Cibersegurança

14 líderes em cibersegurança e privacidade de dados em Cabo Verde em 2026

A transformação digital em Cabo Verde avança a um ritmo impressionante. Com o objetivo ambicioso de digitalizar 60% dos serviços públicos até 2026, o arquipélago posiciona-se como um hub tecnológico na África Ocidental. No entanto, com a inovação, surgem novos desafios. A proteção contra ataques cibernéticos e a garantia da privacidade dos cidadãos tornaram-se prioridades absolutas.

Neste cenário dinâmico, diversas entidades, empresas e iniciativas destacam-se como pilares da segurança digital. Este artigo identifica os 14 líderes em cibersegurança e privacidade de dados em Cabo Verde que moldarão o setor em 2026, garantindo um ecossistema digital seguro e confiável.

O Panorama da Cibersegurança em Cabo Verde (2025-2026)

Antes de conhecermos os líderes, é crucial entender o contexto. Cabo Verde subiu recentemente para o “Grupo A” do índice GovTech do Banco Mundial, sendo reconhecido pela maturidade na governação digital. Contudo, relatórios recentes da CNPD (Comissão Nacional de Protecção de Dados) e do NOSi (Núcleo Operacional da Sociedade de Informação) alertam para o aumento de phishing, roubo de identidade e ataques de ransomware.

Para 2026, a estratégia nacional foca na resiliência das infraestruturas críticas e na formação de capital humano qualificado.

Indicador Chave Meta para 2026
Digitalização de Serviços 60% dos serviços públicos online
Investimento em Infraestrutura Expansão do TechPark CV (Praia e Mindelo)
Legislação Reforço da Lei de Cibercrime e RGPD
Educação Milhares de jovens formados via WebLabs

Instituições Governamentais e Reguladoras

O Estado cabo-verdiano desempenha o papel principal na definição de regras e na defesa do ciberespaço nacional. Estas são as entidades que lideram a regulação e a resposta a incidentes.

1. NOSi (Núcleo Operacional da Sociedade de Informação)

O NOSi é o coração tecnológico de Cabo Verde. Sob a liderança de figuras como Carlos Tavares Pina, a entidade gere a Rede Tecnológica Privada do Estado (RTPE). Em 2026, o foco do NOSi estará na consolidação do Centro de Operações de Segurança (SOC), monitorizando ameaças em tempo real para proteger dados governamentais críticos.

2. CNPD (Comissão Nacional de Protecção de Dados)

A CNPD é a autoridade máxima em privacidade. Com um papel ativo na fiscalização, a comissão garante que empresas e entidades públicas cumprem o Regime Geral de Proteção de Dados (RGPD). A liderança da CNPD tem sido vocal sobre a necessidade de mais recursos humanos para enfrentar os desafios de 2026, aplicando coimas e diretrizes rigorosas contra o uso indevido de dados pessoais.

3. CSIRT-CV (Equipa de Resposta a Incidentes de Segurança Informática)

Integrado na estratégia nacional, o CSIRT-CV é a “tropa de elite” digital. A sua missão é coordenar a resposta a incidentes que afetem o Estado e setores críticos. Para 2026, espera-se uma maior cooperação internacional deste órgão com congéneres lusófonas e europeias para mitigar ataques transfronteiriços.

4. ARME (Agência Reguladora Multissetorial da Economia)

A ARME regula o setor das comunicações eletrónicas. O seu papel na cibersegurança envolve garantir que as operadoras de telecomunicações (ISPs) implementem protocolos de segurança robustos para proteger a integridade da internet em Cabo Verde.

5. Polícia Judiciária (Unidade de Investigação de Cibercrime)

O combate ao crime não acontece apenas na prevenção. A Polícia Judiciária tem investido na capacitação dos seus inspetores para investigar crimes complexos como fraudes bancárias online e extorsão digital, que tendem a aumentar com a maior bancarização digital da população.

Infraestrutura Crítica e Setor Privado

A colaboração público-privada é essencial. Empresas de tecnologia e telecomunicações investem milhões para blindar as suas redes e oferecer serviços de segurança avançada.

6. TechPark Cabo Verde

Inaugurado como um marco histórico, o TechPark (com polos na Praia e em São Vicente) é o centro de dados mais avançado do país. Em 2026, será o “cofre forte” digital da região, alojando dados de empresas internacionais e startups, com protocolos de segurança física e lógica de última geração.

7. VisionWare

Esta empresa de origem portuguesa estabeleceu uma forte presença em Cabo Verde. Reconhecida pela sua expertise em cibersegurança, a VisionWare atua como consultora estratégica para o governo e grandes empresas, recrutando e formando talentos locais em auditoria e defesa cibernética.

8. CV Telecom (Cabo Verde Telecom)

Como operador histórico, a CV Telecom gere os cabos submarinos que ligam o país ao mundo (como o cabo Ellalink). A sua liderança na cibersegurança foca-se na proteção destas “autoestradas” de dados contra sabotagem e interrupções, garantindo a conectividade contínua do arquipélago.

