10. Crescimento do Turismo, Cultura e Hotelaria em Portugal em 2026
Portugal prepara-se para um ano histórico em 2026. O setor do turismo, que tem sido o motor da economia nacional, não mostra sinais de abrandamento. Pelo contrário, entra numa fase de maturidade, sustentabilidade e valorização cultural. Se planeia investir, visitar ou trabalhar neste setor, este é o momento certo para entender o que o futuro reserva.
Este artigo detalhado explora todas as facetas do crescimento esperado para 2026, desde a ascensão dos Açores como palco cultural até à revolução na hotelaria de luxo.
1. Visão Geral: O Otimismo e os Números de 2026
O ano de 2026 promete consolidar Portugal como um dos destinos mais robustos da Europa. As previsões são claras e o otimismo reina entre os especialistas. Após a recuperação pós-pandemia, o país deixou de competir apenas pelo “preço baixo” e passou a competir pela “qualidade da experiência“.
Crescimento Sustentado
Segundo análises recentes de consultoras como a ABKS, prevê-se um crescimento de 12% no setor do turismo em 2026. Este aumento não se deve apenas ao número de visitantes, mas sim ao valor que cada turista deixa no país.
O foco mudou. Agora, o objetivo é atrair turistas que ficam mais tempo e gastam mais, em vez de apenas encher hotéis no verão. A sazonalidade está a diminuir. Os meses de verão já representam apenas cerca de 36% a 37% das dormidas totais, o que significa que Portugal é, cada vez mais, um destino para todo o ano.
Tabela: Previsões Económicas do Turismo para 2026
| Indicador | Previsão / Valor Estimado |
| Crescimento do Setor | +12% em comparação com anos anteriores |
| Contribuição para o PIB | Estima-se acima de 21% do PIB nacional |
| Receitas Turísticas | Tendência de alta (foco em valor vs. volume) |
| Sazonalidade | Redução da dependência dos meses de Julho/Agosto |
Esta estabilidade atrai investidores estrangeiros. A segurança do país, o clima ameno e a hospitalidade continuam a ser os pilares que sustentam estes números impressionantes.
2. Ponta Delgada: A Capital Portuguesa da Cultura 2026
Se 2025 foi o ano de Braga, 2026 será o ano de Ponta Delgada. A maior cidade do arquipélago dos Açores foi escolhida para ser a Capital Portuguesa da Cultura em 2026. Este título é uma oportunidade de ouro para o turismo nas ilhas e para a descentralização da oferta cultural.
O Holofote no Atlântico
Ser Capital da Cultura significa muito mais do que ter concertos e exposições. Significa investimento, reabilitação urbana e visibilidade internacional. Ponta Delgada receberá um apoio financeiro direto de 2 milhões de euros do Governo da República para dinamizar a sua programação.
O objetivo é democratizar a cultura. A cidade quer usar este evento para projetar não só o seu nome, mas a identidade de todos os Açores à escala global. Espera-se que milhares de visitantes viajem para a ilha de São Miguel especificamente para estes eventos, impulsionando a economia local, os restaurantes e o alojamento local.
O Que Esperar em Ponta Delgada?
- Eventos Únicos: Fusão entre a tradição açoriana e arte contemporânea.
- Turismo Literário e Artístico: Valorização de figuras locais como Natália Correia e Antero de Quental.
- Sustentabilidade: Eventos que respeitam a natureza exuberante da ilha.
Esta distinção prepara também o terreno para Évora, que será Capital Europeia da Cultura em 2027, criando uma ponte cultural contínua em Portugal durante estes anos.
3. Explosão na Hotelaria: 114 Novos Hotéis a Caminho
O setor hoteleiro está a viver um verdadeiro “boom”. Os investidores confiam no destino Portugal e isso reflete-se no número de obras em curso. De acordo com o relatório da Lodging Econometrics, Portugal terá cerca de 114 novos hotéis a abrir até 2026, adicionando mais de 14.000 quartos à oferta nacional.
