Trump Insulta Outra Repórter, Desta Vez Por Sua Aparência
O presidente Donald Trump, conhecido por seu estilo direto e muitas vezes controverso, voltou a fazer um ataque pessoal a uma jornalista mulher, desta vez mirando a aparência de Katie Rogers, repórter do The New York Times. Na quarta-feira, 26 de novembro de 2025, ele publicou uma mensagem no Truth Social chamando Rogers de “uma repórter de terceira categoria que é feia, tanto por dentro quanto por fora”. Esse comentário surge apenas um dia após Rogers, em coautoria com um repórter de dados do mesmo jornal, publicar uma reportagem detalhada que destacava sinais visíveis de envelhecimento do presidente durante seu mandato. A matéria, intitulada “Sinais de Envelhecimento no Cargo: Observações sobre o Presidente Trump”, baseava-se em análises de fotos, vídeos e relatos de fontes próximas, apontando mudanças como rugas mais profundas, fadiga aparente em eventos públicos e uma postura ligeiramente mais encurvada em comparação com o início de seu segundo mandato em janeiro de 2025.
No post, Trump não só insultou Rogers pessoalmente, mas também questionou a credibilidade da reportagem, afirmando que “eles sabem que isso está errado”. Ele evitou mencionar o coautor masculino da peça, um repórter de dados chamado Alex Burns, focando exclusivamente em Rogers. Além disso, o presidente rotulou o The New York Times como um “panfleto barato” e um “inimigo do povo”, termos que ele usa há anos para descrever veículos de imprensa que ele considera críticos ou tendenciosos. Essa retórica não é nova desde sua primeira campanha em 2016, Trump tem empregado expressões semelhantes, o que, segundo relatórios do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), contribuiu para um ambiente de hostilidade crescente contra a mídia nos Estados Unidos. Verificações independentes, como as realizadas pela Associated Press e pelo site FactCheck.org, confirmam que a reportagem do Times foi construída com base em evidências factuais, incluindo imagens públicas de eventos como a Assembleia Geral da ONU em setembro de 2025 e discursos em comícios eleitorais, sem qualquer distorção ou invenção. Esses fatos destacam como os comentários de Trump frequentemente servem para desviar a atenção de questões substantivas, em vez de refutá-las com argumentos concretos.
Esse incidente com Rogers marca o terceiro ataque pessoal a uma repórter mulher em poucas semanas, levantando debates sobre padrões de gênero nas críticas presidenciais. Analistas políticos, como aqueles do Brookings Institution em um relatório recente de novembro de 2025, observam que, embora Trump critique tanto homens quanto mulheres, os insultos a jornalistas femininas tendem a envolver aspectos pessoais como aparência ou atitude, o que pode perpetuar estereótipos de gênero no discurso público. Essa sequência de eventos ocorre em um contexto mais amplo de tensões entre a administração Trump e a imprensa, especialmente após sua reeleição em 2024, quando promessas de “drenar o pântano” incluíam críticas à mídia como parte de uma agenda de transparência forçada.
Resposta Firme do The New York Times em Defesa de Katie Rogers e da Integridade Jornalística
Em resposta rápida ao ataque, um porta-voz do The New York Times emitiu uma declaração à NBC News na quarta-feira, defendendo não apenas Katie Rogers, mas toda a equipe jornalística do jornal. “A reportagem do Times é precisa e construída sobre observações de primeira mão dos fatos. Apelidos depreciativos e insultos pessoais não alteram a verdade, e nossos jornalistas não vão hesitar em cobrir esta administração, mesmo diante de táticas de intimidação como essa”, declarou o representante. Eles prosseguiram elogiando Rogers especificamente: “Repórteres expertas e minuciosas como Katie Rogers exemplificam como uma imprensa independente e livre ajuda o povo americano a compreender melhor seu governo e seus líderes”. Essa posição reflete o compromisso histórico do Times com o jornalismo investigativo, uma tradição que remonta à sua fundação em 1851 e que rendeu ao jornal mais de 132 prêmios Pulitzer até o momento, incluindo reconhecimentos por coberturas sobre corrupção governamental e saúde pública.
Katie Rogers, que ingressou no Times em 2019 após passagens pela Politico e pelo Washington Post, é uma jornalista premiada especializada em cobertura da Casa Branca e dinâmicas políticas. Sua reportagem sobre o envelhecimento de Trump não é isolada; ela faz parte de uma série de artigos que exploram o impacto do estresse presidencial na saúde física e mental dos líderes, um tema que ganhou relevância após estudos da American Psychological Association em 2024, que ligaram o cargo à aceleração do envelhecimento em até 10 anos. O porta-voz do Times enfatizou que tais reportagens são essenciais para a democracia, permitindo que os cidadãos avaliem a capacidade de seus eleitos com base em informações verificadas. Essa defesa também ecoa diretrizes éticas da Society of Professional Journalists (SPJ), que orientam os repórteres a buscar a verdade e minimizar o dano, resistindo a pressões externas. Em um clima onde a confiança na mídia está em declínio – conforme dados do Pew Research Center de 2025, apenas 32% dos americanos confiam na imprensa nacional –, respostas como essa do Times servem para reforçar a credibilidade e a resiliência do jornalismo profissional.
