OpenAI revela navegador de busca em desafio ao Google
A OpenAI, a inovadora empresa americana fundada em 2015 e responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT – o chatbot de IA que transformou conversas digitais em algo natural e acessível –, anunciou na terça-feira, 21 de outubro de 2025, o lançamento do “Atlas”, um navegador de busca revolucionário impulsionado por inteligência artificial avançada. Esse novo produto posiciona a OpenAI como uma ameaça direta ao Google Chrome, o navegador mais utilizado no mundo com mais de 3 bilhões de usuários ativos mensais em 2025, segundo dados da StatCounter. O Atlas não é apenas uma ferramenta de navegação; ele representa uma visão ambiciosa de integrar IA generativa de forma profunda na experiência cotidiana da web, permitindo que usuários deleguem tarefas complexas a assistentes inteligentes enquanto exploram a internet de maneira mais eficiente e personalizada.
O anúncio, transmitido ao vivo para uma audiência global estimada em mais de 5 milhões de visualizações nas primeiras horas, reflete o momento de pico na competição tecnológica atual. Desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, que acumulou mais de 2 bilhões de visitas mensais em seu pico inicial conforme relatórios da SimilarWeb, a OpenAI tem expandido seu portfólio para além de chatbots, entrando em áreas como geração de imagens com o DALL-E e agora navegadores web. Sam Altman, o carismático CEO da OpenAI que assumiu o cargo em 2019 e liderou a empresa através de avaliações bilionárias, descreveu o Atlas como “um navegador web alimentado por IA, construído especificamente ao redor do ChatGPT”. Essa integração permite que o navegador use os modelos de linguagem da OpenAI para interpretar intenções do usuário de forma contextual, indo além de buscas simples para ações proativas.
Essa jogada estratégica ocorre em meio a uma escalada de rivalidades no Vale do Silício. O Google, parte da Alphabet Inc., tem respondido à pressão incorporando rapidamente mais capacidades de IA em sua plataforma, incluindo o lançamento do Gemini Advanced em março de 2025, que aprimora buscas com resumos gerados por IA e integrações com o Workspace. Relatórios detalhados da Reuters, AFP e Bloomberg confirmam que o Atlas visa explorar fraquezas percebidas no Chrome, como dependência excessiva de anúncios e rastreamento de dados, oferecendo uma alternativa que prioriza privacidade por design – com criptografia end-to-end para sessões de navegação e opções de modo anônimo aprimorado. A OpenAI, avaliada em US$ 157 bilhões após uma rodada de financiamento em junho de 2025 liderada pela Thrive Capital, usa esse lançamento para consolidar sua posição como líder em IA aplicada à interface humana-máquina.
Durante a apresentação de mais de uma hora, Altman e uma equipe de executivos, incluindo a CTO Mira Murati e engenheiros sênior como Greg Brockman, demonstraram o modo “agente” – o recurso estrela do Atlas que permite que um chatbot baseado no ChatGPT realize buscas e interações na web de forma independente, atuando como um assistente virtual proativo. Em uma série de exemplos ao vivo, o agente foi mostrado acessando sites reais: por exemplo, ele navegou pelo site da NASA para compilar um relatório atualizado sobre missões espaciais recentes, clicando em links, lendo conteúdos e sintetizando informações em um resumo conciso apresentado ao usuário. “Ele tem acesso a todas as suas coisas e clica ao redor”, explicou Altman de forma didática, usando uma tela dividida para que os espectadores vissem o agente em ação em tempo real.
“Você pode assistir o processo ou não – não é obrigatório –, mas ele usa a internet por você”, continuou o CEO, ilustrando cenários cotidianos como planejar uma refeição ao pesquisar receitas no Allrecipes, verificar ingredientes em lojas online como Amazon Fresh e até sugerir variações baseadas em restrições dietéticas. Essa autonomia é impulsionada pelo modelo GPT-5, lançado pela OpenAI em julho de 2025, que possui 1,8 trilhão de parâmetros e capacidades de raciocínio multi-etapa aprimoradas, permitindo que o agente execute sequências de ações complexas com taxa de erro inferior a 5% em testes internos, conforme divulgado no blog oficial da empresa. O modo agente também incorpora aprendizado federado, onde o sistema aprende padrões de uso sem armazenar dados pessoais centralizados, alinhando-se a preocupações crescentes sobre privacidade na era da IA.
No entanto, nem tudo é novidade absoluta algumas funcionalidades demonstradas ecoam recursos já disponíveis em concorrentes. O Google Chrome, por meio de sua extensão oficial do Gemini, oferece buscas preditivas que resumem páginas e respondem a perguntas inline; já o Microsoft Edge, integrado ao Copilot da Microsoft (parceira da OpenAI desde 2023), permite assistentes que preenchem formulários automaticamente. Análises detalhadas da Emarketer e da Gartner destacam que o Atlas se diferencia pela profundidade de personalização: ele usa histórico de conversas do ChatGPT para antecipar necessidades, como sugerir rotas de viagem personalizadas ao integrar mapas do Google Maps ou Apple Maps com preferências de sustentabilidade. Testes beta com 10.000 usuários, reportados pela Wired em setembro de 2025, mostraram que o Atlas reduz o tempo de navegação em tarefas rotineiras em até 50%, mas levantaram questões sobre consumo de bateria em dispositivos móveis e dependência de conexões estáveis para o modo agente.