Lisboa Lidera, mas o Interior Cresce
Lisboa continua a ser a “joia da coroa”. A capital portuguesa é a terceira cidade na Europa com mais projetos hoteleiros em carteira, apenas atrás de gigantes como Londres e Istambul. Serão cerca de 36 novos hotéis apenas na região de Lisboa.
No entanto, há uma novidade: a diversificação geográfica. Grandes marcas internacionais estão a olhar para fora dos grandes centros.
O Exemplo da Hilton
A cadeia Hilton, uma das mais prestigiadas do mundo, anunciou a abertura de três novas unidades estratégicas entre 2025 e 2026:
- Vilamoura (Algarve): Sob a marca Canopy by Hilton, focado no lazer e luxo.
- Santiago do Cacém (Alentejo): Sob a marca Tapestry Collection, uma aposta clara na Costa Vicentina e no turismo de natureza.
- Lisboa: Um DoubleTree by Hilton perto do aeroporto, focado no viajante de negócios.
Tabela: Novos Projetos Hoteleiros (Destaques)
| Região | Nº de Novos Projetos (Estimado) | Tipo de Turismo |
| Lisboa | 36 hotéis | Negócios, Luxo, City Break |
| Algarve | Vários projetos de renome | Sol e Mar, Golfe, Lazer Premium |
| Alentejo | Crescimento sustentado | Ecoturismo, “Slow Travel” |
| Norte/Porto | Consolidação da oferta | Cultura, Gastronomia, Vinhos |
4. O Mercado de Trabalho: Salários e Valorização
Um setor forte precisa de trabalhadores qualificados. Durante anos, o turismo foi associado a salários baixos, mas a realidade de 2026 começa a mostrar sinais de mudança, especialmente nos cargos de gestão e especialização.
A Luta pelo Talento
Com a abertura de tantos hotéis de luxo, a guerra pelo talento intensificou-se. Um estudo da Michael Page aponta que, em 2026, os salários para posições de topo na hotelaria (como Diretores Gerais de hotéis de 5 estrelas) podem superar os 100 mil euros anuais.
Isto reflete a necessidade de profissionalização. Os hotéis não procuram apenas quem “fale inglês”; procuram gestores de receitas (Revenue Managers), especialistas em marketing digital e chefes de cozinha criativos.
Retenção de Equipas
Para quem trabalha na base operacional (receção, serviço de mesa), o desafio continua a ser a melhoria das condições. No entanto, as grandes cadeias estão a oferecer mais benefícios, como seguro de saúde, formação contínua e prémios de produtividade, para evitar a alta rotatividade de pessoal.
5. Orçamento do Estado 2026 e Investimento Público
O Governo português reconhece a importância do turismo e preparou o Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) com verbas reforçadas para a promoção do país.
Aposta na Promoção Internacional
Estão previstos cerca de 442 milhões de euros para a promoção internacional do destino Portugal. O objetivo não é apenas dizer “venham cá”, mas sim abrir novas rotas aéreas. O governo quer ligar Portugal diretamente a mercados distantes e de alto rendimento, como a Coreia do Sul, o Japão e mais cidades nos EUA.
Coesão Territorial
Além da promoção externa, há uma fatia de 90 milhões de euros dedicada ao turismo regional. A ideia é simples: levar os turistas para o interior.
- Melhorar a ferrovia para que seja fácil ir de Lisboa à Guarda ou a Beja.
- Criar produtos turísticos nas aldeias históricas e de xisto.
- Apoiar a digitalização das pequenas empresas turísticas do interior.
Tabela: Investimento Público no Turismo (OE2026)
| Área de Investimento | Valor Alocado | Objetivo Principal |
| Promoção Internacional | € 442 Milhões | Atrair mercados de alto valor e novas rotas aéreas |
| Turismo Regional | € 90 Milhões | Descentralizar o turismo e apoiar o interior |
| Turismo de Portugal | Reforço de 12% | Execução da “Estratégia Turismo 2035” |
6. Tendências de Viagem para 2026
O turista de 2026 não é o mesmo de 2019. Ele é mais exigente, mais digital e mais consciente. As empresas que não se adaptarem a estas tendências ficarão para trás.
