15 Startups de Sucesso Do Mundo Lusófono
O mundo lusófono não é apenas uma vasta comunidade de falantes de português. Hoje, ele é um centro vibrante de inovação tecnológica e empreendedorismo. Com mais de 280 milhões de falantes espalhados por quatro continentes, os países de língua portuguesa estão criando empresas que competem de igual para igual com gigantes do Vale do Silício.
Neste artigo, vamos explorar 15 startups de sucesso do mundo lusófono que estão a transformar indústrias. Do setor financeiro no Brasil à saúde digital em Portugal, passando pela logística em Angola e energia em Moçambique, estas empresas provam que a inovação fala português.
Prepare-se para conhecer histórias inspiradoras, dados financeiros impressionantes e modelos de negócio que estão a mudar o mundo.
O Cenário Tecnológico na CPLP
Antes de mergulharmos na lista, é importante entender o contexto. O Brasil consolidou-se como uma “fábrica de unicórnios” (startups avaliadas em mais de mil milhões de dólares). Portugal, por sua vez, tornou-se a porta de entrada da inovação na Europa, sediando o Web Summit e exportando talento de engenharia de classe mundial.
Já em África, países como Angola e Moçambique estão a dar passos largos. Embora o ecossistema seja mais jovem, ele resolve problemas reais e urgentes da população, criando soluções únicas em logística e saúde.
Abaixo, apresentamos a lista definitiva das empresas que lideram essa revolução.
1. Nubank (Brasil)
É impossível falar de startups de sucesso do mundo lusófono sem começar pelo Nubank. Fundado em 2013, o banco digital nasceu com uma missão simples: acabar com a burocracia dos bancos tradicionais no Brasil. O que começou com um cartão de crédito roxo sem anuidade tornou-se a maior plataforma de banco digital do mundo fora da Ásia.
O Nubank não apenas simplificou a vida financeira de milhões de pessoas, mas também forçou todo o setor bancário latino-americano a modernizar-se. A empresa abriu o capital na Bolsa de Nova Iorque (NYSE) e continua a expandir-se para o México e Colômbia.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2013 |
| Sede | São Paulo, Brasil |
| Setor | Fintech |
| Destaque | Mais valiosa instituição financeira da América Latina |
2. Remote (Portugal / Global)
A Remote é um exemplo perfeito da nova economia. Cofundada pelo português Marcelo Lebre, a empresa resolve um problema moderno: como contratar talentos em qualquer lugar do mundo de forma legal e simples. A plataforma permite que empresas paguem e giram equipas em países onde não têm sede física.
Atingiu o estatuto de unicórnio em tempo recorde. A sua tecnologia trata de toda a conformidade legal, impostos e benefícios, permitindo que o trabalho remoto seja uma realidade segura para grandes corporações globais.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2019 |
| Origem do Fundador | Portugal (Marcelo Lebre) |
| Setor | HR Tech (Recursos Humanos) |
| Avaliação | > $3 Mil Milhões (Unicórnio) |
3. iFood (Brasil)
O iFood é a empresa líder em entrega de comida na América Latina. Mais do que apenas entregar refeições, a startup brasileira criou um ecossistema complexo que utiliza inteligência artificial para otimizar rotas, prever a procura e ajudar restaurantes a crescer.
A empresa resistiu à concorrência feroz de gigantes globais como a Uber Eats no Brasil, consolidando a sua liderança através de uma compreensão profunda do consumidor local e de uma logística impecável. Hoje, o iFood expandiu-se para entregas de mercado e benefícios corporativos.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2011 |
| Sede | Osasco, Brasil |
| Setor | Foodtech / Logística |
| Dominância | Líder de mercado no Brasil |
4. Sword Health (Portugal)
A Sword Health é uma das estrelas mais brilhantes da tecnologia portuguesa atual. A empresa criou a primeira solução digital para tratamento de patologias músculo-esqueléticas. Através de sensores de movimento e inteligência artificial, os pacientes podem fazer fisioterapia em casa, com feedback em tempo real, sem precisarem de se deslocar a uma clínica.
Em meados de 2025, a empresa levantou novos investimentos que elevaram a sua avaliação para cerca de 4 mil milhões de dólares. A Sword Health prova que Portugal pode liderar na intersecção entre saúde e tecnologia avançada.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2015 |
| Origem | Porto, Portugal |
| Setor | Healthtech (Saúde) |
| Status | Unicórnio (Avaliada em $4B em 2025) |
5. Tupuca (Angola)
Representando a inovação africana, a Tupuca foi a primeira plataforma de entrega de comida em Angola. Frequentemente chamada de “Uber Eats de Angola”, a empresa teve de superar desafios logísticos imensos, como a falta de endereços formais em algumas zonas e o trânsito de Luanda.
