A estrela do TikTok Aurelien Fontenoy quebra o recorde mundial ao subir a Torre Eiffel de bicicleta em 12 minutos
O ciclista francês e sensação nas redes sociais Aurélien Fontenoy conquistou um novo recorde mundial ao se tornar a pessoa mais rápida a subir até o segundo andar da Torre Eiffel em uma bicicleta de todo terreno, completando o percurso sem que seus pés tocassem o chão em nenhum momento. Esse feito ocorreu em 2 de outubro de 2025, em Paris, e envolveu a escalada de 686 degraus íngremes, alcançando uma altura de 115 metros na plataforma do segundo andar, o ponto mais alto acessível por escadas na icônica estrutura de ferro projetada por Gustave Eiffel. Fontenoy, de 35 anos, não só demonstrou habilidade atlética excepcional, mas também uma criatividade que mistura esporte extremo com entretenimento digital, acumulando milhões de visualizações em seus vídeos virais no TikTok, onde ele é conhecido por desafios inovadores de ciclismo.
A Sociedade de Exploração da Torre Eiffel (SETE), operadora oficial do monumento, confirmou o recorde na sexta-feira seguinte ao evento, destacando que Fontenoy superou o marco anterior por quase sete minutos. O tempo registrado foi de exatos 12 minutos e 30 segundos, um desempenho que reflete anos de dedicação e planejamento meticuloso, especialmente considerando as restrições únicas do desafio, como a proibição de pedalar nas escadas estreitas e a necessidade de manter o equilíbrio total sobre a bicicleta. Esse tipo de escalada urbana não é comum no ciclismo tradicional, mas Fontenoy, como ex-campeão mundial de trial de mountain bike, adaptou técnicas profissionais para transformar um monumento turístico em um palco de superação pessoal e coletiva.
O desafio e a preparação intensa
O desafio enfrentado por Fontenoy exigiu não apenas força física, mas também uma estratégia precisa para navegar pelas escadas sinuosas da Torre Eiffel, que medem cerca de 2.500 metros no total se desenroladas, mas foram condensadas em um percurso vertical de alta intensidade. Ele utilizou uma bicicleta rígida de montanha, sem suspensão ou amortecedores, o que aumentou a dificuldade ao forçá-lo a depender exclusivamente da técnica de “pump” – uma combinação de compressão dos pneus com movimentos corporais rítmicos para ganhar impulso. “Para esse desafio, eu travo o freio e só tenho que comprimir o pneu, porque não há suspensão ou nada assim, é uma bicicleta rígida. Então, é só bombear com o freio e pular, pular, pular o tempo todo!”, explicou ele em entrevista à CNN Sport, enfatizando como os ombros, panturrilhas e braços foram fundamentais para elevar a bike degrau por degrau, sem nunca soltar os pedais ou tocar o solo. Essa abordagem é derivada do trial de mountain bike, modalidade em que Fontenoy brilhou como tricampeão mundial júnior e vice-campeão elite, competindo em eventos como os X-Games na China, onde ele aprendeu a equilibrar precisão e explosão muscular em obstáculos imprevisíveis.
A preparação para esse recorde durou meses de treinamento rigoroso, incluindo sessões intensas na academia focadas em força nas pernas, core e endurance, além de exercícios com corda de pular para simular os saltos contínuos necessários. Fontenoy incorporou rotinas que fortaleciam a estabilidade do tronco e a resistência cardiovascular, essenciais para sustentar 100% de esforço por mais de 12 minutos em um ambiente confinado e inclinado. No entanto, o conceito do desafio remonta a três ou quatro anos atrás, como parte de seu projeto pessoal “The Climb”, uma série de subidas radicais a estruturas icônicas para promover o ciclismo. Ele iniciou essa jornada em 2021 na Torre Trinity, em La Défense, Paris, onde subiu 768 degraus equivalentes a 33 andares e 140 metros de altura em um tempo impressionante, adaptando-se a escadas comerciais modernas. Posteriormente, em 2025, ele conquistou a Torre de TV de Tallinn, na Estônia, adicionando experiência em contextos internacionais e climas variados, o que refinou sua técnica para o ambiente parisiense.
Organizar o evento na Torre Eiffel envolveu obstáculos burocráticos significativos, já que o monumento, visitado por mais de 7 milhões de pessoas anualmente, proíbe veículos como bicicletas para preservar a integridade estrutural e a segurança dos turistas. Fontenoy iniciou as negociações há quatro anos, mas enfrentou atrasos devido à pandemia de Covid-19, que restringiu eventos públicos; aos Jogos Olímpicos de 2024 em Paris, que priorizaram o local para competições; e às extensas obras de pintura e manutenção da torre, que ocorreram entre 2021 e 2024 para restaurar seus 2,5 milhões de parafusos e 7.300 toneladas de ferro. A SETE concedeu permissão especial após avaliações de risco, garantindo que a escalada acontecesse fora do horário de pico, com equipe de suporte médica e filmagem profissional para documentar o feito de forma ética e segura. Essa colaboração destaca como Fontenoy equilibra inovação esportiva com respeito às normas patrimoniais, inspirando discussões sobre o uso criativo de espaços urbanos para esportes alternativos.