Sustentabilidade e ESG
A sigla ESG (Environmental, Social, and Governance) já não é apenas para grandes bancos. Os hotéis estão a ser pressionados a reduzir a pegada de carbono. Em 2026, espera-se que muitos viajantes escolham onde dormir com base nas certificações ecológicas do hotel. O uso de plásticos é proibido em quase toda a operação e a eficiência energética é a norma.
O Viajante Sénior
A população europeia está a envelhecer, e isso cria um novo segmento: o “Turismo Sénior Premium“. São reformados com saúde, tempo e dinheiro, que viajam na época baixa (março, abril, outubro). Portugal, com a sua segurança e sistema de saúde de qualidade, é o destino nº 1 para este público.
Tecnologia Invisível
A tecnologia servirá para facilitar, não para complicar.
- Check-in automático no telemóvel.
- Chaves de quarto digitais.
- Atendimento personalizado via Inteligência Artificial antes da chegada.
Tudo isto permite que os funcionários humanos se foquem no que as máquinas não fazem: sorrir e acolher.
7. Desafios a Superar
Nem tudo são facilidades. O crescimento traz dores de crescimento que Portugal terá de gerir com inteligência em 2026.
O Novo Aeroporto
A eterna discussão sobre o novo aeroporto de Lisboa continua a ser um entrave. Com o aeroporto Humberto Delgado a operar acima da capacidade, a expansão da conectividade aérea tem limites físicos que precisam de soluções urgentes.
Habitação vs. Alojamento Local
O equilíbrio entre o turismo e a vida dos residentes locais continua sensível. Em 2026, espera-se uma regulação mais madura do Alojamento Local, que permita o turismo sem expulsar os moradores dos centros históricos. Cidades como Lisboa e Porto continuarão a ter restrições, enquanto o interior incentivará este tipo de investimento.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Qual é a Capital Portuguesa da Cultura em 2026?
A cidade de Ponta Delgada, nos Açores, será a Capital Portuguesa da Cultura em 2026, sucedendo a Braga (2025) e Aveiro (2024).
- Quantos novos hotéis vão abrir em Portugal até 2026?
Estima-se a abertura de cerca de 114 novos hotéis em todo o país até ao final de 2026, com grande destaque para a região de Lisboa.
- O turismo em Portugal vai crescer em 2026?
Sim, as previsões indicam um crescimento de cerca de 12%, impulsionado pelo aumento da receita média por turista e pela redução da sazonalidade.
- Quais são as principais tendências de turismo para 2026?
As principais tendências são o turismo sustentável (ESG), o crescimento do turismo sénior, a digitalização das experiências e a procura por destinos de natureza (“Slow Travel”).
- Qual o peso do turismo no PIB português?
O turismo deverá representar mais de 21% do PIB nacional em 2026, consolidando-se como um dos setores mais importantes da economia.
Palavras Finais
O ano de 2026 desenha-se como um período de afirmação para Portugal. O país já não é um “segredo bem guardado” da Europa, mas sim um líder consolidado no turismo mundial.
A escolha de Ponta Delgada como Capital da Cultura traz justiça ao potencial incrível dos Açores. A abertura de mais de uma centena de hotéis prova que o dinheiro inteligente confia na estabilidade portuguesa. E, acima de tudo, a aposta na qualificação e nos salários mostra que o setor quer deixar de ser precário para ser uma carreira de futuro.
Para quem nos visita, Portugal em 2026 será mais verde, mais digital e mais cultural. Para quem aqui vive e investe, será um ano de oportunidades, desde que se saiba navegar a onda da qualidade e da autenticidade. O futuro é promissor e fala português.
