Netanyahu diz que espera anunciar a liberação de reféns nos ‘próximos dias’
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou publicamente que espera anunciar a libertação de todos os reféns mantidos em Gaza “nos próximos dias”, possivelmente durante as festividades judaicas de Sucot, que começam na segunda-feira, 6 de outubro de 2025, e se estendem até o dia 13. Em uma declaração transmitida pela televisão no sábado, 4 de outubro, Netanyahu destacou que a pressão militar e diplomática exercida sobre o Hamas forçou o grupo a concordar com a liberação dos cativos, reforçando que essa operação será coordenada de forma a garantir a segurança das tropas israelenses. Ele também insistiu veementemente que o Hamas será desarmado e que Gaza será completamente desmilitarizada, afirmando que isso ocorrerá “seja pelo caminho fácil ou pelo difícil, mas será alcançado de qualquer forma”, uma referência direta às demandas centrais do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos.
Essas declarações de Netanyahu surgiram logo após o Hamas publicar um comunicado oficial na sexta-feira, 3 de outubro, no qual o grupo concordou em libertar os reféns como parte de um plano de paz americano, embora sem abordar explicitamente o desarmamento e solicitando negociações adicionais sobre questões como a governança futura de Gaza e os direitos palestinos. No sábado, o Hamas acusou Israel de prosseguir com “massacres” em Gaza, citando ataques aéreos matinais que resultaram em vítimas civis, e apelou urgentemente à comunidade internacional para exercer pressão sobre o governo israelense a fim de avançar nas negociações de cessar-fogo. De acordo com relatórios de fontes como a BBC e a Al Jazeera, essas acusações destacam a tensão contínua, com o Hamas enfatizando que qualquer acordo deve incluir garantias de uma retirada total das forças israelenses e a proibição de uma retomada da guerra após a troca de prisioneiros. As negociações indiretas para um possível cessar-fogo, mediadas por Egito, Catar e Estados Unidos, estão programadas para iniciar no Egito, possivelmente em Cairo, na segunda-feira, 6 de outubro, com delegações de ambas as partes se preparando para discutir detalhes técnicos da implementação do plano.
Detalhes do Plano de Paz de Trump e Pressão Americana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assumiu o cargo em janeiro de 2025 após sua reeleição em novembro de 2024, interveio de forma ativa e pessoal no conflito, declarando que “não tolerará atrasos” por parte do Hamas para concluir um acordo definitivo. Em uma postagem em sua plataforma Truth Social na sexta-feira, Trump advertiu: “O Hamas precisa agir rápido, ou todas as apostas estão canceladas… Vamos resolver isso, RÁPIDO”, estabelecendo um prazo até as 18h de domingo, 5 de outubro, para aceitação do plano, sob ameaça de “um inferno como nunca antes” caso haja recusa. Mais tarde, ele compartilhou uma atualização afirmando que Israel “concordou com a linha inicial de retirada”, referindo-se a um mapa publicado pela Casa Branca que delineia fases de desengajamento militar israelense em Gaza: a primeira fase deixaria cerca de 55% do território ocupado, a segunda reduziria para 40%, e a fase final manteria apenas 15% como zona de buffer de segurança.
O plano de 20 pontos apresentado por Trump na segunda-feira, 29 de setembro, na Casa Branca, na presença de Netanyahu, propõe um cessar-fogo imediato e a liberação, em até 72 horas, de 20 reféns israelenses vivos mantidos pelo Hamas – além dos restos mortais dos presumidos mortos – em troca de 250 prisioneiros palestinos detidos em Israel e cerca de 1.700 gazenses capturados durante a ofensiva militar. O documento também exige a transferência da governança de Gaza para um “Conselho de Paz” composto por tecnocratas palestinos independentes, apoiados por consenso nacional palestino e nações árabes e islâmicas, com proibições explícitas ao controle do Hamas no território e à presença de armas ou militância. Trump destacou que o plano vai além de Gaza, visando uma “paz duradoura” na região, e agradeceu a cooperação de estados árabes e muçulmanos na formulação, prometendo tratamento justo para todas as partes envolvidas. Enviados americanos, como Jared Kushner e Steve Witkoff, já viajam para o Egito para finalizar arranjos logísticos e reforçar os esforços de mediação.
