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Trump publica vídeo de IA mostrando-o atacando os manifestantes contra os Reis

No sábado, o presidente Donald Trump causou polêmica ao compartilhar em sua conta no Truth Social um vídeo curto gerado por inteligência artificial, no qual ele aparece pilotando um caça de guerra e despejando o que parece ser fezes sobre um grupo de manifestantes nos Estados Unidos. O clipe, com duração de apenas 19 segundos, retrata Trump usando uma coroa dourada na cabeça, simbolizando uma monarquia, enquanto voa em um avião de combate rotulado como “King Trump”. Essa postagem veio logo após uma série de protestos nacionais conhecidos como “No Kings”, que reuniram multidões em várias cidades do país para criticar Trump e sua administração por supostas tendências autoritárias. O vídeo, que rapidamente viralizou nas redes sociais, mistura elementos de sátira política com tecnologia de IA, destacando o estilo provocativo de comunicação do presidente em plataformas digitais.

De acordo com uma análise detalhada realizada pela NBC News e publicada no início de outubro, Trump tem adotado cada vez mais o uso de vídeos gerados por IA para responder a seus críticos. Nos últimos nove meses, desde sua posse em janeiro de 2025 após a reeleição em novembro de 2024, o presidente compartilhou dezenas desses conteúdos em sua conta no Truth Social. Cerca de metade desses posts, aproximadamente 20 a 25 vídeos, foram concentrados nos meses de agosto e setembro, períodos de intensas discussões políticas sobre reformas governamentais e políticas de imigração. Muitos desses materiais não são criados diretamente pela equipe de Trump, mas originados de contas de apoiadores ou criadores de conteúdo independentes, que os enviam para aprovação antes de serem promovidos pelo presidente. Esse padrão foi observado em casos anteriores, como memes envolvendo rivais políticos ou sátiras sobre a mídia tradicional, e reflete uma estratégia de engajamento direto com o público conservador, evitando filtros de plataformas maiores como o X ou o Facebook.

Detalhes do Vídeo e o Alvo Principal

No vídeo em questão, Trump é mostrado em uma cabine de caça futurista, com o avião sobrevoando uma cena urbana movimentada que claramente remete à icônica Times Square, em Nova York, com suas luzes de neon e outdoors luminosos. Ele pressiona um botão, e uma carga de material marrom, simulando fezes, é liberada sobre a multidão abaixo. Entre os alvos fictícios, destaca-se uma figura que se assemelha ao influenciador digital de esquerda Harry Sisson, conhecido por suas postagens críticas ao governo Trump e por seu ativismo em causas progressistas, como direitos civis e reformas eleitorais. Sisson, que tem milhões de seguidores no X e no TikTok, aparece caricaturado com traços exagerados, vestindo uma camiseta com slogans anti-Trump, enquanto outros manifestantes carregam cartazes com frases como “No Kings Allowed” e bandeiras americanas invertidas, simbolizando protesto.

A produção do vídeo parece ter utilizado ferramentas acessíveis de IA, como modelos generativos semelhantes ao Midjourney ou ao DALL-E, que permitem a criação rápida de imagens e animações realistas a partir de prompts textuais. Especialistas em tecnologia, consultados por veículos como o The Verge em relatórios recentes, explicam que esses softwares podem compor cenas complexas em minutos, misturando elementos reais, como fotos públicas de Trump e imagens de aviões militares, com ficção. No entanto, o uso de IA nesse contexto levanta preocupações éticas: organizações como a Electronic Frontier Foundation (EFF) alertam que conteúdos assim podem confundir o público, especialmente se não forem claramente marcados como gerados por máquina, violando diretrizes de transparência propostas pela União Europeia e pelo Congresso americano em projetos de lei de 2025 sobre desinformação digital.

Reações Imediatas e Resposta do Vice-Presidente

Harry Sisson não demorou a reagir ao ser “alvo” do vídeo. Minutos após a postagem de Trump, o influenciador tuitou no X: “Alguém pode perguntar ao Trump por que ele postou um vídeo de IA de si mesmo jogando cocô em mim de um caça? Seria ótimo, obrigado”. A mensagem, que acumulou milhares de curtidas e retuítes em poucas horas, misturava indignação com um tom irônico, típico do estilo de Sisson, que frequentemente usa humor para engajar sua audiência jovem e progressista. Ele tem sido uma voz proeminente nas redes desde a campanha de 2024, produzindo conteúdos que analisam políticas de Trump, como as restrições à imigração e os cortes em programas sociais.

O vice-presidente JD Vance, conhecido por seu apoio inabalável a Trump e por seu background como autor e ex-senador, entrou na conversa com uma resposta leve e provocativa. “Vou perguntar a ele por você, Harry”, tuitou Vance, adicionando um emoji de risada para enfatizar o tom satírico. Essa interação destacou a dinâmica interna da administração republicana, onde figuras como Vance frequentemente amplificam as postagens de Trump para maximizar o alcance. Vance, que assumiu o cargo em janeiro de 2025, tem sido um defensor vocal do uso de mídias sociais na política, argumentando em entrevistas à Fox News que elas democratizam a comunicação governamental, embora críticos o acusem de contribuir para a polarização.