9. Unitel T+

A concorrente Unitel T+ tem impulsionado a inovação no setor móvel. Com a expansão do 4G e testes de 5G, a empresa investe pesadamente em segurança de redes móveis para proteger os utilizadores contra smishing (phishing por SMS) e interceção de dados.

10. Setor Bancário (BCA, BCN, IIB)

Os bancos comerciais em Cabo Verde são alvos frequentes de ataques. Lideram o setor privado na adoção de normas internacionais (como ISO 27001) e autenticação de dois fatores (2FA), protegendo as poupanças e transações dos clientes numa economia cada vez mais cashless.

Entidade Setor Foco Principal em 2026
TechPark CV Infraestrutura Data Center Seguro e Hosting
VisionWare Consultoria Auditoria e Formação Especializada
CV Telecom Telecomunicações Segurança de Cabos Submarinos
Bancos (BCA/BCN) Finanças Prevenção de Fraude Online

Educação, Inovação e Parcerias

O futuro da cibersegurança depende das pessoas. A formação de novos líderes e a sensibilização da população são fundamentais.

11. Universidade de Cabo Verde (Uni-CV)

A academia lidera a formação teórica. Com cursos focados em Engenharia Informática e Computação, a Uni-CV está a adaptar os seus currículos para incluir módulos avançados de segurança de redes e criptografia, preparando a força de trabalho para 2026.

12. WebLabs

O programa WebLabs, presente em escolas secundárias de todo o país, é uma “fábrica” de talentos. Ao introduzir o pensamento computacional e noções de segurança online a adolescentes, o programa cria uma base cultural de ciber-higiene essencial para o futuro digital do país.

13. Cabo Verde Digital

Esta iniciativa governamental apoia o ecossistema de startups. O seu papel na segurança passa por garantir que as novas empresas tecnológicas (FinTechs, HealthTechs) nascem já com princípios de “Security by Design” (Segurança desde a conceção), evitando vulnerabilidades em novos produtos.

14. Parceiros Internacionais (Banco Mundial / BAD)

Embora não sejam entidades nacionais, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento são líderes financeiros da estratégia. O seu financiamento e exigência de standards internacionais impulsionam a modernização das defesas cibernéticas de Cabo Verde, financiando projetos estruturantes como o SOC.

Tendências de Cibersegurança para 2026 em Cabo Verde

O que devem os líderes esperar para o ano de 2026? A evolução tecnológica traz novas ameaças que exigem atenção redobrada.

Inteligência Artificial no Cibercrime

Em 2026, espera-se que os ataques de phishing sejam gerados por Inteligência Artificial (IA), tornando-os mais convincentes e difíceis de detetar. E-mails fraudulentos escritos em português perfeito, imitando chefias ou bancos, serão um desafio comum.

Proteção de Dados Biométricos

Com a implementação de novos documentos de identificação digital (CNI) e passaportes eletrónicos, a proteção de dados biométricos (impressão digital, reconhecimento facial) será crítica. A CNPD terá um papel vital na fiscalização de como estes dados sensíveis são armazenados.

Ameaças a Dispositivos Móveis

O acesso à internet em Cabo Verde é predominantemente móvel. Malware desenhado para Android e ataques via redes Wi-Fi públicas inseguras serão vetores de ataque preferenciais. A educação dos utilizadores será a melhor defesa.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Cabo Verde é um país seguro para dados digitais?

Sim, Cabo Verde é considerado um dos países mais seguros de África em termos de legislação digital. Possui leis robustas de proteção de dados e instituições ativas (CNPD, NOSi). No entanto, como em qualquer lugar do mundo, os utilizadores devem ter cautela individual.

2. O que faz a CNPD em Cabo Verde?

A Comissão Nacional de Protecção de Dados fiscaliza o tratamento de dados pessoais. Ela autoriza bases de dados, investiga queixas de cidadãos e aplica multas a empresas que violam a privacidade ou enviam spam sem consentimento.

3. Existem cursos de cibersegurança em Cabo Verde?

Sim. A Universidade de Cabo Verde e institutos privados oferecem formações na área de TI. Além disso, empresas como a VisionWare e programas como o WebLabs promovem formação técnica especializada e certificações.

4. Como posso denunciar um crime informático?

Crimes como burlas online, roubo de identidade ou acesso ilegítimo devem ser denunciados à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público. Incidentes de segurança em organismos públicos podem ser reportados ao CSIRT-CV.

Considerações Finais

Ao olharmos para 2026, fica claro que a cibersegurança em Cabo Verde não é tarefa de uma única pessoa ou instituição. É um esforço conjunto. Os 14 líderes aqui destacados — desde os estrategas do NOSi e os reguladores da CNPD até aos engenheiros do TechPark e os educadores da Uni-CV — formam um escudo digital robusto.

Para o cidadão comum e para o investidor estrangeiro, a mensagem é de confiança. Cabo Verde não está apenas a digitalizar-se; está a fazê-lo com consciência, responsabilidade e segurança. O futuro digital do arquipélago é promissor, desde que a vigilância e a educação continuem a ser prioridades constantes.