Adicionalmente, a demonstração incluiu integrações com ecossistemas de terceiros: o agente pode, por exemplo, sincronizar com calendários do Google ou Apple para agendar compromissos baseados em buscas, ou conectar-se a redes sociais para verificar eventos em tempo real. Essas capacidades são suportadas por uma API aberta que a OpenAI planeja disponibilizar para desenvolvedores em 2026, fomentando um ecossistema de extensões similar ao Chrome Web Store, mas com foco em plugins de IA éticos.
Estratégia de Lançamento: Foco Inicial no macOS e Expansão Global Planejada
O Atlas estará disponível para download gratuito a partir da terça-feira em computadores rodando macOS, o sistema operacional da Apple que detém cerca de 28% do mercado de desktops em 2025, per dados da IDC. Essa decisão não é aleatória: reflete a parceria estratégica entre OpenAI e Apple, que integrou o ChatGPT nativamente no iOS 18.1 e macOS Sequoia em outubro de 2025, permitindo que usuários acessem o assistente de IA diretamente da Siri. O download inicial será via App Store, com suporte para Macs com chips M1 ou superiores, garantindo desempenho otimizado graças à aceleração de hardware para IA da Apple Silicon. No entanto, o modo agente – responsável por 70% das inovações demonstradas – será exclusivo para assinantes pagantes do ChatGPT o plano Plus, a US$ 20 por mês, oferece acesso básico com limites de 100 consultas diárias, enquanto o Pro, a US$ 50 mensais, remove restrições e inclui suporte prioritário 24/7.
Altman foi claro sobre os planos de expansão: “Queremos levar isso para Windows e para dispositivos móveis o mais rápido possível”, afirmou, prevendo uma versão beta para Windows 11 em novembro de 2025, aproveitando a integração com o Azure da Microsoft, e apps dedicados para iOS e Android no primeiro trimestre de 2026. Para dispositivos móveis, o foco será em interfaces touch-friendly, com suporte a gestos e voz para ativar o agente. “Ainda estamos nos estágios iniciais deste projeto”, admitiu o CEO, reconhecendo que a versão 1.0 priorizará estabilidade sobre recursos avançados, com atualizações quinzenais baseadas em feedback da comunidade via fóruns da OpenAI. Relatórios da TechCrunch e do The Verge, baseados em vazamentos internos, indicam que a empresa alocou US$ 500 milhões para o desenvolvimento do Atlas, incluindo equipes de 200 engenheiros em San Francisco e Londres. Além disso, parcerias com fabricantes como Samsung e Dell estão em discussão para pré-instalações em novos dispositivos, potencialmente expandindo o alcance para além dos 800 milhões de usuários semanais do ChatGPT.
Preocupações iniciais incluem acessibilidade: o Atlas suporta mais de 50 idiomas na interface, com tradução em tempo real via IA, mas o modo agente inicialmente foca em inglês, espanhol e mandarim, com expansões planejadas. A OpenAI também comprometeu-se com auditorias independentes de segurança, conduzidas pela Deloitte, para garantir conformidade com padrões globais como a Lei de IA da União Europeia de 2024.
Intensificação da Pressão Competitiva: O Google Sob Cerco na Corrida da IA
O lançamento do Atlas amplifica a pressão sobre o Google, que não só domina o mercado de navegadores com 65% de share global em 2025 (StatCounter), mas também o de buscas com 92% das consultas mundiais, gerando US$ 307 bilhões em receitas de publicidade em 2024, conforme balanço da Alphabet. Desde o “blockbuster” do ChatGPT em 2022 – que viu a OpenAI levantar US$ 10 bilhões em investimentos em meses –, uma onda de rivais tem injetado capital massivo em IA. A Amazon expandiu seu AWS Bedrock para modelos personalizados; a Meta liberou o Llama 3 open-source para desenvolvedores; a Microsoft, via parceria de US$ 13 bilhões com a OpenAI, integrou Copilot em todo o Office 365; e a xAI de Elon Musk, lançada em 2023, atraiu US$ 6 bilhões para o Grok, focado em buscas espaciais e científicas. Essa “corrida armamentista da IA”, termo cunhado pela Forbes em um relatório de 2025, totaliza investimentos de US$ 200 bilhões anuais, impulsionados pela crença de que controlar a IA controlará a próxima era da internet.
