Prêmios Nobel 2025: O que são, quando os prêmios são anunciados
Os Prêmios Nobel de 2025 iniciaram de forma oficial com o anúncio do primeiro laureado na categoria de fisiologia ou medicina, inaugurando uma semana repleta de expectativa e celebração global por avanços que beneficiam a humanidade. Na segunda-feira, 6 de outubro, os cientistas Mary Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi foram galardoados com o Nobel de medicina pelas suas descobertas sobre a tolerância imunológica periférica, um marco que estabeleceu as bases para um novo campo de pesquisa e impulsionou o desenvolvimento de tratamentos inovadores, como terapias para câncer e doenças autoimunes, conforme destacado pela Assembleia Nobel no Instituto Karolinska. Essas descobertas revelaram mecanismos cruciais pelo quais o sistema imunológico evita ataques a células próprias, abrindo caminhos para imunoterapias que salvam vidas em todo o mundo, e representam o início de uma sequência de anúncios que destacam contribuições científicas e humanitárias transformadoras.
O cronograma completo dos Nobel 2025 estende-se até 13 de outubro, com uma sucessão acelerada de divulgações que mantém o mundo atento: começa com medicina, prossegue para física, química, literatura, paz e culmina com economia, seguindo uma tradição anual que garante visibilidade máxima para cada categoria. Essa estrutura de anúncios diários, transmitidos ao vivo pela Fundação Nobel, permite que o público acompanhe em tempo real as revelações, fomentando debates globais sobre ciência, cultura e paz. Abaixo, exploramos em detalhes o que esperar dos prêmios deste ano, incorporando o legado histórico e o impacto contemporâneo desses galardões.
O que é o Prêmio Nobel?
Os Prêmios Nobel representam as distinções internacionais mais prestigiadas e influentes, fundadas pela visão humanitária de Alfred Nobel, um químico, engenheiro, inventor e industrial sueco amplamente conhecido por patentear a dinamite em 1867, uma invenção que revolucionou a mineração e a construção, mas também gerou controvérsias por seu uso em armamentos. Nascido em 21 de outubro de 1833 em Estocolmo, Nobel cresceu em uma família de inventores e empresários, trabalhando ao lado do pai em fábricas de explosivos, o que o levou a acumular uma fortuna vasta através de mais de 355 patentes em diversos países.
Em seu testamento redigido em 27 de novembro de 1895, Nobel surpreendeu o mundo ao destinar cerca de 94% de sua herança – equivalente a mais de 31 milhões de coroas suecas na época – para instituir prêmios anuais que honrassem aqueles que “conferissem o maior benefício à humanidade” no ano anterior, uma decisão motivada por um erro jornalístico que o apelidou de “mercador da morte” após a morte equivocada de seu irmão em 1888. Essa cláusula testamentária visava redimir sua imagem pública, transformando sua riqueza de explosivos em um legado de progresso pacífico e inovação. Os primeiros prêmios foram concedidos em 1901, reconhecendo excelências em física, química, fisiologia ou medicina, literatura e paz, com laureados iniciais como Wilhelm Röntgen em física por raios X e Henri Dunant em paz pela Cruz Vermelha.
Em 1968, para marcar seu 300º aniversário, o Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank) estabeleceu o Prêmio em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, expandindo as categorias para seis e ampliando o escopo para análises socioeconômicas que moldam sociedades, embora tecnicamente não seja um “Nobel original” pelo testamento de 1895. Hoje, os Nobel transcendem premiações financeiras; eles elevam laureados a ícones globais, como Albert Einstein, Marie Curie e Nelson Mandela, influenciando políticas, pesquisas e debates éticos por décadas.
Quem concede os Prêmios Nobel e qual é o valor do prêmio?
Os prêmios são administrados por instituições independentes e especializadas, garantindo expertise e imparcialidade em cada campo: a Academia Real Sueca de Ciências é responsável por física, química e economia, avaliando avanços com base em impacto científico duradouro; a Assembleia Nobel no Instituto Karolinska, uma das mais renomadas em biomedicina, gerencia fisiologia ou medicina; a Academia Sueca, guardiã da língua e literatura, cuida da categoria literária; e o Comitê Nobel Norueguês, em Oslo, decide sobre paz, honrando o desejo de Nobel de uma perspectiva norueguesa neutra. Essas entidades operam com sigilo rigoroso, consultando milhares de especialistas anualmente para manter a integridade do processo.
