por que observar?

O modelo de negócio é resiliente e focado na base da pirâmide. A Mottu cresceu de forma explosiva e já começou a sua expansão internacional, provando que soluções de mobilidade “low-tech” mas inteligentes são altamente lucrativas.

Dado Informação
Setor Logística / Mobilidade
Origem São Paulo, Brasil
Fundador Rubens Zanelatto
Inovação Modelo de subscrição de motos para trabalho
Foco Economia de plataforma (Gig Economy)

9. Barkyn (Portugal)

Bem-estar Canino Personalizado

A Barkyn não é apenas uma loja de comida para cães; é um serviço de saúde e bem-estar. A startup portuguesa combina a entrega de ração personalizada (formulada para as necessidades específicas de cada cão) com um serviço de telemedicina veterinária 24 horas.

O modelo de subscrição garante receitas recorrentes e a proximidade com os donos dos animais cria uma comunidade leal.

Por que observar?

O mercado “Pet” é um dos poucos que cresce mesmo em tempos de crise. A Barkyn tem sabido inovar no produto e na experiência do cliente, expandindo-se com sucesso para Espanha e Itália.

Dado Informação
Setor PetTech / E-commerce
Origem Porto, Portugal
Fundador André Jordão
Inovação Nutrição personalizada + Veterinário online
Mercado Sul da Europa

10. Stark Bank (Brasil)

O Banco dos Bancos e das Startups

Se a Cora serve as PMEs, o Stark Bank foca-se em empresas que precisam de alta tecnologia financeira. É um banco “API-first”, desenhado para ser integrado nos sistemas de grandes empresas e outras startups.

O Stark Bank processa pagamentos em massa, gere cartões corporativos e oferece infraestrutura bancária com uma estabilidade e velocidade que os bancos tradicionais não conseguem acompanhar.

Por que observar?

Foi a primeira startup brasileira investida por Jeff Bezos (fundador da Amazon). O Stark Bank é lucrativo e é a espinha dorsal financeira de muitas outras empresas de sucesso no Brasil, como a QuintoAndar e a Loft.

Dado Informação
Setor Fintech B2B
Origem São Paulo, Brasil
Fundador Rafael Stark
Inovação Infraestrutura bancária via API
Investidor Bezos Expeditions

Tendências Transversais no Espaço Lusófono

Ao analisarmos estas 10 empresas, surgem padrões claros que definem o sucesso no espaço lusófono atual. Estas tendências não só explicam o crescimento destas startups, como apontam o caminho para futuros empreendedores.

1. A Força das Fintechs

Tanto no Brasil como em Portugal e África, o setor financeiro é o rei. Seja para “bancarizar” a população não servida no Brasil ou para gerir criptoativos a nível global a partir de Lisboa, o dinheiro digital é o motor da inovação.

2. Soluções de Impacto Real

Muitas destas startups resolvem problemas básicos. A Appy Saúde resolve o acesso a remédios; a Mottu resolve o acesso ao trabalho; a Sword Health resolve a dor física. As startups lusófonas tendem a ser menos sobre “gadgets” fúteis e mais sobre melhorias estruturais na qualidade de vida.

3. Internacionalização desde o Dia Um

Especialmente para as startups portuguesas (como a Remote e a Sword Health), o mercado interno é pequeno. Isso obriga-as a serem globais desde o nascimento (“Born Global”). As startups brasileiras, por terem um mercado interno gigante, tendem a crescer muito dentro de casa antes de saírem, mas essa mentalidade está a mudar.

O Papel da Web Summit e Hubs de Inovação

Não podemos falar destas startups sem mencionar o ecossistema que as nutre. A mudança da Web Summit para Lisboa em 2016 colocou Portugal no mapa mundial. Cidades como Lisboa, Porto, São Paulo, Florianópolis e, crescentemente, Luanda e Lagos (esta última, embora não lusófona, interage com a região), tornaram-se polos de atração de capital de risco.

Incubadoras como a Startup Lisboa, a Cubo Itaú (Brasil) e aceleradoras focadas em África estão a criar o solo fértil onde estas empresas florescem.

Conclusão: O Futuro é Promissor

A lista das “10 Startups Tecnológicas Lusófonas a Ter Debaixo de Olho” é um testemunho da vitalidade e da diversidade do empreendedorismo em língua portuguesa. Estas empresas provam que a inovação não é exclusiva de Silicon Valley.

Para investidores, o espaço lusófono oferece oportunidades únicas de arbitragem e crescimento acelerado. Para profissionais de tecnologia, estas empresas representam as melhores oportunidades de carreira. E para o público em geral, elas trazem serviços que tornam a vida mais simples, mais saudável e mais conectada.

O ano de 2025 promete ser um ano de consolidação para muitas destas empresas e o ano de nascimento para a próxima geração de unicórnios lusófonos. Manter estas 10 empresas no seu radar é essencial para compreender para onde sopra o vento da inovação tecnológica global