Fontes como o New York Times e a CNN relatam que a reação rápida e positiva de Trump à resposta do Hamas – incluindo a republicação integral do comunicado do grupo em suas redes sociais – pegou Netanyahu de surpresa, com oficiais israelenses descrevendo a iniciativa como uma “surpresa dupla”, já que o primeiro-ministro considerava inicialmente a declaração do Hamas como uma rejeição parcial do framework. Apesar disso, o gabinete de Netanyahu confirmou que Israel está preparando imediatamente a implementação da primeira fase, em colaboração total com a administração Trump, mantendo os princípios israelenses alinhados à visão do presidente americano.
Resposta Parcial do Hamas e Demandas Pendentes
O Hamas, sob forte pressão internacional e com um prazo imposto por Trump, emitiu uma resposta “sim, mas” ao plano, concordando em libertar todos os 48 reféns restantes – 20 dos quais acreditados vivos – tanto vivos quanto mortos, desde que “as condições no campo para a troca sejam atendidas”. O grupo também aceitou a ideia de transferir o controle de Gaza para um corpo de tecnocratas palestinos, baseado em consenso nacional e apoio de nações árabes e islâmicas, marcando uma concessão significativa em relação à governança futura. No entanto, o Hamas não se comprometeu explicitamente com o desarmamento ou a desmilitarização total de Gaza, uma das demandas centrais de Israel e Trump, e insistiu em negociações adicionais sobre “questões conectadas à postura nacional palestina, baseadas em leis e resoluções internacionais relevantes”.
De acordo com o conselheiro de mídia do Hamas, Tahir al-Nounou, em entrevista à BBC, o grupo está disposto a entrar em discussões imediatas via mediadores para explorar os detalhes do acordo, mas enfatiza que temas como o futuro de Gaza e os direitos inerentes do povo palestino exigem um framework mais amplo. A Jihad Islâmica, aliada do Hamas, também aprovou o plano, o que poderia facilitar a liberação de reféns detidos por ambos os grupos, adicionando um elemento positivo às negociações. Relatórios da Al Jazeera e da WAFA confirmam que o Hamas busca garantias firmes de uma retirada israelense completa e promessas de que a ofensiva não será retomada pós-libertação, sabendo que os reféns servem como escudo contra ataques adicionais; sem eles, o grupo se tornaria vulnerável. Essa posição reflete objeções persistentes que bloquearam acordos anteriores, como os mediados pelo Catar e Egito em 2024, onde divergências sobre fases de cessar-fogo e reconstrução de Gaza impediram avanços concretos.
Otimismo Cauteloso, Obstáculos Políticos e Divisões Internas
Em ambos os lados do conflito – de Gaza a Israel –, há um otimismo cauteloso de que esses esforços possam finalmente resultar em um acordo duradouro, especialmente com o envolvimento direto de Trump, que busca ser lembrado historicamente como o arquiteto do fim da guerra. O presidente americano tem pressionado publicamente o Hamas com ameaças de escalada militar e demonstrado irritação crescente com a liderança israelense por atrasos percebidos, o que contrasta com negociações anteriores sem tal pressão pessoal. No entanto, analistas do Haaretz e do The Guardian alertam que o “efeito Trump” pode não ser suficiente para superar obstáculos enraizados, como as demandas do Hamas por garantias contra uma retomada da guerra e a relutância israelense em ceder controle total sem desarmamento verificável.
Suspeitas abundam: muitos em Israel e no exterior acusam Netanyahu de sabotar tentativas prévias de acordo para prolongar o conflito por motivos políticos, visando manter sua coalizão no poder. O primeiro-ministro é apoiado por ministros ultranacionalistas, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, que ameaçaram renunciar se a guerra terminar sem a “derrota total” do Hamas, potencialmente colapsando o governo e forçando novas eleições. Por ora, Netanyahu parece estável, mas pesquisas do Instituto de Democracia de Israel e do Canal 12 mostram que cerca de 70% dos israelenses apoiam um acordo para libertar os reféns e encerrar a guerra, refletindo exaustão nacional após quase dois anos de conflito. O país está profundamente dividido, com protestos semanais em Jerusalém exigindo ação rápida, e cada vez mais isolado diplomaticamente, com críticas da ONU e da União Europeia sobre o impacto humanitário.