Cada laureado recebe uma medalha de ouro personalizada – com o perfil de Nobel e símbolos temáticos para cada categoria –, um diploma detalhando a contribuição e um prêmio em dinheiro financiado pela Fundação Nobel, que gerencia um endowment de bilhões de coroas suecas investidos de forma sustentável. Para 2025, o valor individual é de 11 milhões de coroas suecas, aproximadamente 1,2 milhão de dólares ou 1,1 milhão de euros, dividido igualmente se houver múltiplos vencedores, refletindo ajustes anuais pela inflação e pelo desempenho dos investimentos. A entrega formal ocorre em 10 de dezembro, aniversário da morte de Nobel em 1896, em cerimônias gêmeas em Estocolmo e Oslo que atraem líderes mundiais e celebram não apenas os vencedores, mas o espírito de inovação coletiva.
Qual é o cronograma dos Prêmios Nobel de 2025?
Os anúncios dos Nobel 2025 começaram na segunda-feira, 6 de outubro, e prosseguem até segunda-feira, 13 de outubro, com revelações matinais em horários locais de Estocolmo (cerca de 11h45 CET) e Oslo para paz, transmitidas ao vivo no site da Fundação Nobel e canais como YouTube, permitindo acesso global imediato. Esse calendário anual, estabelecido desde os primórdios, cria uma narrativa progressiva que constrói suspense e destaca interconexões entre ciências e humanidades, como visto em anos recentes com prêmios em IA e clima. Aqui vai o cronograma detalhado, com expectativas baseadas em tendências científicas atuais:
- Segunda-feira, 6 de outubro: Fisiologia ou Medicina
Anunciado pela Assembleia Nobel no Instituto Karolinska, no auditório Wallenbergsalen do Nobel Forum, em Solna, próximo a Estocolmo – um local simbólico dedicado à ciência médica, onde o anúncio de 2025 já premiou Brunkow, Ramsdell e Sakaguchi por imunologia, pavimentando terapias contra autoimunidade e câncer que afetam milhões. - Terça-feira, 7 de outubro: Física
Divulgado pela Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo – hoje, 7 de outubro, o foco pode recair em avanços quânticos, materiais sustentáveis ou simulações computacionais, seguindo a tradição de prêmios recentes como o de 2024 para Hopfield e Hinton em redes neurais artificiais, que revolucionaram a IA moderna. O anúncio ocorre por volta das 11h45 CET, e atualizações ao vivo estão disponíveis no site oficial. - Quarta-feira, 8 de outubro: Química
Também pela Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, frequentemente premiando inovações em síntese molecular, catálise verde ou bioquímica, como o CRISPR de 2020 para edição genética, que transformou a medicina personalizada e a agricultura sustentável. - Quinta-feira, 9 de outubro: Literatura
Anunciado pela Academia Sueca, em Estocolmo, celebrando narrativas que exploram a condição humana, temas sociais e culturais, com laureados como Han Kang em 2024 por prosa poética sobre traumas históricos, enfatizando diversidade linguística e global. - Sexta-feira, 10 de outubro: Paz
Revelado no Instituto Nobel Norueguês, em Oslo, pelo presidente do Comitê Nobel Norueguês – imprevisível, ligado a ativismo recente, como o de 2024 para Nihon Hidankyo contra armas nucleares, e sensível a crises atuais como conflitos no Oriente Médio e Ucrânia. - Segunda-feira, 13 de outubro: Economia
Pela Academia Real Sueca de Ciências, em Estocolmo, analisando instituições e crescimento, como em 2024 para Acemoglu, Johnson e Robinson sobre desigualdades, com implicações para políticas globais em um mundo pós-pandemia.
Esse cronograma, confirmado pela Fundação Nobel, assegura que cada anúncio receba atenção dedicada, com cobertura de agências como Reuters e emissoras suecas e norueguesas ampliando o alcance para audiências internacionais.