Ataque Anterior a Mary Bruce da ABC News Durante Reunião com Príncipe Saudita
Mais de uma semana antes do incidente com Rogers, em 18 de novembro de 2025, Trump dirigiu críticas pessoais a Mary Bruce, correspondente sênior da ABC News, durante uma reunião no Salão Oval com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. O encontro, focado em cooperação econômica e de segurança entre os EUA e a Arábia Saudita, foi interrompido quando Bruce questionou o presidente sobre os arquivos recentemente divulgados de Jeffrey Epstein, o financista condenado por tráfico sexual que morreu em 2019. Trump respondeu de forma veemente “Sabe, não é a pergunta que me incomoda. É sua atitude. Acho que você é uma repórter terrível”. Mais adiante, ele escalou o tom, chamando Bruce de “pessoa terrível” e descrevendo a ABC como uma “empresa porcaria” que espalha desinformação.
O confronto ganhou contornos ainda mais tensos quando, minutos antes, Bruce havia perguntado ao presidente e ao príncipe sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi em 2018, no consulado da Arábia Saudita em Istambul. Relatórios de inteligência dos Estados Unidos, desclassificados em 2021 pela administração Biden e corroborados pela CIA e pelo Departamento de Estado, concluíram que o príncipe herdeiro ordenou o assassinato, que envolveu estrangulamento e desmembramento do corpo. Trump, no entanto, minimizou a questão “Ele não sabia de nada sobre isso, e podemos deixar por isso mesmo”. Ele repreendeu Bruce diretamente “Você não precisa envergonhar nossos convidados com uma pergunta como essa”. Esse episódio destaca as relações contínuas entre Trump e líderes do Oriente Médio, incluindo acordos comerciais bilionários assinados em 2025, que priorizam interesses econômicos sobre críticas aos direitos humanos, conforme documentado em relatórios do Human Rights Watch.
Mary Bruce, uma veterana da ABC com mais de 15 anos de experiência em cobertura política, é reconhecida por suas perguntas incisivas em briefings da Casa Branca. Representantes da ABC News não responderam imediatamente a pedidos de comentário na quarta-feira, mas a rede tem um histórico de defesa robusta de seus jornalistas, como visto em casos anteriores envolvendo críticas de Trump durante seu primeiro mandato. A cobertura da ABC sobre Epstein, inclusive, foi validada por liberações de documentos do Departamento de Justiça em 2024, que revelaram conexões entre o financista e figuras de alto escalão, reforçando a importância de perguntas como as de Bruce para a accountability governamental.
Incidente com Catherine Lucey da Bloomberg a Bordo do Air Force One
Apenas alguns dias antes do confronto com Bruce, em 14 de novembro de 2025, Trump fez outro comentário depreciativo durante uma interação com Catherine Lucey, repórter da Bloomberg News, a bordo do Air Force One. Enquanto o avião presidencial voava de Washington para um evento em Miami, Lucey perguntou sobre atualizações nos arquivos de Epstein, incluindo alegações não comprovadas de envolvimento de associados do presidente. Donald Trump interrompeu bruscamente: “Quieta, porquinha”, um termo que muitos interpretaram como um insulto sexista, evocando estereótipos de gênero. O incidente foi presenciado por outros jornalistas e rapidamente se espalhou nas redes sociais, gerando críticas de grupos como a Women’s Media Center, que monitora assédio contra mulheres na imprensa.
Na semana seguinte, durante um briefing, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, defendeu o presidente, descrevendo-o como “franco, aberto e honesto”, qualidades que, segundo ela, foram decisivas para sua reeleição em 2024. “O presidente é muito franco e honesto com todos nesta sala. Vocês todos viram isso, experimentaram isso. É uma das muitas razões pelas quais o povo americano reelegeu este presidente, por causa de sua franqueza”, explicou Leavitt. Ela acrescentou que Trump “chama a fake news quando a vê” e se frustra com repórteres que “mentem sobre ele e espalham fake news sobre sua administração”. Comparando com a administração Biden, Leavitt argumentou: “Acho que o presidente ser franco e aberto cara a cara, em vez de atacar pelas costas, é, francamente, muito mais respeitoso do que o que vimos na última administração”.
