Trump assina ordem executiva rebatizando o Departamento de Defesa como Departamento de Guerra
O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva na sexta-feira, rebatizando o Departamento de Defesa como Departamento de Guerra, retornando ao nome histórico do século 18 que transmite uma imagem mais agressiva e enfatiza a prontidão para conflitos. Essa medida simbólica, explicada por Trump como uma forma de projetar vitória e força incomparável dos Estados Unidos, já começou a ser implementada em comunicações oficiais, embora não altere o nome legal sem aprovação congressional.
Motivações de Trump para a Mudança
Durante seu segundo mandato, Trump expressou repetidamente interesse em restaurar o nome original do departamento, estabelecido em 1789, argumentando que “Departamento de Defesa” soa muito passivo e não captura o verdadeiro propósito de vencer guerras. Em uma sessão com repórteres no Salão Oval logo após a assinatura, ele detalhou que a decisão veio após meses de deliberações internas e consultas com assessores, incluindo o secretário de Defesa. Trump criticou a renomeação histórica como um sinal de fraqueza cultural, afirmando: “Nós vencemos a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, e todas as vitórias antes e entre elas. Então, o governo decidiu se tornar ‘woke’ e mudou o nome para Departamento de Defesa. Agora, estamos voltando ao Departamento de Guerra para mostrar que somos sérios sobre ganhar.”
Essa visão de Trump se alinha com sua retórica de campanha e mandato, onde ele frequentemente enfatiza a superioridade militar americana. De acordo com relatórios da Casa Branca e análises de think tanks como o Heritage Foundation, uma organização conservadora que estuda políticas de defesa, Trump vê essa mudança como parte de um esforço maior para revitalizar o orgulho nacional e dissuadir adversários globais. Ele destacou que os Estados Unidos são “muito mais fortes do que qualquer um imagina”, referenciando investimentos recordes em defesa, como os orçamentos anuais que ultrapassam US$ 800 bilhões, conforme dados do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO). Essa narrativa de força é apoiada por estatísticas do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), que classifica os EUA como o país com o maior gasto militar mundial, representando cerca de 39% do total global em anos recentes.
Além disso, Trump conectou a mudança a uma crítica mais ampla à “cultura woke”, um termo que ele usa para descrever políticas progressistas que, em sua opinião, enfraquecem instituições tradicionais. Historiadores, como aqueles citados em publicações da Smithsonian Institution, observam que o nome original “Departamento de Guerra” refletia uma era em que os EUA estavam se estabelecendo como nação independente, lidando com ameaças internas e externas, incluindo guerras com potências europeias e nações indígenas.
História da Renomeação Original
Para entender o contexto, é essencial revisitar a evolução do nome. O Departamento de Guerra foi criado em 1789 pelo Congresso Continental, logo após a ratificação da Constituição dos EUA, para supervisionar o Exército e a Marinha, gerenciando não apenas combates, mas também explorações territoriais e relações com povos nativos, conforme documentos preservados nos Arquivos Nacionais e Registros da Administração (NARA). Essa estrutura permaneceu até o pós-Segunda Guerra Mundial, quando o presidente Harry Truman, um democrata, assinou a Lei de Segurança Nacional de 1947. Essa lei reorganizou os ramos militares em uma entidade unificada chamada Estabelecimento Militar Nacional (NME), liderada por um secretário de defesa, com o objetivo de melhorar a coordenação e eficiência após as lições da guerra global.
No entanto, em 1949, o Congresso aprovou uma emenda alterando o nome para Departamento de Defesa, motivada por preocupações práticas: a sigla NME soava muito semelhante a “enemy” (inimigo em inglês), o que poderia causar confusão ou constrangimento em comunicações internacionais, de acordo com atas do Congresso disponíveis na Biblioteca do Congresso e relatórios históricos do próprio Departamento de Defesa. Essa mudança refletiu uma transição para uma postura mais defensiva na Guerra Fria, focando em contenção e dissuasão nuclear contra a União Soviética, como analisado em estudos da RAND Corporation, uma organização de pesquisa independente que assessora o governo em assuntos de defesa.
Trump, ao reverter simbolicamente essa mudança, argumenta que o nome “Defesa” dilui o foco em vitórias ofensivas, uma visão ecoada por aliados conservadores que citam sucessos militares históricos, como as campanhas na Europa e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, documentadas em arquivos do Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial.
Papel do Secretário de Defesa Pete Hegseth
Pete Hegseth, o atual secretário de Defesa, tem sido um defensor fervoroso dessa rebranding há meses, promovendo-a como uma forma de instilar um “ethos de guerreiro” nas forças armadas americanas. Veterano do Exército com serviço no Iraque e Afeganistão, e ex-apresentador da Fox News, Hegseth argumenta que o nome “Departamento de Guerra” incentivará uma mentalidade mais proativa e agressiva entre as tropas, em vez de uma abordagem puramente defensiva. Durante a cerimônia de assinatura no Salão Oval, ele afirmou: “Vamos formar guerreiros, não apenas defensores. Esse Departamento de Guerra, senhor presidente, assim como a América, está de volta”, conforme transcrições oficiais da Casa Branca.