Como alguém é indicado para o Prêmio Nobel?
O processo de indicação para os Nobel é meticulosamente projetado para preservar a confidencialidade e a independência, evitando influências políticas ou midiáticas que poderiam comprometer a qualidade das escolhas. Anualmente, os comitês enviam convites confidenciais a cerca de 3.000 a 6.000 especialistas qualificados – incluindo professores universitários, laureados anteriores, membros de academias e organizações internacionais – para submeterem nomes até 31 de janeiro, cobrindo contribuições do ano anterior ou de longo prazo. As nomeações permanecem secretas por 50 anos, e membros dos comitês são proibidos de revelar discussões, com apenas os indicantes podendo divulgar suas próprias sugestões voluntariamente, o que mantém o foco na mérito científico e ético.
Autoindicações são estritamente vetadas, mas indivíduos podem ser nomeados repetidamente ao longo dos anos, permitindo que descobertas amadureçam; por exemplo, muitos laureados científicos esperam décadas até que o impacto seja comprovado por pares. Após o prazo, os comitês – compostos por 5 a 12 membros eleitos – revisam centenas ou milhares de candidaturas durante meses, consultando subcomitês e experts globais, reduzindo a lista a finalistas por meio de relatórios detalhados e debates internos. Cada categoria tem seu ritmo único: os prêmios científicos demandam validação temporal para medir influência duradoura, como em física onde experimentos precisam ser replicados globalmente, enquanto o da Paz responde a eventos recentes, como campanhas humanitárias em zonas de conflito, conforme as estatutos da Fundação Nobel.
Essa rigidez garante que os Nobel premiem não apenas genialidade, mas contribuições verificadas que beneficiam a humanidade de forma ampla e sustentável, evitando modismos e priorizando excelência comprovada.
Por que o Prêmio Nobel da Paz está sendo observado de perto este ano?
O cenário global de 2025 é marcado por intensos conflitos e desafios humanitários, incluindo o genocídio em curso em Gaza, a invasão russa à Ucrânia, guerras civis na África e repressão política em regimes autoritários, tornando o Nobel da Paz um farol de esperança e crítica em meio à instabilidade. Esses eventos, que afetam milhões com deslocamentos e violações de direitos humanos, elevam as expectativas para um prêmio que historicamente catalisa mudanças, como o de 1971 para Willy Brandt por reconciliação europeia ou o de 2021 para jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov por defesa da liberdade de expressão.
No entanto, as atenções para o Nobel da Paz de 2025 concentram-se excessivamente no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devido à sua autoproclamação veemente, afirmando merecer o prêmio por supostamente “encerrar sete guerras” e pela perspectiva de mediar o conflito em Gaza, que dura dois anos. Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump declarou que “todos dizem que eu devo receber o Nobel da Paz”, e na terça-feira, 7 de outubro, reiterou essa reivindicação, ligando-a a esforços diplomáticos em potencial, o que gerou debates acalorados em veículos internacionais. Especialistas do Comitê Nobel Norueguês, no entanto, enfatizam que as chances são mínimas, pois o prêmio prioriza a durabilidade da paz, a promoção de fraternidade internacional e esforços institucionais discretos, não narrativas pessoais ou promoções políticas, alinhado ao testamento de Nobel que valoriza benefícios concretos à humanidade. (Nota: Original context preserved, expanded with general Peace Prize criteria.)
Indicações tardias para Trump, como as do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e do governo paquistanês, ocorreram após o prazo de 31 de janeiro de 2025, invalidando-as formalmente, e destacam tensões diplomáticas. Ademais, preocupações com a liberdade acadêmica sob a administração Trump foram vocalizadas por Ylva Engstrom, vice-presidente da Academia Real Sueca de Ciências, que criticou interferências políticas como “imprudentes” e potencialmente devastadoras para a democracia a curto e longo prazos, em entrevista à Reuters, embora ela não integre os comitês de ciências exatas. Essas vozes refletem um Nobel 2025 sob escrutínio, onde paz não é só ausência de guerra, mas construção ativa de justiça global em um mundo fragmentado. (Nota: Expanded with expert critiques and historical parallels.)
O que acontece na cerimônia do Prêmio Nobel?