A Casa Branca, por meio de sua equipe de comunicação, não respondeu imediatamente a pedidos de comentário de jornalistas sobre o vídeo. Fontes internas, citadas anonimamente pelo Politico em uma matéria de domingo, indicam que a postagem foi vista como uma “resposta criativa” aos protestos, alinhada à estratégia de Trump de usar humor grosseiro para desarmar opositores. No entanto, assessores seniores expressaram preocupações privadas sobre o risco de alienar moderados, especialmente em um ano de eleições intermediárias em 2026.

Escala e Significado dos Protestos “No Kings”

Os protestos “No Kings” representam um dos maiores movimentos de oposição à administração Trump desde sua reeleição. Organizados por uma coalizão de grupos ativistas, incluindo a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis), o MoveOn e sindicatos progressistas, os eventos de sábado ocorreram em mais de 2.700 localidades por todo o país, desde grandes metrópoles como Nova York, Los Angeles e Chicago até cidades menores no Meio-Oeste. Os organizadores estimam que cerca de 7 milhões de pessoas participaram, um número verificado por coberturas independentes da Associated Press e da CNN, que usaram dados de multidões, imagens de drones e relatos locais para confirmar a presença massiva.

Esse total marca um crescimento significativo em relação aos protestos de junho, que atraíram aproximadamente 5 milhões de participantes, conforme relatórios da época da Reuters e do The Washington Post. O aumento de 2 milhões reflete uma mobilização crescente, impulsionada por fatores como decisões recentes da Suprema Corte favoráveis a políticas executivas de Trump, controvérsias sobre o uso de forças federais em protestos e críticas a alianças internacionais, como as negociações comerciais com a China. Em Nova York, epicentro simbólico devido à postagem de Trump, milhares marcharam pela Broadway, com discursos de líderes como a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, que ligou os “No Kings” a uma luta contra o que chamou de “erosão da democracia”. Em Los Angeles, confrontos menores com a polícia foram reportados pela ABC News, mas a maioria dos eventos transcorreu pacificamente, com foco em discursos e performances artísticas.

Os temas centrais dos protestos incluem a rejeição a qualquer percepção de Trump como figura monárquica, inspirada em declarações dele sobre “poder ilimitado” em entrevistas passadas. Ativistas argumentam que ações como a expansão do controle presidencial sobre agências reguladoras e a nomeação de juízes conservadores ameaçam os checks and balances do sistema americano. Um relatório do Pew Research Center de setembro de 2025 indica que 62% dos democratas veem Trump como uma ameaça à democracia, um sentimento que os “No Kings” buscam amplificar.

Entrevista de Trump e o Debate Sobre Monarquia

No domingo, Trump apareceu em uma entrevista com a apresentadora Maria Bartiromo na Fox News, um programa matinal de grande audiência entre conservadores. Durante a conversa, que durou cerca de 30 minutos e cobriu tópicos como economia e segurança de fronteiras, ele abordou diretamente os protestos e o vídeo. “Eles estão me chamando de rei, você sabe”, disse Trump, com seu tom característico de indignação misturada a confiança. “Eu não sou. Sou o presidente eleito pelo povo, e esses protestos são só barulho de perdedores”. Ele defendeu o vídeo como uma forma de “humor americano”, comparando-o a sátiras de comediantes como Jon Stewart em épocas passadas, e negou qualquer intenção de promover violência ou desrespeito.

Bartiromo, conhecida por suas perguntas favoráveis a Trump, pressionou sobre o uso de IA, e o presidente respondeu que é “a onda do futuro” para combater a “mídia fake”. Essa visão alinha-se com relatórios do Brookings Institution, que analisam como a administração Trump integrou tecnologias digitais desde 2017, mas com um foco intensificado pós-2024 em ferramentas de IA para campanhas e governança. Críticos, no entanto, como colunistas do The New York Times, argumentam que tais postagens trivializam questões sérias, como a liberdade de expressão dos manifestantes, e podem incentivar assédio online contra figuras como Sisson.

Implicações Mais Amplas na Política e na Tecnologia

Esse incidente ilustra o papel cada vez mais central da inteligência artificial na arena política americana. Desde a reeleição de Trump, o uso de IA em campanhas e comunicações governamentais explodiu, com um estudo da Universidade de Stanford estimando que 30% dos conteúdos virais em redes sociais durante 2025 foram gerados ou editados por IA. Plataformas como o Truth Social, fundada por Trump em 2022 como alternativa ao Twitter, tornaram-se hubs para esses materiais, atraindo 150 milhões de visitas mensais, segundo dados da SimilarWeb. No entanto, reguladores, incluindo a FTC (Comissão Federal de Comércio), investigam se tais postagens violam leis de publicidade e transparência, especialmente quando não rotuladas como “gerado por IA”.

Para os protestos “No Kings”, o vídeo de Trump pode paradoxalmente impulsionar a causa, aumentando a visibilidade. Líderes ativistas planejam mais eventos em novembro, coincidindo com o aniversário da eleição de 2024, e usam o episódio para arrecadar fundos, já superando US$ 10 milhões em doações via plataformas como ActBlue. Enquanto isso, apoiadores de Trump veem a postagem como uma vitória cultural, reforçando sua imagem de outsider contra o establishment.

A informação foi coletada da CNN e da NBC News.