Jacob Bourne, analista sênior de tecnologia na Emarketer com mais de uma década de experiência em tendências digitais, comentou à AFP: “O navegador da OpenAI coloca uma pressão significativa no Google. É mais um passo na corrida da IA, enquanto as empresas de tecnologia competem ferozmente para tornar suas interfaces de IA o primeiro ponto de contato para bilhões de usuários da internet diários.” Bourne, autor de relatórios como “IA e o Futuro das Buscas” (2024), enfatiza que a OpenAI pode alavancar a lealdade do ChatGPT – com 800 milhões de usuários semanais ativos, um salto de 60% ano a ano per SimilarWeb – para converter 10-20% deles em usuários do Atlas nos primeiros seis meses. No entanto, ele alerta para as vantagens do Google: infraestrutura de data centers com 2 milhões de servidores globais, capazes de processar 8,5 bilhões de buscas diárias sem interrupções, e uma rede de anunciantes que financia inovações gratuitas.
Uma interrogação crucial é a escalabilidade do Atlas: enquanto testes da Wired em setembro de 2025 elogiaram sua velocidade em cargas leves (carregamento de páginas 20% mais rápido que o Chrome em Macs), volumes altos podem revelar gargalos, especialmente no modo agente, que consome até 5 vezes mais dados. Bourne sugere que o sucesso dependerá de parcerias com provedores de nuvem como a AWS para mitigar isso, potencialmente custando à OpenAI US$ 1 bilhão anuais em operações.
Contexto Legal: O Caso Antitruste e a Evolução do Mercado de Buscas
O timing do Atlas é estratégico, alinhando-se ao desfecho de um pivotal caso antitruste nos EUA. Em agosto de 2024, o juiz Amit Mehta, do Tribunal Distrital de Columbia, determinou que o Google manteve monopólios ilegais em buscas online e publicidade, violando a Seção 2 do Sherman Act. No entanto, Mehta rejeitou a proposta do Departamento de Justiça (DOJ) de dividir o Chrome, optando por remédios mais moderados: obrigações de compartilhar APIs e dados de busca com rivais por sete anos, permitindo que empresas como OpenAI desenvolvam produtos competitivos; proibição de pagamentos por default status em dispositivos (como os US$ 26,3 bilhões pagos à Apple entre 2018-2023); e auditorias anuais de conformidade. Em sua decisão de 250 páginas, Mehta notou que “o cenário mudou radicalmente desde 2020”, quando o DOJ e 11 estados processaram o Google, citando a ascensão da IA como um disruptor que agora compete com buscas tradicionais baseadas em palavras-chave.
Essa vitória parcial para o Google – que evitou uma fragmentação corporativa similar à AT&T em 1982 – ainda cria brechas para inovadores. A OpenAI, Perplexity AI e Microsoft (com o Bing Chat) têm coletivamente erodido 5% do market share de buscas do Google desde 2023, per Statista, forçando diversificação de receitas. Recentemente, em setembro de 2025, a OpenAI atualizou o ChatGPT com “ações de app”, permitindo interações nativas com serviços como Spotify (para curar playlists via voz), Booking.com (buscas de imóveis com filtros personalizados) e Expedia (reservas de voos com comparações em tempo real). Essa feature, usada por 150 milhões de usuários mensais, usa autenticação OAuth segura para ações sem senhas, reduzindo cliques em 70% e integrando-se ao Atlas para uma experiência unificada.
A Perplexity AI, startup de São Francisco fundada em 2022 e avaliada em US$ 3,5 bilhões após rodadas com Jeff Bezos e NVIDIA, anunciou em agosto de 2025 um modelo pioneiro de revenue sharing. Editores como The New York Times e Reuters recebem até 30% das receitas de assinaturas quando seu conteúdo é citado em respostas do navegador Comet ou assistente de IA – um contraste ético com o modelo de scraping do Google, que enfrentou ações judiciais em 2024. A Perplexity, com 50 milhões de consultas mensais e foco em buscas acadêmicas, é vista pela CB Insights como uma “disruptora stealth” capaz de capturar 15% do mercado de buscas premium até 2028.
Logo após o anúncio, as ações da Alphabet caíram 1,2% na Nasdaq, fechando em US$ 162 por ação e apagando US$ 20 bilhões em valor de mercado, conforme dados em tempo real da Bloomberg. Analistas como os da Morgan Stanley atribuem isso a temores de canibalização: com o Chrome gerando 60% do tráfego de buscas do Google, o Atlas poderia desviar usuários jovens (18-34 anos, 40% dos quais preferem IA conversacional per Pew Research 2025). Sundar Pichai, CEO do Google, respondeu em um post no X (antigo Twitter) elogiando a inovação, mas reafirmando compromissos com “abertura e acessibilidade”.
Em perspectiva, o Atlas sinaliza uma transição para navegadores como “agentes pessoais”, onde IA não só busca, mas age – potencialmente redefinindo indústrias como e-commerce (projeções de US$ 8 trilhões em transações por IA até 2030, per McKinsey) e educação (com tutores virtuais integrados). Para a OpenAI, o sucesso dependerá de superar desafios como regulação (ex.: o AI Act da UE, que classifica modelos como o GPT-5 como “alto risco”) e ética (garantindo transparência em ações do agente). Analistas preveem que, com iterações rápidas, o Atlas possa alcançar 500 milhões de usuários em dois anos, forçando o Google a acelerar inovações ou enfrentar erosão de domínio.
A informação é coletada da BBC e do MSN.