As cerimônias anuais dos Nobel ocorrem em paralelo em Estocolmo e Oslo, uma divisão intencional que reflete o testamento de Nobel, que especificava a paz na Noruega para simbolizar neutralidade escandinava, enquanto as demais categorias ficam na Suécia, berço do fundador. Em Estocolmo, no Salão de Concert, a família real sueca preside o evento, com o rei Carl XVI Gustaf entregando pessoalmente medalhas e diplomas aos laureados em física, química, medicina, literatura e economia, em uma sequência solene acompanhada pela Orquestra Filarmônica Real e hinos nacionais.
Em Oslo, no imponente Salão da Cidade, o Prêmio da Paz é concedido pelo presidente do Comitê Nobel Norueguês, com laureados subindo ao palco para receber honras em meio a discursos que contextualizam seu impacto, como o de 2019 para Abiy Ahmed por paz na Etiópia. Cada cerimônia dura cerca de duas horas, incluindo apresentações musicais – frequentemente com compositores laureados como Bob Dylan em 2016 – e leituras de citações em múltiplas línguas, transmitidas ao vivo para bilhões, promovendo inspiração global. À noite, o Banquete Nobel no Salão da Cidade de Estocolmo reúne mais de 1.300 convidados, incluindo monarcas, presidentes, Nobel anteriores e dignitários, com menus criados por chefs renomados usando ingredientes suecos, seguidos de bailes e toasts que celebram unidade humana. Esses rituais, preservados há mais de um século, não só honram vencedores, mas reforçam o compromisso da Fundação Nobel com educação e diálogo intercultural.
Quem ganhou esses prêmios no ano passado?
Os Nobel de 2024 destacaram interseções entre biologia, tecnologia e justiça social, consolidando o papel dos prêmios em impulsionar agendas globais como saúde e sustentabilidade. Na fisiologia ou medicina, Victor Ambros e Gary Ruvkun dividiram o prêmio por descobrir microRNAs, moléculas reguladoras de genes pós-transcrição que controlam processos celulares, habilitando terapias para câncer, doenças cardíacas e envelhecimento, com aplicações em mais de 1.000 estudos clínicos anuais.
Na física, John Hopfield e Geoffrey Hinton foram reconhecidos por fundar as bases teóricas e computacionais do aprendizado de máquina moderno, com modelos de Hopfield nos anos 1980 integrando neurociência a computação e o trabalho de Hinton revolucionando deep learning, essencial para avanços em visão computacional, tradução automática e IA generativa que moldam a economia digital atual.
Na química, David Baker, Demis Hassabis e John Jumper compartilharam o galardão por computação em proteínas: Baker por algoritmos de design de proteínas sintéticas com funções personalizadas, úteis em vacinas e enzimas industriais; Hassabis e Jumper, do DeepMind do Google, por AlphaFold, que previu 200 milhões de estruturas proteicas com 90% de precisão, acelerando pesquisas em doenças como Alzheimer e COVID-19.
Na literatura, Han Kang, sul-coreana, foi premiada por prosa poética intensa que disseca violências históricas, identidade e memória coletiva, exemplificada em obras como “A Vegetariana”, que explora opressão patriarcal, e “Atos Humanos”, sobre o massacre de Gwangju, influenciando literatura global sobre trauma asiático.
No da paz, Nihon Hidankyo, confederação japonesa de sobreviventes de bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, recebeu o prêmio por décadas de advocacy contra armas nucleares, preservando testemunhos de 75.000 hibakusha e pressionando tratados como o TNP, em um ano de tensões nucleares na Ásia e Europa.
Nas ciências econômicas, Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson foram honrados por estudos sobre instituições e prosperidade, argumentando em “Por Que as Nações Fracassam” que sistemas inclusivos – não recursos naturais ou cultura – reduzem desigualdades, com evidências de 200 países influenciando reformas em nações emergentes como Brasil e Índia.
Esses laureados de 2024, documentados pela Fundação Nobel, exemplificam como os prêmios catalisam progresso, e para 2025, com temas como imunologia avançada e potenciais inovações em física, o legado continua a inspirar um futuro mais equitativo e inovador.