Suas visões se baseiam em experiências pessoais e em relatórios sobre moral militar, como os do Government Accountability Office (GAO), que destacam desafios em recrutamento e retenção devido a percepções de burocracia excessiva. Hegseth tem impulsionado reformas internas, incluindo treinamentos mais rigorosos e ênfase em tradições guerreiras, alinhadas com diretrizes do Joint Chiefs of Staff. Fontes credíveis, como artigos da Foreign Policy e análises da Brookings Institution, notam que Hegseth representa uma ala mais hawkish (agressiva) do Partido Republicano, influenciada por figuras como Trump, e que essa mudança pode ajudar a atrair recrutas que valorizam uma imagem de força inabalável.
Detalhes da Ordem Executiva e Implementação Imediata
A ordem executiva de Trump não realiza uma renomeação oficial, pois alterações no nome de departamentos federais exigem legislação congressional, conforme estipulado na Constituição dos EUA e precedentes judiciais revisados pela Suprema Corte e pela American Bar Association (ABA). Em vez disso, ela designa “Departamento de Guerra” como um título secundário oficial, autorizando seu uso em todos os documentos, comunicações e materiais públicos pelo secretário Hegseth e sua equipe. Isso inclui termos como “secretário de guerra” em correspondências, relatórios e pronunciamentos, promovendo uma integração gradual sem violar leis existentes.
Adicionalmente, a ordem manda que todos os departamentos e agências executivas do governo federal reconheçam e acomodem esses títulos em interações internas e externas, o que pode afetar desde e-mails oficiais até relatórios interdepartamentais. Para ilustrar o compromisso, ações foram tomadas imediatamente: enquanto Trump assinava o documento na Casa Branca, o site do departamento foi atualizado para um novo domínio refletindo o nome de guerra, e perfis em redes sociais foram alterados, conforme verificado em plataformas oficiais e relatórios de mídia como o The New York Times.
No Pentágono, Hegseth ordenou a remoção de várias referências ao “Departamento de Defesa“, substituindo placas e sinalizações, incluindo aquelas em frente ao seu escritório, que agora leem “O Escritório do Secretário de Guerra”. Essas mudanças simbólicas visam reforçar a identidade, e especialistas em administração pública da Harvard Kennedy School sugerem que elas podem influenciar a cultura organizacional, embora enfrentem críticas por potencialmente confundir aliados internacionais.
Contexto Histórico Mais Amplo e Implicações Atuais
Essa iniciativa de Trump se insere em um debate mais amplo sobre a identidade militar americana, que evoluiu de uma força focada em expansão territorial no século 19 para uma superpotência global pós-1945. O Departamento de Guerra original lidava com uma gama de responsabilidades, incluindo a gestão de fortificações, suprimentos e até engenharia civil, como a construção de canais e estradas, de acordo com históricos do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA. A transição para “Defesa” em 1949 marcou o início da era da Guerra Fria, com ênfase em alianças como a OTAN e estratégias de contenção, detalhadas em documentos desclassificados do Departamento de Estado.
No contexto atual, com tensões crescentes envolvendo China, Rússia e Oriente Médio, a rebranding pode sinalizar uma postura mais ofensiva, potencialmente afetando negociações diplomáticas, como aquelas no Indo-Pacífico, conforme análises da Council on Foreign Relations (CFR). Críticos, incluindo democratas no Congresso, argumentam que isso promove uma imagem belicista desnecessária, citando pesquisas do Pew Research Center que mostram preocupações públicas com guerras prolongadas como as no Iraque e Afeganistão. Por outro lado, apoiadores veem isso como um boost para o moral, apoiado por estudos da RAND Corporation sobre o impacto de nomes e símbolos em instituições militares.
Trump reforçou que a mudança restaura uma tradição de vitórias, alinhada com investimentos em tecnologias avançadas, como sistemas de mísseis hipersônicos e ciberdefesa, relatados no Relatório Anual de Defesa Nacional. Embora simbólica, ela pode influenciar percepções globais, com aliados na Europa expressando cautela em fóruns como a Assembleia Geral da ONU.
Reações Iniciais e Perspectivas Futuras
Reações à ordem foram mistas. Republicanos no Congresso, como membros do Comitê de Serviços Armados da Câmara, elogiaram a medida como um retorno a raízes americanas, enquanto democratas a criticaram como distração de questões reais, como veteranos e saúde mental, de acordo com declarações no site do Congresso. Analistas da Atlantic Council preveem que, sem aprovação legislativa, a mudança permaneça limitada, mas poderia pavimentar o caminho para debates mais amplos sobre reforma militar.
No futuro, se o Congresso aprovar, isso exigiria emendas à Lei de Segurança Nacional, potencialmente abrindo discussões sobre orçamentos e prioridades, como o foco em inteligência artificial e espaço, conforme relatórios do Defense Innovation Board.