A Tupuca não parou na comida. Evoluiu para uma aplicação de “super-entregas”, transportando desde compras de supermercado até farmácia. É um exemplo de resiliência e adaptação ao mercado local, servindo de inspiração para jovens empreendedores em toda a África Lusófona.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2015 |
| Sede | Luanda, Angola |
| Setor | Logística / Q-Commerce |
| Impacto | Pioneira em entregas on-demand em Angola |
6. OutSystems (Portugal)
A OutSystems é a “avó” dos unicórnios portugueses, mas continua na vanguarda da tecnologia mundial. A empresa criou uma plataforma “low-code” que permite a outras empresas desenvolverem software complexo de forma muito rápida e visual, sem precisarem de escrever milhares de linhas de código manual.
Fundada em 2001, a OutSystems antecipou a necessidade global de agilidade no desenvolvimento de software. Hoje, grandes bancos, seguradoras e governos em todo o mundo usam a tecnologia portuguesa para operar os seus sistemas críticos.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2001 |
| Sede | Lisboa, Portugal / Boston, EUA |
| Setor | Enterprise Software / Low-code |
| Reconhecimento | Líder global no Quadrante Mágico da Gartner |
7. QuintoAndar (Brasil)
Alugar um imóvel no Brasil era, historicamente, um pesadelo burocrático que exigia fiadores e dezenas de documentos. O QuintoAndar resolveu esse problema digitalizando todo o processo. A plataforma elimina a necessidade de fiador, oferece seguros fiança e agiliza a assinatura de contratos digitalmente.
Com uma avaliação que supera os 5 mil milhões de dólares, o QuintoAndar é a maior “proptech” (tecnologia imobiliária) da América Latina, gerindo milhares de milhões em ativos sob gestão.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2013 |
| Sede | São Paulo, Brasil |
| Setor | Proptech |
| Inovação | Eliminação da figura do fiador |
8. Appy Saúde (Angola)
A saúde em África enfrenta desafios de acesso e informação. A Appy Saúde surgiu para preencher essa lacuna em Angola. A plataforma permite aos utilizadores encontrar farmácias, verificar a disponibilidade de medicamentos, comparar preços e marcar consultas médicas online.
A startup tem sido fundamental para aumentar a transparência no setor de saúde angolano. Recentemente, expandiu os seus serviços para incluir telemedicina e entrega de medicamentos, tornando o acesso à saúde mais democrático e eficiente.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2017 |
| Sede | Luanda, Angola |
| Setor | E-Health (Saúde Digital) |
| Serviço | Maior base de dados de saúde de Angola |
9. Wellhub (ex-Gympass) (Brasil)
Nascida no Brasil como Gympass e recentemente rebatizada como Wellhub, esta empresa mudou a forma como as corporações cuidam da saúde dos funcionários. O modelo de negócio é engenhoso: as empresas pagam uma mensalidade e os seus funcionários ganham acesso a milhares de ginásios e estúdios em todo o mundo.
A Wellhub tornou-se um benefício essencial para grandes multinacionais. A sua expansão global foi agressiva, conquistando mercados nos Estados Unidos e na Europa, provando que um modelo de negócio brasileiro pode ser exportado com sucesso.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2012 |
| Origem | Minas Gerais, Brasil |
| Setor | Wellness / Benefícios Corporativos |
| Alcance | Global (Forte presença nos EUA e Europa) |
10. Feedzai (Portugal)
A segurança das transações financeiras mundiais passa, em grande parte, por tecnologia portuguesa. A Feedzai utiliza inteligência artificial avançada para prevenir fraudes em pagamentos bancários e comércio eletrónico. A sua tecnologia consegue analisar enormes volumes de dados em milissegundos para detetar comportamentos suspeitos.
Bancos de topo e grandes retalhistas mundiais confiam na Feedzai para proteger o seu dinheiro e o dos seus clientes. A empresa é um dos unicórnios mais respeitados no setor de cibersegurança e “big data”.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2011 |
| Origem | Coimbra, Portugal |
| Setor | Cibersegurança / Fintech |
| Especialidade | Deteção de fraude com IA |
11. SolarWorks! (Moçambique)
Moçambique tem um enorme potencial de energia solar, mas muitas áreas rurais ainda carecem de eletricidade. A SolarWorks! ataca este problema com sistemas solares domésticos “pay-as-you-go” (pague conforme o uso). As famílias pagam pequenas prestações via telemóvel para ter acesso a luz e energia para carregar aparelhos.
Embora tenha raízes holandesas, a sua operação e impacto em Moçambique são profundos, sendo uma das principais startups a operar no país e a receber financiamento significativo para expansão. Ela representa o potencial das “CleanTechs” no espaço lusófono africano.
| Informação | Detalhes |
| Atuação Principal | Moçambique |
| Setor | Energia Renovável / Pay-as-you-go |
| Impacto | Eletrificação rural sustentável |
12. Talkdesk (Portugal)
A Talkdesk revolucionou o mundo dos “call centers”. Antes dela, montar uma central de atendimento exigia servidores físicos, cabos e meses de instalação. A Talkdesk permitiu que qualquer empresa criasse um contact center na “nuvem” em poucos minutos, apenas com um navegador de internet.