A chegada ao topo e as emoções
Ao alcançar a plataforma do segundo andar, após uma ascensão que equivalia a uma corrida vertical intensa, Fontenoy confessou estar completamente exausto, com os músculos tremendo de fadiga acumulada. “Quando cheguei na linha de chegada, eu estava destruído, porque foram 12 minutos de 100% de esforço. Eu estava super feliz, mas não mostrei nada, porque era um estresse pequeno para mim bater esse recorde”, relatou ele, revelando o peso psicológico de competir contra um marco histórico que durava desde 2002. O recorde anterior, de 19 minutos e 4 segundos, foi estabelecido pelo também francês Hugues Richard, um pioneiro em desafios de trial e freeride, usando técnicas semelhantes, mas em uma era sem o apoio digital que Fontenoy aproveita hoje. A diferença de quase sete minutos não só reflete avanços em treinamento e equipamentos – como pneus mais aderentes e bikes leves de carbono –, mas também a maestria de Fontenoy em otimizar movimentos, evitando pausas que poderiam invalidar o recorde pela regra dos pés no chão.
O vídeo da escalada, postado imediatamente em suas redes sociais, capturou não apenas a velocidade, mas os detalhes técnicos: curvas apertadas nas rampas intermediárias, saltos sincronizados para superar platôs e o suor visível em seu rosto sob o sol de outono parisiense. Em poucas horas, o conteúdo acumulou mais de 2 milhões de visualizações no TikTok, com comentários de fãs ao redor do mundo elogiando a acessibilidade do ciclismo como esporte inclusivo, mesmo em desafios extremos. Especialistas da União Ciclística Internacional (UCI) e da Federação Francesa de Ciclismo veem no feito uma oportunidade para revitalizar o interesse pelo mountain bike trial, uma disciplina que combina acrobacia com navegação urbana, especialmente entre jovens influenciados por criadores de conteúdo como Fontenoy. Ele descreveu a Torre Eiffel como “o monumento dos meus sonhos”, enfatizando o simbolismo emocional de conquistar um ícone francês que representa inovação e perseverança, valores centrais em sua carreira. Fisicamente, o esforço sobrecarregou especialmente os ombros e pés, áreas vulneráveis em subidas prolongadas, mas sem lesões graves, graças ao aquecimento prévio e à recuperação pós-evento com fisioterapia especializada.
Carreira e o futuro das aventuras
Aurélien Fontenoy se aposentou das competições profissionais de mountain bike há cinco anos, após uma trajetória brilhante que incluiu três títulos mundiais júnior em VTT Trial, dois europeus na mesma categoria e vitórias em eventos de prestígio como os X-Games. Como atleta patrocinado por marcas como Schwalbe, Abus e Ekoi, ele transitou para o mundo do conteúdo digital e eventos, gerenciando sua própria agência de criação de vídeos e a Bomber Show, uma estrutura de demonstrações de trial e freestyle de VTT que anima festivais e competições. Além disso, Fontenoy organiza o Urban Downhill Pro Tour desde 2022, uma série internacional de descidas urbanas que atrai ciclistas de elite para cidades europeias, promovendo o esporte em ambientes acessíveis e promovendo debates sobre mobilidade sustentável. Sua atuação como dublê em TV, cinema e publicidade – em VTT, BMX e até moto – complementa essa versatilidade, permitindo que ele teste limites em cenários variados enquanto constrói uma comunidade online de mais de 1 milhão de inscritos no YouTube e TikTok, e 370 mil no Instagram.
Esses recordes chamativos são, para ele, uma extensão natural de sua paixão, servindo para desafiar a si mesmo e popularizar o ciclismo além das pistas tradicionais. “Essas tentativas de recorde mundial são uma forma de me manter motivado e promover o esporte que amo”, afirmou Fontenoy, destacando como o conteúdo em redes sociais democratiza o acesso a tutoriais de segurança, dicas de manutenção de bikes e benefícios para a saúde, como redução de estresse e melhoria da coordenação motora. Sua estratégia de “misturar desafios com conteúdo para redes sociais” alinha-se a campanhas globais da UCI, que buscam atrair um público mais amplo por meio de narrativas envolventes e visuais impactantes, especialmente entre gerações Z e millennials que consomem esportes via mobile. Fontenoy enfatiza a importância de equipamentos adequados e treinamento progressivo em seus posts, evitando glorificação de riscos desnecessários e incentivando práticas seguras, o que reforça sua credibilidade como educador esportivo.
Olhando para o futuro, Fontenoy já delineia ambições maiores dentro do “The Climb”, com o Burj Khalifa em Dubai como o ápice pretendido – uma torre de 828 metros que exigiria não só aprovação das autoridades emiratis, mas adaptações extremas para milhares de degraus e ventos fortes no topo. “O ponto final será subir o Burj Khalifa, a torre mais alta do mundo”, revelou ele, prevendo desafios logísticos semelhantes aos da Torre Eiffel, mas em escala global. Enquanto planeja isso, Fontenoy continua a inspirar sua audiência ao compartilhar jornadas acessíveis, como rotas urbanas em Paris ou dicas para ciclistas amadores, fomentando uma cultura de exploração ativa e conectada. Seu impacto vai além do entretenimento, contribuindo para o crescimento do ciclismo como ferramenta de bem-estar e sustentabilidade em cidades densas como Paris, onde iniciativas como o Vélib’ já transformam o dia a dia.
A informação foi coletada da CNN e do Hindustan Times.