Economicamente, a guerra custou bilhões a Israel em gastos militares e perda de turismo, enquanto Gaza enfrenta colapso total, com 90% da infraestrutura destruída e fome afetando milhões, de acordo com relatórios da ONU. Há um ímpeto enorme para o acordo, impulsionado pela proximidade das festas de Sucot, mas sem garantias de sucesso, especialmente com negociações técnicas pendentes em Cairo.
Reações Humanas: Esperança e Medo nas Famílias e em Gaza
Famílias dos reféns expressaram à BBC uma mistura de esperança renovada e ansiedade profunda após a resposta do Hamas. Vicky Cohen, mãe de Nimrod Cohen, um dos 20 cativos presumidos vivos em Gaza, descreveu acordar no sábado com “uma sensação de expectativa, mas também medo de que algo dê errado”. “É uma situação frágil, e não queremos nos decepcionar novamente. Ainda assim, sinto esperança de que logo verei Nimrod e poderei abraçá-lo de novo”, disse ela, ecoando o sentimento de dezenas de famílias que acampam há meses em protestos perto da residência de Netanyahu em Jerusalém. Ana Ben-Gal, uma manifestante regular, comentou: “Só queremos que eles voltem. Parece que Trump está perdendo a paciência, o que é bom porque nos impulsiona adiante. Espero que Netanyahu sinta que não tem outra opção senão prosseguir”.
Entre os palestinos em Gaza, as reações variam de otimismo histórico a suspeita profunda de uma armadilha israelense. Alguns residentes temem que o Hamas tenha aceitado termos que permitam a Israel recuperar os reféns apenas para reiniciar a ofensiva, enquanto outros veem uma chance real de encerrar dois anos de devastação. Ibrahim Fares, um morador de Gaza entrevistado pela BBC, alertou: “Não se deixe levar pelo otimismo. Haverá rodadas de negociações sobre os detalhes. O diabo está sempre nos detalhes”. Relatos da Al Jazeera indicam que a aprovação de líderes como o presidente francês Emmanuel Macron – que disse que “a liberação de todos os reféns e um cessar-fogo em Gaza estão ao alcance” – e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que chamou a resposta do Hamas de “um passo significativo adiante”, trouxeram alívio, junto com apoios de Jordânia, Catar, Egito e Turquia.
Ataques em Andamento e o Contexto Amplo da Guerra
Apesar das esperanças diplomáticas, os ataques militares israelenses prosseguem em Gaza, contrariando apelos de Trump para que Israel “pare imediatamente os bombardeios” a fim de garantir a saída segura dos reféns. Na manhã de sábado, três ataques aéreos atingiram a Cidade de Gaza, com um deles matando uma pessoa e ferindo várias outras, conforme fontes médicas do Hospital al-Shifa, um dos poucos centros de saúde ainda operacionais na região. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, reportou 66 mortes por operações israelenses nas últimas 24 horas, elevando o total de vítimas desde o início da guerra para 67.074, uma cifra que inclui civis, combatentes e crianças, e que é contestada por Israel, mas corroborada por organizações como a ONU.
Jornalistas internacionais permanecem proibidos por Israel de entrar na Faixa de Gaza de forma independente desde o ataque inicial do Hamas em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 reféns foram capturados no sul de Israel, tornando a verificação independente de reivindicações um desafio constante, como alertado pela Repórteres Sem Fronteiras. Em retaliação, Israel lançou uma campanha militar extensa, que resultou no deslocamento repetido de mais de 90% da população de Gaza – cerca de 2,3 milhões de pessoas – e na destruição ou dano de mais de 90% das residências, escolas e hospitais, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde e da ONU. Essa ofensiva transformou Gaza em uma zona de crise humanitária aguda, com escassez de alimentos, água e medicamentos, e tem isolado Israel em fóruns globais, com resoluções da Assembleia Geral da ONU condenando as ações como desproporcionais.
O conflito, que dura quase dois anos, tem raízes em décadas de tensões, mas o ataque de 7 de outubro catalisou a escalada atual, com ambos os lados sofrendo perdas irreparáveis e a região inteira – incluindo Líbano e Cisjordânia – afetada por instabilidade spillover. Com as negociações em Cairo iminentes, o mundo observa se o plano de Trump pode romper o ciclo de violência, ou se divergências sobre desarmamento e governança perpetuarão o impasse.
Informações da BBC e do The Hindu.