Fundada por dois portugueses logo após saírem da universidade, a empresa cresceu exponencialmente e mudou a sua sede para os EUA, mantendo um forte centro de engenharia em Portugal. É hoje uma referência global em experiência do cliente (CX).
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2011 |
| Origem | Lisboa, Portugal |
| Setor | SaaS / Contact Center |
| Status | Unicórnio consolidado |
13. Loggi (Brasil)
Num país de dimensões continentais como o Brasil, a logística é um desafio constante. A Loggi utiliza tecnologia para conectar entregadores independentes a empresas e clientes que precisam de enviar encomendas. A startup transformou a “last-mile delivery” (a entrega final ao cliente).
Com investimentos pesados de fundos globais, a Loggi construiu uma malha logística que compete com os correios nacionais, oferecendo rastreamento em tempo real e entregas expressas que impulsionam o comércio eletrónico brasileiro.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2013 |
| Sede | São Paulo, Brasil |
| Setor | Logística |
| Inovação | Otimização de rotas e economia partilhada |
14. Anchorage Digital (Portugal / EUA)
O mundo das criptomoedas precisava de segurança institucional, e foi isso que a Anchorage Digital trouxe. Cofundada pelo português Diogo Mónica, a empresa tornou-se o primeiro “cripbanco” federalmente fretado nos Estados Unidos.
A Anchorage oferece custódia segura para ativos digitais, servindo grandes investidores institucionais que querem entrar no mercado de criptoativos sem correr riscos de segurança. É um exemplo claro da excelência da engenharia portuguesa aplicada à fronteira das finanças modernas.
| Informação | Detalhes |
| Cofundador | Diogo Mónica (Portugal) |
| Setor | Criptoativos / Fintech |
| Feito | Primeiro banco de cripto aprovado nos EUA |
15. VTEX (Brasil)
A VTEX é a plataforma de comércio digital que alimenta as lojas online de grandes marcas mundiais como Coca-Cola, Sony e Walmart em várias regiões. Diferente de plataformas simples para pequenas lojas, a VTEX oferece uma infraestrutura robusta para operações complexas de e-commerce.
A empresa brasileira também abriu o capital na Bolsa de Nova Iorque, confirmando a maturidade da tecnologia desenvolvida no Brasil. O seu modelo de “comércio colaborativo” continua a ditar tendências no varejo global.
| Informação | Detalhes |
| Fundação | 2000 |
| Sede | Rio de Janeiro, Brasil |
| Setor | E-commerce / SaaS |
| Mercado | Presente em mais de 30 países |
Fatores de Sucesso no Espaço Lusófono
Ao analisar estas 15 startups de sucesso do mundo lusófono, encontramos padrões claros que explicam o seu crescimento. Primeiro, a capacidade de resolver problemas estruturais. No Brasil e em Angola, muitas destas empresas (como Nubank, Loggi, Tupuca e Appy) cresceram porque a infraestrutura tradicional era ineficiente. Elas não criaram apenas “luxos”, mas sim serviços essenciais.
Em segundo lugar, vemos a qualidade técnica. As startups portuguesas (Sword Health, Feedzai, Remote, OutSystems) destacam-se por serem “Deep Tech”, ou seja, baseadas em engenharia complexa e inteligência artificial, fruto do excelente sistema universitário de Portugal.
Por fim, a ambição global. Nenhuma destas empresas se contentou com o mercado local. Mesmo as que operam fisicamente num só país, como o QuintoAndar, utilizam padrões de qualidade e tecnologia de classe mundial.
O Futuro das Startups Lusófonas
O futuro parece brilhante. Com a crescente digitalização em África e a maturidade dos ecossistemas no Brasil e Portugal, espera-se que a colaboração entre estes países aumente. Programas de aceleração cruzada e fundos de investimento que olham para a CPLP como um bloco económico podem desbloquear ainda mais valor.
Novos setores, como a tecnologia agrícola (Agrotech) no Brasil e a tecnologia azul (ligada ao mar) em Portugal e Moçambique, prometem ser os berços dos próximos unicórnios.
Conclusão
As 15 startups de sucesso do mundo lusófono listadas aqui são apenas a ponta do icebergue. Elas representam uma mudança de mentalidade. O português já não é apenas a língua de Camões ou Pessoa; é a língua do código, da inovação financeira e da saúde digital.
Para investidores, estas empresas mostram que há oportunidades imensas fora dos eixos tradicionais (EUA/China). Para empreendedores, elas são a prova de que é possível construir impérios globais a partir de São Paulo, Lisboa, Luanda ou Maputo. A inovação lusófona está viva, forte e pronta para o futuro.