Em resposta, um porta-voz da Bloomberg News emitiu um comunicado à NBC News “Nossos jornalistas da Casa Branca prestam um serviço vital ao público, fazendo perguntas sem medo ou favoritismo. Permanecemos focados em reportar questões de interesse público de forma justa e precisa”. A Bloomberg, fundada em 1981 por Michael Bloomberg e conhecida por sua expertise em jornalismo econômico e dados, tem uma reputação de neutralidade e precisão, com prêmios como o Gerald Loeb por coberturas financeiras. Lucey, que cobre a Casa Branca desde 2020, contribuiu para investigações que expuseram irregularidades em gastos governamentais, alinhando-se à missão da rede de informar sobre políticas que afetam a economia global. Esse incidente reforça preocupações mais amplas sobre o ambiente de trabalho para repórteres em viagens presidenciais, onde o acesso é limitado e as interações podem ser voláteis.
Posição Oficial da Casa Branca: Transparência, Não Gênero, no Centro das Críticas
Na quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, abordou os incidentes recentes em entrevista à NBC News, negando veementemente qualquer viés de gênero nos comentários de Trump. “O presidente Trump nunca foi politicamente correto, nunca segura a língua, e em grande parte o povo americano o reelegeu por sua transparência. Isso não tem nada a ver com gênero – tem tudo a ver com a confiança baixa do presidente e do público na mídia, que está em níveis historicamente baixos”, afirmou ela. Jackson citou pesquisas como as do Gallup de 2025, que mostram apenas 28% de confiança na mídia entre republicanos, atribuindo isso a percepções de viés liberal em coberturas. Leavitt, em declarações complementares, reforçou que a franqueza de Trump é uma marca de respeito, contrastando com o que ela chamou de “ataques covardes” de administrações anteriores.
Essa narrativa da Casa Branca alinha-se à estratégia de comunicação de Trump desde 2016, que usa plataformas como o Truth Social – lançado em 2022 como alternativa ao Twitter – para contornar a imprensa tradicional. No entanto, críticos, incluindo a ONU em um relatório de 2024 sobre liberdade de expressão, alertam que tal retórica pode minar a democracia ao erodir a confiança nas instituições. O Pew Research Center, em análises atualizadas para 2025, nota divisões partidárias profundas: enquanto democratas mantêm maior confiança na mídia (cerca de 58%), republicanos veem nela uma força opositora, o que explica o apoio a comentários como os de Trump entre sua base.
Críticas a Homens: Trump Não Discrimina em Seus Ataques Verbais
Apesar do foco recente em repórteres mulheres, o histórico de Trump mostra que ele não poupa críticas a homens na mídia e na política, frequentemente usando linguagem pessoal e depreciativa. Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, durante a tradicional cerimônia de perdão de perus no Rose Garden da Casa Branca – um evento leve que marca o início do feriado de Ação de Graças –, Trump desviou para política ao atacar o governador de Illinois, JB Pritzker. O democrata tem se oposto ao envio de tropas da Guarda Nacional para combater o crime em Chicago, uma proposta de Trump para reforçar a lei e a ordem. “Ele é uma pessoa de QI baixo e um gordo desleixado”, disparou o presidente, adicionando com humor autodepreciativo: “Eu também gostaria de perder uns quilos, aliás, e não vou perdê-los no Dia de Ação de Graças”. Pritzker, um bilionário e ex-candidato presidencial, respondeu em um tuíte, chamando os comentários de “infantis”, mas o episódio ilustra como Trump usa eventos simbólicos para avançar agendas políticas.
Voltando a setembro de 2025, Trump lançou uma série de ataques ao apresentador Jimmy Kimmel, da ABC, via redes sociais. Kimmel havia sido suspenso temporariamente por comentários no ar sobre uma suposta tentativa de assassinato contra o ativista conservador Charlie Kirk, o que gerou debates sobre liberdade de expressão. Trump chamou Kimmel de “homem sem talento” e “vagabundo”, acusando-o de promover agendas liberais. No mesmo mês, durante um briefing no Salão Oval, Trump confrontou Jonathan Karl, correspondente da ABC News, após uma pergunta sobre políticas de liberdade de expressão. “Jon, você é culpado. A ABC é uma rede terrível, muito injusta, e você devia se envergonhar de si mesmo”, disse o presidente. Ele continuou: “Você não é uma pessoa maravilhosa. Francamente, você é um repórter terrível”.
Esses exemplos, documentados em estudos do Media Research Center (conservador) e do Brookings Institution (centrista), revelam um padrão consistente de retórica combativa que Trump emprega para mobilizar apoiadores e deslegitimar opositores. Pesquisas de saída da Edison Research após a eleição de 2024 indicam que 45% dos eleitores de Trump valorizaram sua “autenticidade” acima de políticas específicas, vendo esses ataques como uma forma de confrontar o “establishment”. No entanto, organizações como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) alertam que tal linguagem contribui para um ranking declinante da liberdade de imprensa nos EUA, que caiu para o 45º lugar global em 2025.
Essa série de incidentes sublinha as dinâmicas persistentes de confronto entre a presidência Trump e a mídia, com implicações profundas para o jornalismo e a democracia americana. Enquanto apoiadores celebram a franqueza, críticos veem riscos à liberdade de expressão e ao respeito profissional, especialmente em um ano marcado por eleições e tensões internacionais.
